Stranger Things: somente três estrelas

Stranger Things: somente três estrelas

 

Uma outra visão sobre o mais recente fenômeno pop

* Por Wilson Ricoy

Se você é daqueles fãs xiitas, totalmente cegos e contrários a uma opinião alheia e imparcial, pode parar de ler este texto. Caso você seja a favor da liberdade de imprensa, pontos de vista diferentes e que concorda com a máxima de Nelson Rodrigues que diz que toda unanimidade é burra, OK, vamos em frente!

Acabei de finalizar a primeira temporada da série Stranger Things no Netflix. Ao finalizar o último episódio, confesso que fiquei alguns minutos com o controle remoto na mão, refletindo sobre tudo o que tinha acabado de assistir para classificar o seriado. Pensei bem e, ao contrário da imensa maioria, concedi apenas três estrelas para o seriado…=|

O motivo? É uma série boa…apenas boa! Muito, mas muito dessa hype toda em torno do seriado na mídia em geral e, principalmente pelos fãs, vem exatamente de algo que é o ponto forte do seriado e, ao mesmo tempo, o seu calcanhar de Aquiles: o saudosismo!

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Eu explico! Stranger Things é exatamente uma mistura de todos os deliciosos filmes que fizeram parte de nossa adolescência ou infância durante os anos 80. Aliás, a própria série se passa nos anos 80! Está tudo ali, de maneira bem explícita e sem esconder todas as referências que Matt e Ross Duffer (The Duffer Brothers, criadores, co-produtores e diretores da série) utilizaram para a composição da ideia. Não vou aqui discorrer sobre as referências, todas muito bem dissecadas e explicadas aqui e aqui pelos meus comparsas Leandro Martins e Thiago Costa. Essa é talvez a coisa mais divertida da série: identificar todas essas referências que muitas vezes saltam aos nossos olhos e em outras exige nosso olhar um pouco mais atento.

Vamos lembrar que esse tipo de mistura de influências não é novidade faz tempo! George Lucas criou a saga Star Wars misturando seus filmes favoritos de western, piratas e cavaleiros medievais. Depois, juntamente com Steven Spielberg, voltou à carga misturando vários heróis dos seriados antigos da Republic e da literatura pulp como Jim das Selvas, Congo Bill e Doc Savage, criando o célebre Indiana Jones.

A grande diferença nos casos acima é que, enquanto Star Wars e Indiana Jones possuíam roteiros com vida própria e sem se apegar TANTO às suas referências, Stranger Things pode ser definido, de maneira bem simplista, como uma mistura de Conta Comigo, ET – O Extraterrestre, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Carrie, A Estranha. Está tudo ali, inclusive com algumas cenas quase que recriadas quadro a quadro! A homenagem é tão explícita que, saudosismo à parte, fica um gosto de requentado. Fica, enfim, aquela sensação de “já vi isso antes” e isso acontece várias e várias vezes durante o decorrer dos episódios. Minha opinião é que poderia ser uma série ainda mais sensacional se as ideias e conceitos fossem explorados de maneira diferente, contando a história de uma maneira mais original e mais independente de suas referências, como nos já mencionados Star Wars e Indiana Jones.

Apesar disso, o principal mérito da série é seu elenco sensacional escolhido a dedo! Todos os atores estão ótimos a passam a credibilidade necessária para a composição de seus personagens, sejam eles parte das tramas principais ou apenas coadjuvantes. Os destaques, claro, vão para o quinteto mirim Finn Wolfhard (Mike Wheeler), Gaten Matarazzo (Dustin), Caleb McLaughlin (Lucas), Noah Schnapp (o desaparecido Will Byers) e a fantástica Millie Bobby Brown (a poderosa e misteriosa Eleven). Além disso, vale mencionar também o desempenho dos atores Winona Ryder (Joyce Byers) e David Harbour (Delegado Jim Hopper), devido à complexidade psicológica de seus personagens.

Outra menção honrosa para a série é sua ótima trilha sonora, composta por clássicos da década de 80 (ah, vá!) como Should I Stay Or Should I Go (The Clash) ou Africa (Toto). Se quiser ouvir a trilha completa e se deliciar, vai lá no Spotify e aproveite!

Ah…então você está dizendo que a série é ruim? CLARO QUE NÃO! Apenas a classifiquei como boa…três estrelinhas apenas…apesar de toda hype da mídia e dos fãs. A não ser que a segunda temporada de Stranger Things me surpreenda (várias pontas ficaram em aberto), a sensação que fiquei após assistir a série é que ficou na boca aquele gosto de Sessão da Tarde…aqueles filmes que você já viu várias vezes, mas volta e meia assiste de novo, porque acha “legalzinho”. =|

Wilson RicoyWilson Ricoy
Esse bluesman inveterado foi mordido quando criança pelo bichinho Marvel / DC e continua acompanhando suas personagens prediletas até hoje. É bat-maníaco de carteirinha e nutre especial admiração pelos chamados heróis urbanos como o próprio Batman, além do Demolidor, Homem-Aranha e Arqueiro Verde. Fã absoluto de western spaghetti e filmes de James Bond, também e guitarrista da banda Blue 7.1 e proprietário da Toca da Coruja Núcleo Musical.