The Good Place: uma comédia da Netflix para ver antes de morrer

The Good Place: uma comédia da Netflix para ver antes de morrer

Sarcasmo e acidez são as marcas do retorno da ótima The Good Place

 

Saída da mente de Michael Schur, que já tinha conquistado um lugar no céu das séries com Parks and Recreation, The Good Place acaba de retornar para sua segunda temporada (com episódios semanais na Netflix) e já é tida como a salvação do fall season.

 

Tudo porque o primeiro ano terminou com uma reviravolta de fazer fãs de séries chorirem (quando você chora e ri ao mesmo tempo). A série também foi eleita no ano passado como “a novidade mais excitante” no People’s Choice Awards.

 

De início

Mas vamos começar do começo: The Good Place conta a história da vida após a morte de Eleanor Shellstrop, interpretada por Kristen Bell, a eterna Veronica Mars. Ela foi uma adulta absurdamente egoísta, a famosa lixo humano, aquela que não fez nada além de ser escrota em sua encarnação na Terra.

 

No céu tem pão? Vai saber, mas frozen iogurte é open bar

Graças a um erro de burocracia, Eleanor acaba no “lugar bom”, uma espécie de paraíso, onde palavrões são proibidos, frozen iogurte é de graça e todo mundo tem uma alma gêmea previamente escolhida. Desenhado por Michael (Ted Danton), um arquiteto excêntrico e apaixonado pela humanidade, o éden é habitado só por gente que se dedicou às boas causas em vida.

 

Com medo de ser descoberta e ir para o “lugar ruim”, onde pessoas como Mozart e Elvis Presley são torturadas por ursos de duas cabeças por toda a eternidade, Eleanor decide aprender a ser boa e começa um workshop de Madre Teresa de Calcutá para salvar a própria alma.

 

Para isso, ela se aproxima de Chidi (William Jackson Harper), professor universitário de moral e ética, Tahani (Jameela Jamil), socialite que angariou 60 bilhões de dólares para instituições de caridade, e Janyu (Manny Jacinto), monge budista que fez voto de silêncio aos 7 anos e passou a vida em estado meditativo. O plano parece perfeito, só que quanto mais Eleanor aprende sobre as implicações morais de suas ações, mas as coisas dão errado, e a protagonista passa a literalmente padecer no paraíso.

Vamos todos morrer mesmo

Em seu ano de estreia (2016), The Good Place chegou a ter 80% de resenhas positivas no Rotten Tomatoes. E é fácil entender o porquê. A série tem um caminhão de boas referências. Rola um humor quinta série, rico em trocadilhos, que lembra Unbreakable Kimmy Schmidt, outro sucesso pop da Netflix.

 

As situações absurdas, como camarões voadores e uma assistente pessoal tipo a Siri da Apple, só que com corpo humano, ficam ainda mais engraçadas com o uso proposital de efeitos especiais toscos. Mérito também da interpretação brilhante de D’Arcy Carden.

 

Há ainda muita acidez e sarcasmo, como quando Tahani pergunta para Chidi se ele gosta da França. “Bom, eles escravizaram o meu país por anos, mas os museus são ótimos”, responde o professor senegalês.

 

The Good Place consegue ainda se esquivar da espinhosa questão religiosa (afinal, quem estava certo o tempo todo?) com uma saída tão idiota quanto genial. O Armazém Pop não vai contar por motivos de spoiler, mas vale a pena ter em mente aquele vídeo maravilhoso do Porta dos Fundos em que a Clarice Falcão morre, descobre que os polinésios tinham razão e pede para dar a notícia para o Silas Malafaia.

 

Aliás, das questões filosóficas e morais levantadas por The Good Place talvez a mais interessante e atual seja a da motivação corrupta. Afinal, do que adianta pagar o dízimo da igreja se você é desses que esquenta peixe no micro-ondas da firma? The Good Place vale a pena para rir e também para rever uns conceitos, a começar pela marmita.

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