Morte, Tempo e Amor mostram sua Beleza Oculta

Morte, Tempo e Amor mostram sua Beleza Oculta

Novo filme de Will Smith, Beleza Oculta, questiona o sentido da vida depois da perda de entes queridos

Se você pudesse bater um papo com a Morte, o Tempo e o Amor, o que teria a dizer para eles? Muita coisa, provavelmente. Caso tivesse perdido sua filha de seis anos de idade com câncer então, as conversas não seriam nem um pouco fáceis.

Se parece um drama pesado, para fazer chorar, é porque é mesmo. Essa é a premissa de “Beleza Oculta”, que estreia em circuito nacional no dia 26 de janeiro.

A trama

No filme, Will Smith é Howard Inlet, um bem-sucedido executivo da publicidade. Com a vida perfeita, a família ideal. Até que a realidade chega dura, como ela é mesmo, e o destrói por completo. De motivador da equipe, chefe amoroso e guru da Madison Ave., Inlet se torna um pária, um fantasma que se arrasta por sua agência, passando os dias criando estruturas de dominó para derrubar em sequência.

Seu sócio, Whit Yardshaw, interpretado por Edward Norton, está desesperado. A empresa vai de mal a pior sem a presença efetiva de Inlet, sua maior referência. E se a perda de clientes não fosse suficiente, a filha de Yardshaw não quer mais falar com o pai, já que ele traiu sua mãe com uma estagiária.

Completam o quadro Claire Wilson (Kate Winslet) e Simon Scott (Michael Peña), respectivamente a principal executiva da agência e o sócio-minoritário. Cada um com seu drama: ela com o relógio biológico batendo, mas sem nenhuma perspectiva de conseguir criar uma família. E ele com uma doença que teima em voltar.

O drama

De uma forma ou de outra, mesmo que o foco esteja sempre no publicitário interpretado por Will Smith, os outros três também estão numa situação em que Tempo, Morte e Amor estão gritando, implorando por um retorno deles, um posicionamento em relação à vida.

As três entidades ou conceitos, de uma forma bastante peculiar, ganham vida em atores sensacionais. Hellen Mirren é a Morte, o Amor é Keira Knightley e o, relativamente novato, Jacob Latimore, faz o Tempo. A Morte é uma senhora distinta, mas incisiva e determinada. Já o Amor é uma mocinha doce e, às vezes, titubeante. Já o Tempo é implacável, turrão. Um moleque malandro, daqueles que fala tudo na cara.

Helen Mirren

Helen Mirren, uma Morte maravilhosa (divulgação)

É com eles que Smith e os outros vão interagir. E não é fácil ouvir a Morte te dizer com todas as letras que não aceitou a troca proposta. Aquela troca que quem já amou alguém que estava partindo cedo demais sempre considerou, ainda que inconscientemente: “me leve no lugar dela(e)”.

Assim como bate forte o Tempo te acusar de estar desperdiçando todo o presente que ele te dá. Ou ainda, quando se sentindo traído pelo Amor, ter que entender que, querendo ou não, ele – nesse caso, ela – ainda está dentro de você.

Show de Smith

São atores de primeiro calibre que vemos em ação em “Beleza Oculta”. Mesmo Michael Peña, que aparece quase só em comédias (quem não se lembra do amigo latino atrapalhado de Scott Lang em “Homem-Formiga”?), dá um peso incrível a Simon Scott, surpreendendo grandemente.

Will Smith, acabado. (divulgação)

Mas Will Smith é indiscutivelmente o destaque, com uma atuação com reminiscências do hoje clássico “À Procura da Felicidade”. É um deleite ver como ele sai da primeira cena em que faz um ser humano brilhante, para se mostrar completamente arrasado uma passagem depois. Não só o seu rosto, mas toda sua expressão corporal configuram um homem que não conseguiu superar a situação terrível de perder uma filha. Seus trejeitos não conseguindo nem pronunciar o nome da menina são de cortar o coração.

Não é para qualquer um

Ainda que seja um filme muito bonito e sensível, “Beleza Oculta” não é para qualquer expectador. Explico: quem perdeu pessoas queridas para o câncer pode se emocionar demais, assim como quem teve perda de crianças próximas.

Mas mesmo quem nunca passou por essas situações se emociona, porque esse é daqueles filmes de tirar rios de lágrimas da plateia. Na cabine para a imprensa em que participei, não foram poucos os suspiros ouvidos e os olhos vermelhos ao final da sessão.

Eu mesmo, que passei por essa doença com a minha mãe há alguns anos, fiquei mexido. Mas, confesso, foi terapêutico, porque me mostrou que eu finalmente consegui superar a perda e entender que a Morte é parte da vida. Que o Tempo segue e é mesmo uma dádiva. E que sem Amor nada acontece.

Essa é, provavelmente, a tal Beleza Oculta do título. Foi o meu entendimento. Mas recomendo que você vá e busque o seu próprio significado, a sua beleza escondida.

 

Beleza Oculta (Collateral Beauty)
Elenco: Will Smith, Edward Norton, Keira Knightley, Michael Peña, Naomie Harris, Jacob Latimore, Kate Winslet, Helen Mirren.
Direção: David Frankel
Duração: 97 minutos
Nota do Thiago: 9,0

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).

1 Comentário

  1. […] também está indicado como Pior Ator Coadjuvante. E, inexplicavelmente, o elenco inteiro de Beleza Oculta, indicado também em Pior […]

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