A força de um personagem: um olhar critico sobre o Homem Aranha

A força de um personagem: um olhar critico sobre o Homem Aranha

Tudo sobre o Amigão da Vizinhança, nosso querido Cabeça de Teia, agora que ele está no Universo Marvel do cinema

1962: ano em que Stan Lee e Steve Ditko se juntaram pra criar um dos personagens mais importantes da História da cultura pop. Um jovem garoto do colégio, nerd, saco de pancadas preferido e introvertido é mordido por uma aranha radioativa e se transforma no maior herói de Nova Iorque e principal simbolo da casa das ideias. Nascia Peter Parker, o Homem-Aranha.

Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades

É meio loucura olhar para o passado e pensar que um dos personagens mais conhecidos do mundo quase não aconteceu, pois um dos chefões da Marvel achava que as pessoas seriam opostas a um herói associado a uma aranha. Logo na sua estreia, em Amazing Fantasy 15#, aprendemos a origem do amigão da vizinhança: Peter é mordido por uma aranha radioativa, ganha poderes, usa eles para seu próprio ganho, tio Ben morre por consequência de seus atos e ele jura usar seus poderes com responsabilidade.

A origem do aracnídeo é uma das mais conhecidas entre os heróis, talvez perdendo somente para Batman e Superman em questão de difusão na cultura pop. Durante toda a década de 1960~70, o Homem-Aranha era o principal produto dos quadrinhos Marvel. Mas não é por ser herói que a vida de Parker era fácil.

A Morte de Gwen Stacy

Lá em 1973, Peter perderia pela segunda vez uma personagem de grande importância em sua vida amorosa: sua namorada e companheira Gwen Stacy. O grande aspecto que estabeleceu o personagem foi a tragédia, e aqui era ainda mais reforçado os aspectos trágicos da vida do herói. Perder não só uma personagem importante, mas também perder alguém para seu maior vilão: o Duende Verde. A morte da personagem mudaria Peter e a maneira com que os quadrinhos da época contavam suas histórias. Tragédia se tornava mais comum para os heróis.

O casamento do Aranha

Lá nos anos 80, Stan Lee ainda fazia tirinhas para o jornal, estrelando o Homem-Aranha. Depois da morte de Gwen, o principal par romântico de Peter foi Mary Jane Watson. Agora amarrando as duas ultimas frases, na década de 80 Stan resolveu que iria casar Peter e Mary Jane em sua tirinha do jornal. A Marvel, querendo aproveitar a ocasião, resolveu que Peter iria também se casar nos quadrinhos normais e transformaram o casório em um gigantesco evento. E foi isso que aconteceu. Peter e Mary Jane casaram no jornal, nos quadrinhos e até na “vida real” (Marvel contratou atores para encenar o casório e fazer um gigantesco evento disso. Ah, os anos 80…)

Anos 90: Clones, Venom e muita confusão

Chegaram então os anos 90 e sua histórias escuras, personagens extremamente musculosos, armas pra todo lado e muitos, mas muitos bolsos, por nenhum motivo. Os anos 90 não são muito bem recordados por fãs de quadrinhos em geral, mas foi nessa época que eu comecei a ler alguma coisa. Nessa época surgiram duas coisas que mudaram os rumos de Peter Parker: Venom e Ben Reilly. O primeiro é talvez meu vilão favorito do personagem. Venom era um monstro, o único vilão do aranha que não podia ser detectado por seu “sentido aranha” e o pior de tudo: ele sabia tudo sobre Peter Parker. Não é a toa que Venom continua sendo amado pelos fãs ao redor do mundo, mesmo que a persona já tenha migrado pra outros personagens.

Ben Reilly é o responsável pela segunda pior história do Aranha (vamos falar da pior mais a frente). Bom, ele era um clone do Peter de uma história antiga, mas retorna ao mundo durante a famosa “Saga dos Clones”. A história é extremamente longa, cheia de reviravoltas e acabou durando muito mais tempo do que deveria. Isso é muito por culpa da maneira com que o editorial dos quadrinhos dos anos 90 operava, com a equipe de marketing mandando na equipe de roteiristas e editores. Muito por culpa da saga dos clones que a Marvel foi a falência. Mas após ser salva e voltar a operar direito, a vida do aracnídeo continuou normalmente.

O Começo de uma tragédia: Guerra Civil

Lá em 2006, a Marvel publicou uma de suas história mais conhecidas de todos os tempo (e que virou a inspiração pro filme de 2016): Guerra Civil, e logo no início a história fez algo que levaria a pior história do herói: revelou sua identidade ao mundo. Se há algo que as pessoas lembram do evento é a revelação do rosto do Aranha em frente a toda a imprensa mundial.

