Vingadores – A Era de Ultron: quebradeira sem limites – e um roteiro também quebrado

Vingadores – A Era de Ultron: quebradeira sem limites – e um roteiro também quebrado

Como começar um texto sobre um filme tão aguardado quanto “Vingadores – A Era de Ultron”? Bem, poderia iniciar dizendo que Robert Downey Jr continua irritantemente perfeito como Tony Stark. Ou ainda, destacar o quanto o diretor Joss Whedon se dedicou a dar tempo de tela e relevância no roteiro para quem pouco brilhou no primeiro filme, notadamente o Gavião Arqueiro.

Mas, sinceramente? O que mais me saltou aos olhos nesta nova aventura dos “Heróis Mais Poderosos da Terra” foi o fato de que nunca o cinema foi tão HQ, para o bem e para o mal. “A Era de Ultron” lembra as melhores pancadarias dos Vingadores nos gibis e joga os espectadores para o centro da batalha desde o minuto 0. Essa é a parte legal, são os heróis ganhando vida e fazendo um monte de coisas que só o papel aceitava.

A parte complicada é que, como em muitos gibis, a história parece começar do meio. Não há o menor interesse em apresentar ninguém, muito menos a situação em si. Como numa revista em quadrinhos que se inicia com a referência de uma edição passada, “A Era de Ultron” considera que todo mundo assistiu não só ao primeiro filme do supergrupo, mas especialmente “Capitão América 2 – O Soldado Invernal”.

Ok, até assistimos. Mas não dá para o roteiro fazer isso e achar que está tudo bem. Não está.

A sensação com esta continuação é de que o foco estava em brincar de bonequinho do jeito mais explosivo possível. A ideia principal era essa, aí construiu-se uma história ao redor desse conceito e o barco seguiu.

Tudo que era muito bem amarrado no primeiro filme, neste está solto e sem muita coerência. Corrido mesmo. E para segurar essas pontas, dá-lhe atores bons e diálogos espertos. Os melhores são de Bruce Banner (Mark Ruffalo) com Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Natasha Romanoff (Scarlett Johanson). Aliás, o casal Hulk e Viúva Negra foge da falta de noção do roteiro e tem um relacionamento construído de maneira bastante interessante.

A surpresa da vez fica por conta do tempo de tela dado a Clint Barton, o Gavião Arqueiro interpretado por Jeremy Renner. A ele cabe uma das surpresas do filme (no spoilers here). Se fosse na DC, o fato em questão (relaxa, você vai ver o filme e entenderá) os fãs estariam se rasgando, mas a galera da Marvel parece ser mais suave e não vi ninguém ainda reclamar.

De toda forma, o que posso dizer é que ele é a parte mais humana do grupo e isso é algo importantíssimo, inclusive filosoficamente, quando se enfrenta algo que vai além da humanidade, a inteligência artificial Ultron.

Vilões na medida dos heróis

Mais uma vez não quero dar spoiler, ainda que os trailers já passem uma boa ideia de quem cria Ultron (E, pô, ele é um robô… tá na cara, né?), então não entrarei em detalhes aqui. A questão é que este é um vilão sob medida para um filme que tem como objetivo botar os super-heróis para quebrarem tudo na tela. Ele é poderoso, mal e bastante louco. Nisso, a voz de James Spader não só ajuda, como amplifica a insanidade.

Ao seu lado, Ultron carrega os gêmeos Wanda e Pietro Maximoff. Já sabemos no que isso vai dar, afinal nada mais Marvel do que vilões que tornam-se heróis depois. Mas ainda assim, enfrentar seres com poderes maiores ou equivalentes aos seus é algo novo para esses Vingadores – mesmo que agora eles sejam um azeitado grupo que age como uma onda, todos juntos e bastante integrados.

Nessa mesma onda há a chegada do Visão. Esse sim, uma belíssima adição ao elenco, tanto do ponto de vista de atuação – Paul Bettany está espetacular – , quanto da interação entre os personagens (sim, rola um “olhar” para Wanda”, entre outros detalhes).

Para os nerds

Vários pequenos easter eggs estão espalhados, a maior parte deles de maneira bastante declarada, por toda a narrativa de “A Era de Ultron”. A construção do que será a Guerra Civil, filme do Capitão América que será lançado no ano que vem, está ali, nitidamente colocada. Não são poucos os embates entre Steve Rogers e Tony Stark e quem tem olhos vai enxergar.

Óbvio, há uma cena depois que o filme acaba, mas, sinceramente, foi a pior de todas da Marvel até agora. Eu fiquei mais empolgado com a última cena do filme mesmo do que com ela. Mas, vejam e avaliem.

Pode parecer depois desse texto que “Vingadores – A Era de Ultron” é um filme ruim. Não chega a tanto. Mas poderia ser melhor se tivesse havido uma devoção maior ao roteiro. E, sim, uma bela sessão da tarde. E isso já faz a gente querer ir avante.

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).

2 Comentários

  1. […] tendência já foi iniciada com Vingadores – A Era de Ultron, que é muito menos solar do que o primeiro filme e também, antes, com Capitão América 2. Mas […]

  2. […] tendência já foi iniciada com Vingadores – A Era de Ultron, que é muito menos solar do que o primeiro filme e também, antes, com Capitão América 2. Mas […]

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