Para começar a ler: Hellblazer – John Constantine

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Tudo que você queira saber sobre o inglês mais encapetado dos quadrinhos mas tinha medo de perguntar

Por Rafael Felizardo*

“Eu sou o cara que sai das sombras, encapotado, com um cigarro aceso e cheio de arrogância, pronto para encarar a loucura. Ah, eu tenho tudo planejado. Posso salvar você. Mesmo que seja preciso usar sua última gota de sangue, vou afastar seus demônios. Vou chutar as bolas deles e cuspir na cara dos malditos quando estiverem no chão, e depois vou retornar à escuridão, deixando para trás uma piscadela e um comentário espirituoso. Trilho meu caminho sozinho… Afinal, quem ia querer me acompanhar?”

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Inglês, demonologista e mestre das artes ocultas. Não, não estou falando do icônico e misterioso Aleister Crowley, mas sim do trapaceiro mais carismático do universo dos quadrinhos: John Constantine. Criado pelo “mago” Alan Moore, como mero coadjuvante nas histórias do Monstro do Pântano, John logo mostra todo seu potencial, ganhando espaço no selo Vertigo e estrelando sua própria HQ. Em Hellblazer, Constantine joga todas as suas cartas para lidar com os demônios externos e internos.

No universo dos quadrinhos, sempre quando nos interessamos por um determinado personagem, surge a famosa pergunta: “Por onde começar?”. Pois bem, Hellblazer, apesar de ser uma franquia de longa duração (mais de 300 edições), não tem muito mistério. A sequência é bastante linear, podendo, você, pegar o #1 e continuar lendo até o fim, sem grandes bifurcações. E se você for preguiçoso demais pra isso, a Panini tem lançado uma série de encadernados com arcos fechados, como o aclamado “Hábitos Perigosos”, usado como base para o famigerado longa estrelado por Keanu Reeves. Além disso, a editora também produziu encadernados batizados de “Hellblazer: Origens”, contemplando por volta de 40 edições de Hellblazer e distribuídos em 7 volumes que dissecam todo o passado do inglês. Em “Origem”, você viajará por lugares como Newcastle e Ravenscar, essenciais para o entendimento do personagem.

Hábitos PerigososComo toda HQ, o universo de Hellblazer é composto por diversos autores, dando um tom diferente a cada fase da franquia. Se começar a ler pelos arcos roteirizados pelo consagrado Garth Ennis, encontrará uma temática mais voltada pra guerra particular de Constantine contra as legiões do inferno, como o respeitado Triunvirato que lá governa. Uma boa notícia é que, atualmente, a Panini está publicando a série de encadernados “Hellblazer: Infernal”, que envolve as histórias escritas pelo autor. Se quiser algo um pouco diferente, mude de rumo e leia os arcos de Brian Azarello. Essa fase entrega um lado mais humano e menos fantasioso das histórias de John. Nela, você encontrará enredos sobre nazismo, sadomasoquismo, assassinatos em série e outros mais realistas, deixando de lado essa ambientação mais demoníaca e entrando de cabeça no lado mais escuro da sociedade. Outro importante roteirista e de indispensável leitura é Jamie Delano. Autor das primeiras edições de Hellblazer, com ele Constantine deu seus primeiros passos em uma HQ solo. Através de Delano, o personagem conhece um de seus maiores rivais, o demônio Nergal, protagonista do episódio mais importante da vida do inglês: Newcastle.

John tornou-se um personagem tão significativo que, além de Hellblazer, é possível também encontrá-lo em outras mídias, como na recém-cancelada série de TV “Constantine”, no longa de mesmo nome e no reboot homônimo da DC Comics, em seu recente universo dos “Novos 52”. Quanto à qualidade dos citados, veja bem, não vou dizer que a série, o filme e o reboot são ruins, o grande problema é que eles não conseguiram adaptar bem a realidade de Hellblazer. Tais mídias são boas produções, só que acabam falhando como Constantine. Recomendo vocês a lerem/verem e tirarem suas próprias conclusões sobre o assunto.

Enfim, o personagem marca. Individualista, egoísta, trambiqueiro, arrogante, negligente e muitos outros defeitos o compõem, o que não contribui para que nós acabemos gostando menos do cara. Pra quem gosta de anti-heróis cretinos – cabe, aqui, uma honrosa menção ao Justiceiro –, Constantine é um prato cheio.

Rafael FelizardoRafael Felizardo é Músico, amante de quadrinhos – principalmente de anti-heróis – e entusiasta de cinema. Passou a infância sonhando e continua até hoje. Guitarrista e designer da banda Ann’emic.

2 Comentários

  1. Meu bro… essa imagem dele sendo arrastado para baixo e ascendendo um cigarro é de alguma edição ?!

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