Mais um dia: Como acabar com um legado

Após os eventos de Guerra Civil, tia May é morta por um atirador que estava mirando em Peter. E após circular o mundo todo a procura de uma cura, Peter é apresentado a diferentes versões de sua vida, que o fazem encontrar Mephisto (basicamente o diabo da Marvel) que oferece reverter tudo de ruim que aconteceu na vida do herói (leia-se: voltar a ser o personagem dos anos 80) em troca de seu amor por Mary Jane.

Preparem-se amigos, chegou a hora de Luca Vianna quebrar o pau nessa história: PRIMEIRO, em todo o universo Marvel, NINGUÉM consegue curar um tiro? E não era um tiro especial ou na cabeça, foi um tiro nas costas e com uma bala comum. Peter Parker viaja atrás de todo o universo Marvel e ninguém pode salvar tia May? BULLSHIT! SEGUNDO: Um dos motivos que levaram a essa história foi o fato de escritores não conseguirem escrever histórias com um Homem-Aranha casado e que fãs não gostavam do Peter casado. ENTÃO TINHA QUE FAZER UM ACORDO COM O DIABO? Não é como se não houvessem outras maneiras: Divorcio? Fora de questão e muito dificil de escrever, mas acordos com o Diabo? É ISSO! Perfeito gente. TERCEIRO: É um acordo com A PORCARIA DO DIABO! Não importa o que aconteça, nunca vai dar certo. Ele é o diabo, não importa o nome que colocam nele! Ele continua sendo o diabo. Peter Parker já lidou com Mephisto, ele é uma figura conhecida do universo Marvel. ELE É O DIABO!

Enfim, “Mais um Dia” termina com Peter de volta ao colégio, morando com tia May, sua identidade secreta restaurada e sem lembranças de toda sua vida com Mary Jane. Fãs odeiam “Mais um Dia”, e com motivos de sobra. Além de ser uma péssima história e colocar um personagem amado pra fazer um contrato com o diabo, ela é motivada por incapacidade de escritores preguiçosos que não conseguem ser criativos para lidar com o personagem.

O aranha ultimate: entra Miles Morales!

Lá nos anos 2000, com muitos anos de continuidade no seu universo tradicional, a Marvel resolveu criar um universo secundário, apresentando seus personagens a uma geração nova que iria começar a ler quadrinhos. Nascia ai o universo Ultimate. E após alguns anos, o universo Ultimate teve um gigantesco evento: a morte de Peter Parker. É importante entender o seguinte, no universo tradicional da Marvel, heróis morrem e voltam à vida a todo momento. No universo Ultimate, eles morrem e tendem a ficar mortos. Mas foi então que Brian Michael Bendis teve a genial ideia de apresentar Miles Morales, o novo Homem Aranha. Meio negro e meio latino, o personagem logo conquistou fãs (mesmo que no início tenha havido o rotineiro grupo de racistas dizendo que iriam boicotar o personagem). Miles continua popular até hoje e foi um dos poucos sobrevivente do Universo Ultimate após o evento Guerras Secretas, e atualmente integra o elenco dos Vingadores principais.

Uma vida superior

Após descobrir que vai morrer, Otto Octavius (Doutor Octopus) resolve tomar o corpo do Homem Aranha. Após os dois trocarem de corpo, Peter “morrer” e Otto ver as memória do Aranha, ele resolve que vai ser um Homem-Aranha melhor, Superior até.

A história do Homem-Aranha Superior é uma das mais geniais mudanças de paradigma para um personagem, aproveitando a ideia de troca de mentes entre um herói e um vilão. o Dr. Octopus não só mudou como o Aranha atuava, mas também transformou Peter em um mega empresário e líder mundial de tecnologia no universo Marvel. Mas isso não ia durar, e bom e velho Peter acabou retornando ao seu corpo e Otto morreu definitivamente.

Universos, personagens e uma prévia para o futuro: Spiderverse

Após voltar a seu corpo, Peter descobre que ele não foi a única pessoa mordida pela aranha na época do colégio. Então somos apresentados a Cindy Moon, a Silk, que ficou escondida num bunker desde que o Homem-Aranha entrou na ativa. A descoberta e contato com Cindy levaria ao evento Spiderverse, onde Homens-Aranhas de todos os universos se encontrariam para salvar o multiverso de uma família de “vampiros” interdimensionais. Nessa história, além de Cindy, conhecemos também uma versão paralela de Gwen Stacy que virou a Mulher-Aranha. É muito maneira a série e mesmo envolvendo uma tonelada de personagens, o foco está em Peter, Miles, Gwen, Jessica Drew (a Mulher-Aranha do universo tradicional) e Kane (um dos clones de Peter lá dos anos 90, que herdou o manto de Aranha Escarlate). A história serviu também para testar as águas para o grande evento que mudaria o universo Marvel: as novas Guerras Secretas.

