CCXP 2015: Top 5 Quadrinhos

CCXP 2015: Top 5 Quadrinhos

A lista de quadrinistas internacionais que estará na Comic Con Experience em 2015 teve um upgrade considerável em relação à primeira edição do evento. Tem muita gente boa, por isso fizemos um resumo com aqueles que são destaques na nossa opinião.

5) John Totleben

johntottlebanNascido na Pensilvânia em 1958, é um egresso da Kubert School que teve maior destaque nos quadrinhos mainstream ao arte-finalizar os desenhos de Stephen Bissete na revista Monstro do Pântano. Quem escrevia essa série era o bom e velho mago Alan Moore, que depois levou Totleben para ser o artista principal de Miracleman (atualmente publicado pela Panini no Brasil). Fato interessante sobre Totleben é que, atualmente, ele é considerado legalmente cego, resultado de uma retinite pigmentosa, doença degenerativa dos olhos. Ele enxerga apenas imagens centralizadas. Ainda assim, continua trabalhando, mas num ritmo muito mais lento.

4) Kevin Maguire

KevinMaguireByLuigiNoviUm dos ícones da DC Comics dos anos 1980 e 90, Kevin Maguire ganhou fama e destaque ao reinventar, ao lado de Keith Giffen e J.M de Matteis, a Liga da Justiça. Com uma mistura de humor, aventura, com muitos diálogos espertos apoiados nas expressões faciais desenhadas por Maguire, a série chamada de Liga da Justiça Internacional foi um marco entre as publicações de super-heróis e transformou em estrelas personagens como o Besouro Azul e o Gladiador Dourado. Outro trabalho extremamente relevante de Maguire foi a minissérie de 1991, “As Aventuras do Capitão América”, escrita por Fabian Nicienza. O artista recebeu o Eisner Awards em 1988, como melhor time de arte (ao lado de Al Gordon) por Liga da Justiça Internacional, e em 2004, por melhor série de humor, pela minissérie “Já Fomos a Liga da Justiça”. Ninguém, repito, ninguém desenha rostos e emoções tão perfeitamente quanto Maguire.

3) Jim Lee

jim-lee-2Referência de um tempo em que revistas em quadrinhos vendiam milhões de exemplares por mês, Jim Lee nasceu na Coréia em 1964 e começou sua carreira na Marvel Comics, desenhando a Tropa Alfa e algumas edições de Justiceiro, até revolucionar os X-Men. Seu estilo grandioso, com mulheres voluptuosas e muito exagero tornou-se uma referência e foi copiado extensivamente, gerando o que alguns chamam de “Dark Age” dos quadrinhos de super-herói, em que a arte era mais importante do que o roteiro.

A série da chamada equipe Azul, “X-Men #1”, que Lee desenhou e co-roteirizou ao lado de Chris Claremont é, ainda hoje, o gibi mais vendido de todos os tempos nos EUA com 8 milhões de cópias. Em 1992, acompanhado de Todd McFarlane, Erik Larsen, Jim Valentino, Marc Silvestre e o [ironia mode on] mestre [ironia mode off] Rob Liefeld, fundou a Image Comics – editora que reunia os estúdios de cada um dos artistas. No seu estúdio, Wildstorm Productions, criou a série WildC.A.T.s (sinceramente, naquele início, uma versão piorada dos X-Men). Em 1998, a Wildstorm foi vendida para a DC Comics. Com o tempo, Lee começou a desenhar diversos títulos do Universo DC com muito sucesso, especialmente Batman (“Silêncio” e “Grandes Astros”) e Superman (“Pelo Amanhã”). Em 2010, Jim Lee foi anunciado como Co-Publisher da DC, dividindo o cargo com Dan DiDio (que também vem para a CCXP) e cuidou da arte de Liga da Justiça, no relançamento feito no reboot dos Novos 52.

2) Mark Waid

Mark-waidFã de quadrinhos desde criança, Mark Waid é um apaixonado por quadrinhos de super-heróis, especialmente pelo Superman. Mas foi com o Flash, que escreveu por longos 8 anos, que Waid ganhou reconhecimento e fama entre os fãs de gibis. Os destaques daquela série foram as histórias “Born to Run” e “O Retorno de Barry Allen”. Mark Waid definiu o terceiro Flash, Wally West, dando a ele uma personalidade que evoluiu com o tempo – saindo de um titubeante parceiro em dúvida, para ser um dos principais heróis do Universo DC. Wally se tornou o Flash de uma geração, retratado inclusive nas séries de desenho animado “Liga da Justiça Sem Limites” e “Justiça Jovem”.

