Demolidor: A Queda de Murdock

Demolidor: A Queda de Murdock

Quando o herói que é derrotado, perde tudo e vai até o fundo do poço é um homem sem medo.

 

Lá nos já distantes meados dos anos 80, por mais longe que nossa imaginação pudesse viajar, quem sonharia que o Demolidor, anos após ter o “filme queimado” por uma produção hollywoodiana lamentável, renasceria das cinzas, incrível, justamente numa série televisiva?

Em tempos em que as aventuras do Diabo Destemido – tradução ao pé da letra para Daredevil (nome original do herói que também pode ser simplesmente “ousado” ou “destemido”) – vão de vendo em popa na Netflix com a série pra lá de elogiada, vale relembrar um dos maiores clássicos (ou o maior) dos quadrinhos: A Queda de Murdock.

A trama adulta e extremamente tensa acompanha o desafio mais difícil que Matt Murdock já enfrentou na vida: sua ex-namorada Karen Page revela identidade do vigilante de Hell’s Kitchen pra um traficante em troca de um pico de heroína. A informação, claro, vai parar nas mãos de seu maior inimigo: Wilson Fisk – O Rei do Crime. A partir daí, numa jogada sádica e meticulosa, o poderoso e influente gângster vai providenciando passo a passo a ruína do respeitado advogado que começa com o bloqueio de sua conta bancária e cartões, a perda de sua licença para advogar, a destruição de seu lar… até a perda de sua saúde mental e física.

Ele vai morar em verdadeiros pulgueiros, se torna paranoico e desconfia de todos – até de seu melhor amigo Foggy Nelson. Furioso, como Demolidor, ele pega mais pesado com a bandidagem do que de costume… até que ele perde a paciência e resolve – descontrolado, bem debilitado e “à paisana” – enfrentar o volumoso e feroz Rei no mano a mano… Aí, o caldo entorna de vez e Matthew Murdock, o advogado cego, honesto e brilhante vai parar no fundo do poço. Só que o homem quebrado é o Homem Sem Medo.

O restante da história mostra a luta do Demolidor pra se reerguer, dar a volta por cima e se vingar de seu algoz. Uma missão nada fácil já que Fisk descobre que Matt não morreu e pega mais pesado ainda contratando desde matadores profissionais e assassinos psicóticos até um projeto de super soldado viciado em anfetaminas, completamente insano e descontrolado. Só que o Demolidor recebe a inesperada e muito bem-vinda ajuda do Capitão América – o que resulta em alguns das sequências mais empolgantes já vistas numa HQ. Por fim, vale ressaltar as ótimas subtramas – como a descoberta da suposta mãe de Matt, o Capitão América e sua revolta diante dos atos questionáveis de seu país, o relacionamento amoroso de Foggy Nelson e o jornalista Ben Urich na mira dos assassinos ao tentar tornar pública toda a sujeira do vilão.

Frank Millerdemolidor-a-queda-de-murdock, que já tinha dado um grande update nas histórias do Demolidor anteriormente, tem aqui, ao lado de Batman – O Cavaleiro das Trevas, seu melhor momento como roteirista. Na arte, se juntou a ele o incrível e cheio de personalidade ilustrador David Mazzuchelli e assim a dupla criou uma verdadeira obra-prima, u
m dos maiores clássicos não só dos quadrinhos e sim da literatura moderna. A dobradinha Miller/Mazzucchelli ainda renderia outra pérola dos quadrinhos intitulada Batman: Ano Um.

Se você, caro leitor é fã do Demolidor – seja por conta das publicações mais recentes ou pela série da Netflix – e ainda não leu essa maravilha quadrinística, vá a alguma loja ou livraria especializada e garanta já o seu exemplar, que pode ser encontrado em edições encadernadas de editoras diferentes. Mas se der pra escolher, opte pelo encadernado da Panini, lançado há alguns anos atrás.