Batman Vs Superman – A Origem da Justiça

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O aguardado embate entre os maiores ícones da DC é feito sob medida pros fãs mais antenados com a clássica mitologia dos heróis

O Homem de Aço‘ (2013) – o reboot do Superman no cinema – está longe de ser uma unanimidade. Zack Snyder remodelou o herói, levando-o por um caminho mais sisudo, mais sombrio… mais sci-fi. O personagem interpretado por Henry Cavill se mostrou algo muito distante daquele Super-Homem imortalizado por Christopher Reeve, que era o símbolo do “bom-mocismo” e do “american way of life”. Ele era leve, era carismático e amado por todos (menos pelos vilões, claro) e com a índole de um anjo da guarda. Era um verdadeiro escoteiro. Além disso, a controversa sequência da batalha final causou um baita incômodo entre muitos fãs: afinal, como ele poderia permitir tantas baixas civis durante o combate com o General Zod (Michael Shannon) e seus asseclas? Como ele poderia chegar ao ponto de matar seu oponente – mesmo que um motivo pra lá de nobre? O Superman não mata, não é?

Amiguinho(a)… se você pensa assim, leia as HQs clássicas de John Byrne & cia. Superman, mesmo com toda aquela boa índole e respeitando a vida como ninguém, já foi obrigado a mandar três vilões de Krypton pro além numa tacada só (mesmo tendo que viver eternamente com a culpa). Eram eles ou todos os habitantes da Terra! E a destruição da cidade? Coloque seres poderosos como deuses lutando no meio de uma grande metrópole pra ver o que acontece… Alguém aí lembra do último episódio da incrível série animada ‘Liga da Justiça Sem Limites‘? Pois é…

Eis que em ‘Batman vs Superman – A Origem da Justiça‘ (EUA/2016), vemos que um dos efeitos colaterais da devastação de boa parte de Metrópolis e da morte de milhares de cidadãos é justamente colocar o Superman (Henry Cavill) frente a frente com o veterano e enfurecido Batman – já que Bruce Wayne (Ben Affleck) chegou à cidade justamente na hora daquele fatídico quebra pau e testemunhou, incrédulo, a demostração de um poder assustador e destrutivo, que até então ele ele sequer tinha imaginado que seria possível. Em contrapartida, Clark Kent fica sabendo dos métodos brutais que o Homem-Morcego utiliza no combate aos criminosos e decide também confrontá-lo. Olha o tamanho da treta…

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Só que, como se não bastasse o ódio inicial e mútuo entre os dois heróis, o governo americano passa a exigir que Superman preste contas pelos prejuízos e perdas humanas causados no fatídico embate com Zod – mesmo que ele esteja salvando outras milhares de vidas ao redor do planeta. E surge também o jovem, excêntrico e inteligentíssimo bilionário Lex Luthor (Jesse Eisenberg) disposto a descobrir o ponto fraco do kryptoniano – a fim de, supostamente, prevenir a dominação ou destruição da Humanidade caso ele resolva usar os seus poderes para o mal.

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No meio de uma trama cheia de intrigas e reviravoltas, Bruce Wayne se depara com a misteriosa espiã Diana Prince (Gal Gadot) que surge em seu caminho – também interessada em investigar as ações suspeitíssimas de Luthor.

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A partir daí, enquanto os acontecimentos colocam Batman e Superman cada vez mais próximos do inevitável embate entre eles, a Liga da Justiça dá seus primeiros sinais de vida nas telonas através de interessantes relances de alguns personagens clássicos da DC Comics (que faziam a platéia ficar verdadeiramente eufórica na sala de cinema). Aliás, tão ou mais interessante do que a briga em si, o vislumbre do que está por vir no universo cinematográfico da DC é um dos maiores atrativos do filme. ‘BvS‘ é divertido mas mantém o clima tenso, sombrio e opressor do longa anterior – o que achei muito coerente (e até corajoso) da parte do diretor Zack Snyder – com cenas pontuadas pela impactante e alegórica trilha sonora de Hans Zimmer.