Waid também criou uma das séries de maior impacto no universo de super-heróis em todos os tempos: “Kingdom Come”. Apresentando um futuro distópico no qual os descendentes dos heróis de nosso tempo são seres extremos, sem a menor empatia pela raça humana. Desenhado por Alex Ross, “O Reino do Amanhã”, como foi chamado no Brasil, teve quatro edições e tem como ponto central o Superman – que na narrativa perdeu a confiança na nova geração e na humanidade. Sendo Waid um grande fã da Silver Age, a história construída tem um caminho no qual os heróis de moral duvidosa são derrotados e reforça-se o conceito de heroísmo de tempos mais simples, de preto e branco, sem nuances de cinza.

Mark Waid foi também o responsável por uma revisão na origem do Superman, “Legado das Estrelas”, que influenciou claramente a visão da chegada de um alien à Terra,  tão presente em “O Homem de Aço”, última aventura do Azulão nos cinemas.

1) Frank Miller

millerEscritor, desenhista e dublê de diretor de cinema, Frank Miller é, indubitavelmente, a maior atração em termos de HQs desta CCXP. Americano nascido em 1957, Miller ajudou a definir três personagens que se tornaram referências em outras mídias: Demolidor, Wolverine e Batman. O advogado cego Matt Murdock foi o primeiro trabalho regular de Frank Miller como roteirista e desenhista, mas seu interesse no texto cresceu tanto que acabou deixando a arte de lado (para seu parceiro favorito, Klaus Janson, que veio para a CCXP em 2014). Em parceria com Chris Claremont, produziu a minissérie “Eu, Wolverine” (encadernada e republicada no Brasil com esse nome, pela Panini) que expandiu e fez do baixinho canadense uma personalidade interessante e não apenas um matador sem noção.

Dali, Miller foi para a DC Comics e escreveu seu primeiro trabalho como criador independente, a minissérie “Ronin”, numa trama que mistura passado e futuro, honra, traição e toda a tradição dos samurais japoneses. A recepção da crítica e do público foram impressionantemente positivas e levaram a DC a concordar com uma obra proposta por Miller, que redefiniria a industria dos super-heróis para sempre: “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

Num futuro não muito distante, Bruce Wayne aposentou a capa após a morte de Jason Todd, o segundo Robin. O mundo afundou em trevas, com guerras, corrupção e extrema violência urbana. O Superman, que poderia ser um ícone de esperança, não passa de um lacaio dos poderosos no governo. Percebendo que sua natureza era ser o Batman,  Bruce volta à ativa, desafiando o status quo e estabelecendo um novo padrão para a sociedade. Tudo isso depois de quebrar a cara do Superman.

“O Cavaleiro das Trevas”, junto de Watchmen, que também foi publicada em 1986, mostraram ao mundo que era possível tratar super-heróis como veículos para metáforas muito maiores, sobre política, relações internacionais e economia, entre outros temas.

Miller teria ainda mais obras importantíssimas no desenvolvimento tanto de Batman, quanto de Demolidor. Para o primeiro, escreveu “Ano Um” e para o segundo “A Queda de Murdock”.

Voltando-se para sua produção autoral, Frank Miller criou o universo de Basin City, mais conhecida como Sin City, uma cidade cheia de pecados, crimes e amoralidade. E, deslocando-se no tempo e no espaço, recria a mítica Batalha das Temópilas, com “300”, ou “300 de Esparta”.

Ambas as criações transformaram-se em filmes, algo com o que Miller já flertava desde que escreveu os roteiros de Robocop 2 e Robocop 3. Ele ainda escreveria e dirigiria o terrível (horrível, temível, ruim mesmo) The Spirit, de 2008, e dividiria os roteiros e a direção da menos ruim continuação de Sin City, “A Dama Fatal”.

Atualmente, Miller tem aparecido em público muito pouco e, quando o faz, parece bem debilitado, visto que luta contra um câncer. Ele roteirizou, com o apoio de Brian Azzarello, uma terceira continuação para “O Cavaleiro das Trevas”, intitulada The Master Race, que será desenhada por Andy Kubert.

Miller também foi o responsável pelo pôster oficial da CCXP 2015 e, ter sua presença no evento demonstra que, definitivamente, o Brasil está numa nova condição no mercado de entretenimento mundial. E a Comic Con Experience tem muito a ver com isso.

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).

1 Comentário

  1. […] que não vou conseguir ir nesse, mas queria muito… a Liga da Justiça de Maguire e Giffen mudou minha vida. Foi ali que comecei a ser colecionador. Sou muito fã. Mas ele estará lá todos […]

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