Capitão Feio – Identidade

Capitão Feio – Identidade

De vilão que atormenta crianças a um anti-herói incompreendido: Capitão Feio – Identidade é mais um acerto da série “Graphic MSP”

 

Dizem que a medida de um herói está no desafio que ele enfrenta. E que os maiores heróis surgem justamente na oposição a um grande vilão.

 

Batman tem o Coringa, Capitão América tem o Caveira Vermelha. Mônica tem o Cebolinha.

 

Ops. Não é bem assim. Os planos infalíveis colocam Cebolinha e Mônica em lados opostos, mas o menino de cabelo espetado nunca foi um vilão. Esse título ali no Bairro do Limoeiro sempre coube a alguém maior e mais poderoso: o Capitão Feio.

 

E em mais uma ótima produção da linha “Graphic MSP”, os gêmeos Marcelo e Magno Costa recriam, acrescentando inúmeras camadas, mais uma ideia de Mauricio de Sousa. Outra daquelas que um incauto poderia desconsiderar como simples ou mesmo banal.

 

Mas, suspeito, o que faz as “Graphic MSP” darem certo (e essa é mais um exemplo) é justamente a simplicidade. As personagens criadas por Mauricio possuem uma essência universal, que possibilita sua reinterpretação constante. São arquetípicos, quase mitológicos.

 

E essa universalidade dá a quem recebe a glória e a responsabilidade de retrabalhar essas criações algo semelhante a uma pedra preciosa. Ela já é linda e inestimável, mas pode ganhar a aura de obra de arte ao fazer parte de uma escultura ou mesmo de um anel ou colar.

 

Vilão? Talvez não

Em Capitão Feio – Identidade, a pedra bruta é um jovem que se esconde nos esgotos da cidade. Sem memória e sem ninguém que olhe por ele, sente energias percorrerem seu corpo e com elas é capaz de feitos incríveis: movimentar objetos, disparar rajadas e até voar.

 

Agora pense bem: com tudo isso você seria um super-herói? Seria mesmo?

Ótimas expressões faciais, mas o fundo fica com algo faltando…

É essa a pergunta que Identidade busca responder, ao fazer mais do que mostrar o caminho de alguém que é intrinsecamente mau, o clássico vilão. O foco aqui está em entender as motivações de um homem que não se encaixa à sociedade e nem a si próprio.

 

Nesse sentido, a trama é muito bem amarrada, inclusive fazendo referências ao surgimento do Capitão Feio nas HQs da Turma da Mônica. Ao ler Identidade fica a sensação de reencontrar um amigo de infância depois de muitos anos. Vocês ainda se conhecem, sabem quem são na origem, mas os pedaços novos da narrativa vão se encaixando e fazendo sentido, pouco a pouco.

 

Os desenhos de Marcelo, apoiados nos breakdowns de Magno, funcionam muito bem nas cenas de emoções mais intensas. Suas expressões faciais quando demonstram raiva, especialmente, são ótimas. Fica faltando, no entanto, mais detalhamento nos fundos e demais cenários.

 

“Agora o bicho vai pegar”. Dava para ser mais natural…

Os diálogos também poderiam ser mais elaborados. A voz de Feio soa forçada em alguns momentos, empostada demais, em contraponto a momentos que funcionam bem, em que seus diálogos transmitem mais naturalidade.

 

Mas, esses pequenos deslizes não tiram a força da história. É mais um trabalho bem feito do time de Mauricio de Sousa, que além de tudo prepara uma edição caprichada, cheia de extras interessantes, como os esboços da capa e os detalhes sobre o surgimento do Capitão Feio.

 

Como num filme de ação vale a dica: saboreie Capitão Feio – Identidade até a última página. A cena “pós-créditos”, com participação especial, vale o gibi.

 

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Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).

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