Força Sinistra

Força Sinistra

Datada até a alma, essa produção de terror/sci-fi oitentista pode agradar aos mais saudosistas… ou não.

Ah, os incríveis anos 80…

Quem viveu aquela década divertidíssima sabe o quanto era mais fácil ser mais feliz com muito menos – no sentido de recursos. Era a época do videogame Atari, dos fliperamas, do iô-iô… e a era dourada do cinema fantástico, na minha opinião: ‘E.T.’, ‘Indiana Jones’, ‘De Volta Para o Futuro’, ‘os capítulos V e VI de Star Wars’, ‘O Exterminador do Futuro’, ‘Gremlins’, ‘Aliens’, ‘O Predador’, ‘Os Caça-Fantasmas’, ‘Robocop’, ‘Sexta-feira 13’, ‘A Hora do Espanto’, ‘Poltergeist’, ‘A Hora do Pesadelo’…

‘A Hora do Espanto’ (Fright Night, 1985) fez tanto sucesso que várias produções do gênero pipocaram feito mosquitos no verão, nos anos seguintes. Um desses exemplares é ‘Força Sinistra’ (Lifeforce – Reino Unido, 1985), dirigido pelo americano Tobe Hooper (de ‘O Massacre da Serra Elétrica’ e ‘Poltergeist’) e baseado no livro ‘Os Vampiros do Espaço’ do escritor inglês Colin Wilson.

A premissa é ótima: astronautas estão no espaço pesquisando o Cometa Halley quando descobrem, estacionado em sua cauda, uma gigantesca nave alienígena. Eles resolvem explorá-la e em seu interior se deparam com centenas de cadáveres de criaturas semelhantes a morcegos gigantes e três tripulantes de aparência humana – dois homens e uma linda mulher – , nus, em estado de hibernação. Meses depois, um outro ônibus espacial é enviado pela NASA para resgatar a primeira nave – aparentemente à deriva e sem comunicação – e a encontra incendiada por dentro com os tripulantes todos mortos – com exceção de um deles, desaparecido. E os alienígenas, sem qualquer dano físico e ainda adormecidos dentro de suas câmaras.

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Já na Terra – especificamente em Londres – , ao serem examinados por cientistas, os extraterrestres despertam e passam a sugar a energia vital de todos que encontram pela frente, transformando suas vítimas em zumbis mumificados que também precisam sugar energia dos vivos pra restabelecerem sua antiga forma. Com a praga zumbi-alienígena se espalhando, a capital inglesa se transforma num verdadeiro caos e no meio disso tudo, o astronauta desaparecido ressurge, obcecado pela vampira espacial. Ao mesmo tempo, ele está decidido a ajudar os militares a colocarem um fim nos planos dos maléficos sugadores de energia alheia.

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Quando foi lançado, o longa causou alvoroço entre a juventude amante de filmes fantásticos e um dos motivos, principalmente entre o público masculino, era a musa Mathilda May – a atriz francesa que interpretou a moça do trio de vampiros. Atuando praticamente o tempo todo nua e exibindo belíssimas formas, a linda atriz se tornou um dos maiores sex symbols femininos da época e todo moleque de 15, 16 anos sonhava em ser abduzido por ela…

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Porém, 30 anos depois… o negócio ficou datado, viu! O que parecia ser incrível e muito bem feito ficou kitsch além da conta e hoje se tornou motivo de risos. Os diálogos são patéticos, previsíveis e os efeitos… são decentes pra época mas quase não dá pra acreditar que ficaram a cargo do especialista John Dykstra – que é ninguém menos que um dos fundadores da Industrial Light & Magic e também o responsável pelos efeitos especiais de sucessos como ‘Star Wars’ (o cara foi o idealizador dos sabres de luz!), ‘Homem-Aranha 1 e 2’ e ‘X-Men: Primeira Classe’. Até a aparência real das criaturas, apesar de interessante, parece ter sido chupada do visual do morcego em que o vampiro de “A Hora do Espanto” se transforma. Santa originalidade, Batman!

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E os atores?

Com exceção de Mathilda May – que convenhamos, nem precisou falar muito, se esforçar na atuação ou sequer se vestir pra ser o real atrativo do filme – TODOS os atores são de uma indigência galopante e de um carisma que só superam o de um balde de plástico furado e cheio de limo largado na chuva. Um dos protagonistas (o tal astronauta apaixonado) parece uma mistura mal-assombrada do jovem Tommy Lee Jones, de Anthony Perkins e do Roberto Carlos da Jovem Guarda. Mas o pior de tudo é ver nosso respeitável Patrick Stewart (o Professor Xavier de ‘X-Men’ e o Capitão Picard da nova geração de ‘StarTrek’) pagando um dos maiores micos de sua vida por uns trocados.

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Mas acho que a maior parcela de culpa do grande potencial desperdiçado ali foi da dupla de produtores mais picareta que Hollywood já conheceu: os primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus. À frente do grupo Cannon e responsáveis pela produção do que foi feito de pior na época, os dois nos “presentearam” com “pérolas” como ‘Braddock’ (onde eles tentaram criar um sub-Rambo interpretado pelo Chuck Norris), ‘Mestres do Universo’ (onde eles assassinaram He-Man e seus amigos), ‘Superman IV’ (onde eles assassinaram o Superman de Christopher Reeve afogando-o num vaso sanitário com Kryptonita e depois jogando pás de cal no túmulo do herói), ‘As Minas do Rei Salomão’ (onde eles incrivelmente transformaram Allan Quatermain, um dos personagens que inspirou Indiana Jones, numa cópia de camelô do Indiana de Harrison Ford), ‘Cyborg – O Dragão do Futuro’ (o pior dos piores filmes com o Van Damme), ‘Salsa – Ritmo Quente’ (“estrelado” pelo Robby Rosa – o ex-menudo!!!) e pra “fechar a tampa”, o inacreditável ‘Lambada – A Dança Proibida’.

Por fim, apesar de todos esses “desacertos’, “Força Sinistra” merece uma olhadela mesmo que seja pros mais saudosistas (como esse que vos escreve) – a quem esse filme B, datado, quase trash e até divertido pode agradar… ou não.

E onde encontrá-lo? Ora, tem no Netflix!

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