Elle King: toda qualidade do novo Girl Power

Elle King

Estilo, atitude e música boa se encontram em Love Stuff, disco de estreia da cantora norte americana

 

Você eu não sei, mas mesmo com toda a tecnologia disponível, eu ainda sou viciado em rádio. Claro, minha vida é facilitada pelo fato de morar em São Paulo e ter disponível a 89 FM e a Kiss.

E foi na 89, que toca muita novidade, que ouvi pela primeira vez o hit grudento “Ex’s & Oh’s”. A combinação de uma batida que lembra sons pops da década de 1960 com uma voz rouca e fora do padrão das garotinhas atuais me ganhou. Ouvi mais umas duas ou três vezes até ir atrás para saber mais sobre quem era aquela cantora.

Me deparei com esse clipe no You Tube. Vai lá, assiste. Eu te espero.

Atitude a garota, não? Pois é… Minhas pesquisas continuaram e descobri que além de cantar muito e fazer clipes que exaltam a força das meninas, tão discutida no mundo pop atual, Elle King é filha de Rob Schneider. Se você não ligou o nome à pessoa, eu te lembro de filmes como Menina Veneno e Animal. Olha ele aí.

Rob Schneider Mamilo

Rob Schneider mostrando o mamilo. Porque, enfim, mamilos!

Pois bem. De one hit wonder o mundo tá cheio. Fui ouvir o disco todo (santo Spotify!), chamado Love Stuff. Aí a pancada foi definitiva. O álbum abre com a animada levada country de “Where the Devil don’t go”, que tem uma letra singela com frases como: “o bom senhor virou às costas para mim, Lúcifer vai me libertar” e “Me mande para onde o diabo não vai, o diabo não vai onde eu faço meu lar”.

Wow! A menina gosta de brincar com fogo. Aí vem “Ex’s & Oh’s”, trilha sonora perfeita para um episódio de True Blood (ou pro seriado todo, como canção-tema de Sookie Stackhouse). Mas não para nisso… A balada cheia de soul, com um baixo pesado marcando o tempo, chamada “Under the Influence” é a próxima e podia entrar em trilha de novela facilmente. E digo isso como um elogio, pensando no potencial de música boa chegar a ouvidos que normalmente só recebe coisa bem ruim.

Pronto, três músicas já fariam um disco de estreia ser muito bem considerado. Mas o próximo single retirado de Love Stuff foi “Song of Sorrow”. Outra canção country, mas aqui com uma roupagem mais pop e atual. E com uma letra que soa muito autobiográfica.

Made my way to past a man’s hollow
Even though it was too soon
And all the kings men say there’s no tomorrow so
I follow the sorrow song of the moon

Falo em ser autobiográfica porque todas as músicas do álbum são de Elle, algumas sozinha, outras com parceiros. E isso, num mundo de cantoras pop pasteurizadas, que cantam músicas de vinte produtores diferentes e que constroem suas carreiras de playback e autotune, significa muito.

Na década de 1990, as Spice Girls se proclamavam estandartes do Girl Power, uma ideia de valorizar as meninas, que poderiam fazer o que quisessem e pisavam nos caras.“I wanna a man, not a boy who thinks he can” diziam elas.

Kate Perry retomou essa ideia, repaginada com a liberdade de gênero dos anos 2000: “I kissed a girl and I like it. Hope my boyfriend don’t mind it”.

Elle King mostra que o pop pode ser mais forte. E eu digo pop porque o som dela não é propriamente rock. É algo híbrido, que pega um elemento daqui, outro dali e forma um todo coerente e que funciona bem de festas de garagem a reunião de Centro Acadêmico. Tem pra todo gosto.

Melhor ainda, faz o que faz sem precisar se preocupar com os padrões estéticos da indústria do entretenimento. E fica ainda mais sexy fazendo isso.

E ela parece saber disso, quando brinca misturando o seu folk-country à sonoridade eletrônica pobre que serve de base para artistinhas como Ariana Grande e Selena Gomez e cria a interessantíssima “American Sweetheart”. Só a letra já diz a que ela se propõe:

No there ain’t nothing that I gotta prove
You think your words will make me black and blue
But I, I think im pretty with these old boots on
I think its funny when I drink too much, hey
You try and change me you can go to hell
Cause I don’t want to be nobody else
I like the chip I got in my front teeth
And I got bad tattoos you won’t believe

So kick out the jams, kick up the soul
Pour another glass of that rock and roll
Turn up the band, fire in the hole
Gonna lose control tonight

What do you want from me, I’m not america’s sweetheart

Elle King diz que quando tinha nove anos de idade ouviu um disco das The Donnas e decidiu: era aquilo que queria fazer da vida. Se o seu álbum de estreia diz alguma coisa, é que ela abriu a porta. Agora é só seguir em frente.

Ah, e ela ainda gravou na Sun, onde nasceu a música de ninguém menos que nosso Rei, Elvis Presley. Respect!

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).