A Bela e a Fera não supera animação, mas é o melhor que podemos ter

A Bela e a Fera não supera animação, mas é o melhor que podemos ter

Longa dirigido por Bill Condon não deixa a desejar na beleza e efeitos especiais. Atuações coadjuvantes roubam a cena

 

Quando a Disney anunciou a live-action de A Bela e a Fera muitos temeram o que poderia vir, outros preferiram sequer imaginar uma obra tão bem feita passando por mudanças. A resistência não era surpreendente, já que o estúdio decepcionou na adaptação de Cinderela e Tarzan, mas o recente sucesso de Mogli, dirigido por Jon Favreau (que vai realizar a adaptação de O Rei Leão) mostrou à Disney algo bem simples: clássicos não devem ser mudados!

 

Partindo dessa premissa, o diretor Bill Condon sabia que não poderia decepcionar. Qualquer detalhe deixado de lado poderia representar um fracasso para uma aposta tão grande. O trabalho não era fácil, afinal estamos falando da primeira animação da Disney a ser indicada ao Oscar de melhor filme. Foi assim que ele não demorou para mostrar serviço, escolhendo o elenco a dedo, os melhores profissionais de edição e se certificou de que as canções principais seriam incluídas.

 

Nos primeiros minutos de filme já somos cativados pelo lindo visual que A Bela e a Fera apresenta. Sem sombra de dúvidas, a equipe de efeitos especiais ganhará algumas indicações na próxima temporada de prêmios. Logo somos apresentados aos personagens principais, Condon tem um cuidado especial para tampar buracos e responder perguntas que a animação deixa no ar: o que aconteceu com a família da Fera? Por que os empregados são tão leais? Qual a ocupação de Gaston? Tudo isso é explicado de forma simples, sutil e respeitosa com a animação original.

 

A surpreendente Fera de Dan Stevens

O elenco é surpreendente, e a maioria se esforçou ao máximo para tentar chegar perto dos personagens principais originais. Com exceção de Emma Watson, que tentou dar mais autoridade e liberdade a uma Bela que é originalmente submissa e fragilizada.

 

Sua atuação não é ruim, mas em alguns momentos se distancia muito da protagonista que conhecemos, o que pode deixar os amantes mais ferrenhos da animação decepcionados.

 

Quem surpreende é o ator Dan Stevens como Fera. Se fechássemos os olhos era possível acreditar estar ouvindo a animação original. Assim como Lumière, Horloge e madame Samovar também impressionam, ainda que tenham tido um pouco menos de protagonismo que no longa animado de 1991.

 

Luke Evans, roubando a cena

Agora, se precisarmos escolher alguém que realmente rouba a cena poderíamos citar os coadjuvantes Luke Evans como Gaston e Josh Gad como LeFou. Nem mesmo nos sonhos mais perfeitos do diretor a dupla seria tão incrível como se apresentam. Evans absorveu todas as características do personagem, até mesmo os mais simples tiques como o levantar soberbo de sobrancelhas. Já Gad traz com perfeição o inseparável companheiro do “herói” da pequena vila francesa.

 

Para quem esperava uma polêmica com a sexualidade de LeFou, é bom não criar expectativas. O diretor já havia dito antes que o personagem não estava com a sua sexualidade clara, nas palavras do próprio “Tem horas que LeFou quer ser como Gaston e tem horas que ele simplesmente quer o Gaston”. É exatamente isso que vemos, uma paixão platônica, simples e discreta, que só será percebida pelos olhos dos espectadores que buscarem tais motivos.

 

Bom, mas não inesquecível

O filme é fiel e traz as músicas originais, assim como suas danças, e ainda acrescenta novas canções que deixam a trama mais leve e divertida.

 

É claro que A Bela e a Fera vale o ingresso e ida ao cinema, ninguém irá se se decepcionar com o filme que te faz querer cantar junto todas as canções clássicas. E, apesar de ter superado as expectativas, não é possível dizer que ele conseguiu bater a animação original. De fato, o filme se esforça e esteve bem perto em alguns momentos, mas a verdade é que o desenho é magico de uma forma inexplicável. Capaz de tocar os mais duros corações e nos fazer viajar com ele, e sabemos que um filme é maravilhoso quando simplesmente não conseguimos explicar o motivo dele ser bom.

 

Refilmar um clássico é uma tarefa árdua e perigosa, e chegar perto de tal perfeição pode já ser considerado um sucesso. Bill Condon deve se orgulhar da obra que fez e com toda a certeza ele não irá decepcionar quem for ver de perto seu trabalho. Portanto não perca tempo de a partir do dia 15 de março vá a um cinema mais próximo. Ou como Lumière prefere dizer: você é nosso convidado!