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Ben Affleck contrariou aquelas críticas ferrenhas de quando ele foi anunciado como o novo ator a vestir o manto do morcego (me amarro quando os adivinhões e haters caem do cavalo) e nos entrega o melhor Batman “de carne e osso” de todos os tempos: além de ter o melhor visual EVER entre todas as versões cinematográficas, ele é ágil, inteligente, sagaz, soturno, intimidador, muito forte (pra um ser humano) e luta que nem o capeta. Esse Batman é aquele típico guerreiro veterano e meio cansado de guerra, traumatizado pela perda de vários amigos e pessoas amadas… e ao mesmo tempo raivoso, brutal, quase sem paciência alguma pra diálogos e disposto a bater primeiro e perguntar depois. O lado humano do herói, na figura de Bruce Wayne, também é retratado com muita competência por Affleck – principalmente quando ele demonstra uma ligeira insegurança por, depois de décadas combatendo criminosos “comuns”, subitamente ter que lidar com seres de tamanho poder.

Ah… e como não falar de Gal Gadot? Também alvo de incessantes críticas pelos “entendidos” (a atriz “magrinha demais”, “inexpressiva”, “sem sal”…), ela faz com que sua Mulher-Maravilha/Diana Prince seja a cereja do bolo. E quando ela surge em cena… bum! Ela toma conta da parada! Ela é linda, é charmosa… mas também é durona, enfezada e muitíssimo indigesta na hora da briga. No fim das contas, a esforçada Gal Gadot presenteia a todos nós, assíduos leitores de HQs super-heroísticas, com a melhor encarnação que a guerreira/princesa amazona poderia ter.QfAwc

Merecem destaque também, mais uma vez em seus respectivos papéis, a bela Amy Adams (Lois Lane), Diane Lane (Martha Kent) e Lawrence Fishburne (Perry White). O veterano Jeremy Irons se saiu muito bem como Alfred – o fiel mordomo de Bruce Wayne e Jesse Eisenberg faz com que seu afetado Lex Luthor se distancie muito dos interpretados por Gene Hackman e Kevin Spacey. Em ‘Superman – O Retorno‘ (2006), Spacey praticamente emulou a interpretação de Hackman nos filmes anteriores. Então, pra quê mais do mesmo? Versões diferentes de um mesmo personagem pode ser algo muito bem vindo e agregador, na minha opinião.

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Acredito que assim como ‘O Homem de Aço‘, ‘BvS’ dificilmente será uma unanimidade. O motivo é simples: tire o expectador comum de sua área de conforto e provavelmente ele vai reclamar. ‘BvS’ não é filme fácil e não é exatamente um “pipocão”, super divertido, coloridão e cheio de alívios cômicos como a maioria dos filmes da concorrente Marvel (que eu adoro, por sinal). Ele bebe descaradamente em publicações como a hiper adulta ‘O Cavaleiro das Trevas‘ de Frank Miller (e uma outra, que se eu mencionar aqui, vira “mezzo-spoiler”). Quem já leu essa e outras histórias clássicas envolvendo esses heróis sabe que ali não tem espaço pra leveza ou excesso de humor. 1280x720-c-Y

Por fim, creio que o verdadeiro público alvo desse digníssimo filme sejam aqueles moleques e meninas que, assim como esse “já não tão moleque” que vos escreve, cresceram lendo os maiores clássicos da DC Comics publicados nos anos 70 e 80. E quem se empolgou com as séries animadas da Warner como ‘Liga da Justiça‘ e ‘Liga da Justiça Sem Limites‘ e seus elogiados longa-metragens de animação, vai reconhecer imediatamente suas nítidas influências no filme de Zack Snyder e aquelas nuances da inicialmente conturbada relação e promissora parceria entre a ‘Trindade‘ Batman, Superman e Mulher-Maravilha. Pra esse público específico, eu mais do que recomendo ‘Batman vs Superman – A Origem da Justiça‘. Pros outros… ah, vão ver o filme! Pode ser que vocês gostem também.

Caso opte pelo formato 3D – que é decentemente convertido mas também não acrescenta muito – , procure por salas que tenham um bom sistema de projeção e som. O investimento será válido.

 

 

1 Comentário

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