Punho de Ferro: não é tão ruim, nem tão boa quanto poderia ser

Punho de Ferro: não é tão ruim, nem tão boa quanto poderia ser

Série da Marvel na Netfilx parece ter sido feita às pressas e acabou cheia de furos no roteiro

 

Por Wilson Ricoy

 

É impressionante como o mundo está ficando chato! Graças ao advento da internet e das mídias sócias, somos bombardeados constantemente em nossa linha do tempo com bobagens sem tamanho, escritas por pseudo-entendidos nos mais variados assuntos e que, na maioria delas, instiga a comparação, o segregacionismo e até mesmo o preconceito.

 

Bobagens do tipo “quem é melhor: Stones ou Beatles?” ou “quem é melhor guitarrista: Fulano ou Sicrano?” Esse tipo de tolice só serve para estimular a divisão e não a união que o mundo necessita. Opinião, claro, cada um tem a sua… mas não é necessário que você tente converter as pessoas a terem a mesma opinião que você tem, certo?

 

A mais recente vítima de uma avalanche de bobagens chatas, infelizes e “politicamente corretas” (aqui totalmente no sentido pejorativo) é a nova série da parceria Marvel & Netflix, Punho de Ferro. Antes de escrever este texto, assisti TODA a série para embasar a minha opinião. Além disso, falo com propriedade, sempre tive apreço por todos os personagens da Marvel e DC que tinham a ver com artes marciais: Shang-Chi (a.k.a. Mestre do Kung Fu), Richard Dragon, Os Filhos do Tigre e por aí vai. O Punho de Ferro sempre foi um dos meus personagens favoritos da Marvel e um dos mais subestimados, devido ao seu potencial narrativo.

 

Minha opinião é exatamente o título deste texto. Se você acompanhar de maneira despretensiosa, vai curtir uma série com uma trama legal (mas cheia de furos), algumas lutas bacanas e muitas, mas muitas referências às demais séries anteriores, a saber: Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage, preparando o terreno para a vindoura série “Os Defensores”, que irá unir todos os heróis em uma única trama.

 

O Punho de Ferro esteve bem próximo de ter seu próprio filme em 2002, dirigido por Kirk Wong (Crime Story, Gunmen) e estrelado por Ray Park, mais conhecido por interpretar Darth Maul (Star Wars) e Snake Eyes (G.I. Joe). Na época, NINGUÉM falou absolutamente nada sobre Ray Park não ser oriental ou não ter ascendência asiática, talvez por ele ser um verdadeiro expert em artes marciais, o que seria realmente muito benéfico ao personagem. Aí reside um dos grandes problemas da série: Finn Jones!

 

Finn Jones (Divulgação)

Apesar do mimimi das redes sociais e da imprensa especializada, sou obrigado a concordar que Finn Jones não é, nunca foi e nunca será o ator mais indicado para o papel. Com seu visual de hippie viajandão, está mais para Jack Sparrow (Piratas do Caribe) ou até mesmo Derek Riggs (da série de TV Máquina Mortífera e não dos filmes). Seu desempenho nas cenas de luta não é ruim, mas está muito inferior se comparado com o de Charlie Cox em Demolidor.

 

Apesar disso, ao contrário do que tem muita gente dizendo, JAMAIS um oriental deveria ter sido escolhido para o papel! Isso é uma grande bobagem, refutada até mesmo por Roy Thomas, criador do personagem. Danny Rand é um americano nato, filho de americanos, loiro com olhos azuis. Ponto! Esse é o personagem original!

 

Vamos lembrar que o Punho de Ferro foi criado em 1974, no auge da popularidade dos filmes de Kung Fu e da série de televisão estrelada por David Carradine. Então, como vários filmes feitos até hoje, o plot era que um americano normal também poderia ser um mestre das artes marciais sem qualquer parentesco com asiáticos!

 

Então, por favor, parem de falar bobagens e vamos respeitar o personagem original, OK? Isso é apenas diversão e não um debate das Nações Unidas! Se a Marvel quer ser politicamente correta e ter um herói oriental, que façam um filme ou série com Shang-Chi, o Mestre do Kung-Fu, outro personagem subestimado e que poderia render uma ótima trama a lá James Bond com muita pancadaria!

 

Mas por que mesmo?

Outra coisa que falta ao personagem é um propósito. Ao contrário dos quadrinhos, onde Danny Rand era inicialmente obcecado por vingança contra Harold Meachum, que matou seu pai e abandonou Danny e sua mãe nas montanhas do Himalaia para ter controle total da Rand/Meachum. Sem o propósito de vingança original dos quadrinhos, o personagem da série fica muito vago e, com a mudança estrutural em sua origem, fica perdido em meio a tantas tramas paralelas.

 

Outro ponto negativo da série são as várias contradições! Uma das principais, com o próprio Danny Rand! Em uma cena, ele diz que passou 15 anos aperfeiçoando corpo, mente e espírito para ter controle total de seu corpo e de suas emoções. No entanto, ao embarcar em um avião para uma viagem à China, quase entra em pânico ao lembrar a viagem trágica onde seus pais morreram e tem que ser tranquilizado por Colleen Wing (a ótima Jessica Henwick) e Claire Temple (Rosario Dawson). Não dá, né, senhores roteiristas?

 

Em outra cena, a vilã Madame Gao (Wai Ching Ho) aplica um poderoso golpe em Danny que o faz voar alguns metros antes de se estatelar no chão (ela fez o mesmo com o Demolidor na sua série). No entanto, ao ser confrontada novamente por ele na China, mostra medo e se deixa capturar, deixando de lado o que poderia ser uma luta épica!

 

Enfim, a série é ruim ou não? Não…ao contrário, ela é muito, mas muito melhor do que Jessica Jones, que ficou muito a dever em termos de ação, ao focar em ser muito mais um thriller psicológico sobre abuso do que uma série de uma super-heroína.

 

Punho de Ferro é uma série que você deve assistir como aqueles filmes dos anos 80 tipo American Ninja ou Invasão USA: esquecendo as incoerências e do elenco (nem sempre muito bem escolhido) e curtindo as idas e vindas da trama, acompanhado de bastante pipoca. Afinal, como disse o próprio Roy Thomas (lembrando, criador do Punho de Ferro) recentemente, “My God! It’s just an adventure story!”

 

Então deixe as bobagens sobre política, preconceito racial e segregacionismo de lado…apenas assista e divirta-se!

 

Wilson RicoyWilson Ricoy
Esse bluesman inveterado foi mordido quando criança pelo bichinho Marvel / DC e continua acompanhando suas personagens prediletas até hoje. É bat-maníaco de carteirinha e nutre especial admiração pelos chamados heróis urbanos como o próprio Batman, além do Demolidor, Homem-Aranha e Arqueiro Verde. Fã absoluto de western spaghetti e filmes de James Bond, também e guitarrista da banda Blue 7.1 e proprietário da Toca da Coruja Núcleo Musical.