E assim encerro a minha retrospectiva de histórias nos quadrinhos, mas aí vem:

NOS CINEMAS

A trilogia de Sam Raimi

Lembro muito bem desses filmes. Homem Aranha 1 explodiu minha cabeça com a belíssima introdução do personagem e a perfeita recriação da origem do herói. Mas o diálogo está um pouco datado e aquele uniforme do Duende Verde é péssimo. Se você tem Willem Dafoe pra interpretar o personagem, só precisa pintar a cara dele de verde e seu Duende Verde ta pronto. Homem Aranha 2 ainda é o melhor filme da franquia, em especial pelo Doutor Octopus de Alfred Molina, que trás um lado humano a um personagem que pessoalmente eu não gostava nos quadrinhos e nos desenhos. Homem Aranha 3 é ruim, mas tem coisas que eu gosto. Gosto de toda a trama envolvendo o Homem-Areia, em especial aquela cena em que ele começa a se formar depois de virar areia. MAS fizeram um péssimo trabalho com meu vilão favorito Venom, sem nem falar do Peter Emo e aquela cena no bar que honestamente não sei como não arranquei meus olhos vendo aquilo no cinema.

A dupla espetacular

Eu sou meio do contra aqui no Armazém quanto a esses filmes. Enquanto o Leandro e o Thiago não gostam desses filmes, eu acho ambos legais. O primeiro reconta a origem (desnecessário) e foca no relacionamento entre Peter e Gwen. Por mais que eu ame ver Emma Stone em qualquer coisa, eu admito que o foco no casal tira tempo para desenvolver o vilão Lagarto, que eu esperava ver desde os filmes anteriores. O segundo é uma confusão de tramas e subtramas, mas eu gosto da ação, a primeira luta com Electro é maneirinha e a trama de Peter e Gwen é muito boa, o que ajuda a fazer o final do filme ter um impacto no espectador. PORÉM, o Electro é péssimo (não importa o quento Jamie Foxx seja irado) e o Duende Verde de Dane Dahaan surge somente pra recriar um importante cena dos quadrinhos. Ah e o uniforme desse filme é o melhor que já foi feito pro aranha nos cinemas.

NA TV

O Aranha dos anos 60

Esse é um daqueles desenhos que eu nunca vi um episódio inteiro, mas conheço de cabo a rabo por causa da internet. Esse desenho é responsável pela musica tema do personagem e ser o maior gerador de memes da web.

O Aranha dos anos 90

Esse é um daqueles desenhos que eu assistia, mas não sabia porque. Honestamente o desenho não é muito bom, mas tem um tremendo tema de abertura, que coloca o tom de anos 90 no ar com toda a força.

O Espetacular Homem Aranha (desenho)

Esse aqui é facilmente o melhor desenho do Homem Aranha! A vida dupla, os vilões, a vida escolar e até os relacionamentos dos quadrinhos são perfeitamente traduzidos para um desenho infantil. Um pena que ele foi cancelado depois da aquisição da Disney, uma vez que o desenho era da Nickelodeon, concorrente da Disney. Também tinha um excelente tema de abertura!

Homem Aranha Ultimate

Esse é o desenho atual que passa no Disney XD e ele é péssimo. Além de não tratar a parte mais dramática do personagem, parece querer ser mais um desenho do Deadpool só que com o Homem-Aranha. A única coisa memorável do desenho é que é a primeira vez que Miles Morales aparece em forma animada.

E o futuro?

Bem… o futuro?

O futuro ta bem bonito pro teioso da vizinhança!

CHEGA LOGO ABRIL SEU MÊS LINDO!

Conclusões finais

Escrever esse texto sobre meu personagem favorito é, de certa forma terapêutico. Eu sou muito fã do personagem, e ele sempre teve um lugar especial na minha infância. Mesmo quando histórias como “Mais um dia” fazem com que eu tenha raiva do personagem, eu sempre volto pois enxergo um pouco de mim dentro de Peter Parker, e todo mundo quer um dia poder ser um Homem Aranha (principalmente se for ao lado dos Vingadores né?). Então que venham as histórias, os filmes e os desenhos. Eu ainda não cansei de ser fã desse personagem e quero continuar a ser fã dele até o fim.

Luca ViannaLuca Vianna

Vindo das terras de reis, criado a base de histórias de muito tempo atrás e em uma galáxia muito distante, esse anglo-brasileiro aprendeu desde pequeno que “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades”, então resolveu usar seus poderes para tornar o mundo melhor. Porém, perdeu suas habilidades especiais e agora escreve para poder pagar as contas. Amigão da vizinhança, patrulheiro espacial e suspeito de ter genes inumanos.