Oasis: Supersonic mostra a criação de um fenômeno da música

Oasis: Supersonic mostra a criação de um fenômeno da música

Documentário é rico em bastidores dos primeiros anos da banda, os de maior sucesso, mas sofre pela limitação da sua proposta

 

O Oasis foi um fenômeno. Seja você um fã ou um detrator da banda inglesa, não há como negar a relevância que eles tiveram, especialmente nos primeiros anos. Mas, o mais impressionante foi a velocidade com que Liam e Noel Gallagher, os irmãos saídos de Manchester, chegaram ao topo do mundo. E é justamente dessa fase que o documentário Oasis: Supersonic, lançado no final do ano passado e que chegou há pouco na Netflix, mostra.

 

Tendo como fio condutor os shows que o Oasis fez em 1996 no festival Knebworth, na Inglaterra, onde estiveram 250 mil pessoas – o ponto mais alto do momento de maior brilho da banda – o documentário nos leva para seis anos antes, para mostrar o início de tudo. E com um belo repertório de imagens de arquivo, derruba alguns dos principais mitos relacionados à banda.

 

Oasis no festival Knebworth, para o qual um a cada 20 britânicos tentou comprar ingresso.

 

Desde que o Oasis começou a aparecer para o mundo, era meio que um consenso que aquela era a banda de Noel Gallagher, o praticamente único compositor e detentor da visão geral. E, de fato, foi assim que tudo terminou, mas não começou. Foi o caçula, Liam, quem juntou os caras e deu início a tudo. O documentário mostra até que eles tiveram que insistir para Noel entrar para a banda, o que ele faz levando uma de suas primeiras canções, “All Around the World”, que curiosamente acabou sendo gravada apenas sete anos mais tarde, para fechar o terceiro disco da banda, “Be Here Now” (um álbum injustiçado até pela própria banda, mas esse é assunto para outra hora).

 

O auge

Depois disso, somos levados pelos processos de criação de dois dos discos mais importantes do rock nas últimas décadas “Definitely Maybe” (que bateu o recorde de vendas de um álbum de estreia no Reino Unido) e “What’s the Story (Morning Glory)”, que veio em seguida. E é interessante notar pelos depoimentos dados nos dias de hoje, tanto pelos irmãos quanto pelos demais membros da banda, como aquele turbilhão afetou as cabeças deles. Assim como é curioso ver como foram episódios de violência que, em momentos diferentes, colocaram a música dentro de cada um dos irmãos. São dois fatores importantes para mostrar como o rápido, porém justificado, crescimento do Oasis os tornou em uma banda arruaceira, arrogante e prepotente. E eles não negam absolutamente nada.

 

Liam Gallagher desfilando sua educação em um palco.

Mas, apesar de rico em gravações de bastidores, o documentário é falho em mostrar alguns dos momentos mais icônicos dessa fase do Oasis – como a “batalha dos singles” contra o Blur em 1995 – e mesmo no que diz respeito à criação, os dois primeiros discos estão lotados de hits, mas conhecemos a história por trás de poucos deles.

 

O maior problema, contudo, é com o que deveria ser o principal argumento do longa, o relacionamento entre os irmãos Gallagher. É claro que tem muito disso, mas nada que pareça ir muito além da superfície. Logo no início, Noel diz que essa relação era ao mesmo tempo o que mantinha o Oasis e o que levou a banda ao fim. Não ficamos, porém, sabendo mais do que isso. O diretor Mat Whitecross optou por mostrar a banda apenas no ápice, o que é compreensível, mas deixa uma sensação de incompleto.

 

Ainda assim, “Oasis: Supersonic” é um relato que vale a pena para qualquer um que goste de música.

 

Obs: Os três primeiros discos do Oasis ganharam versões especiais comemorativas nos últimos anos, cheias de versões cruas dos hits e raridades da banda. Estão na maioria dos serviços de streaming de música e são um bom complemento para o documentário.

Cinema? Quanto mais melhor, de qualquer tipo. Música? Toda hora. Video-game? Mas, por que não? Este jornalista, que também trabalha como tradutor, tem uma curiosidade bastante aguçada pela cultura pop no geral.