Aqui é Nerdpride. Sou nerd e com muito orgulho

Aqui é Nerdpride. Sou nerd e com muito orgulho

Dia do Orgulho Nerd, Dia da Toalha, estreia de Star Wars. Ser nerd tá na moda. Mas o que é ser nerd?

 

Hoje fui entrevistado pelo Jornal da Cultura para falar sobre o Dia do Orgulho Nerd. E quem me conhece sabe que eu tenho muito orgulho de ser nerd, então falo disso sem o menor problema.

 

Como toda matéria de TV, eu falei meia hora e entrou uns 30 segundos (veja aqui, já tá no ponto). Tudo bem, é assim mesmo o jogo.
Mas tanto a produtora, quanto a repórter, me perguntaram: “O que é ser nerd?”. Eu tentei explicar e compartilho um pouco dessa minha forma de pensar aqui.

 

O que é o nerd? Onde vive? O que come? Hoje, no Globo Repórter

 

Nerd é alguém que leva os hobbies muito a sério. E esses não são hobbies quaisquer. Eles têm a ver com a Cultura Pop: livros, quadrinhos, games, filmes… Quase tudo que tem uma boa narrativa ficcional envolvido.

 

Mas tem que ser uma boa narrativa mesmo, algo que te faça sair da realidade.

 

Porque para o nerd, aquele monte de revistinha, por exemplo, significa algo mais do que um mero divertimento. Elas são o portal para uma realidade diferente, um mundo mais livre, muito mais confortável do que esse em que a gente vive. E o Nerd precisa desse mundo para conseguir sobreviver no dito “mundo real”.

 

Eu fico às vezes pensando como deve ser difícil viver sem ter um suporte, uma base que ajude a avançar quando a realidade vem e bate na nossa cara.

 

Porque isso acontece com todo mundo, sem distinção. Eu, por exemplo, sempre tive pra onde correr. Meus gibis e meus jogos estavam sempre lá, prontos para me conduzir para um lugar em que batalhas maiores que as minhas estavam sendo travadas.

 

E, por meio dos heróis, eu me realizava. Conseguia resolver meus problemas, arrumar tudo na cabeça e seguir em frente.

 

Mas não é só gostar de algo que faz de alguém um nerd. Nerd raiz tem uma predileção especial por detalhes, datas, nomes.

 

A gente estuda, para poder encontrar outros nerds – online ou pessoalmente – e poder discutir coisas tão malucas (para quem não é fã) como em qual candidato os super-heróis escolheriam nas últimas eleições dos EUA. Ou quando foi que o Dr. Estranho encontrou o Drácula pela primeira vez.

 

Foi em Tumba de Drácula nº 44, caso você esteja aí se perguntando. Em 1976.

 

Nerd que é nerd mesmo, olha para as coisas e deixa a mente fluir e deixa quem está do lado falando sozinho. Porque faz relações com suas referências, que são muitas.

 

Se você se relaciona com alguém assim, sabe que para sobreviver ao lado dessa pessoa precisa entender que isso não é por mal. É só a nossa cabeça que roda numa frequência diferente.

 

A grande questão é que vemos significado nas coisas.

 

É isso que deixa a gente louco quando a Marvel vai lá e transforma o Capitão América em vilão. Porque esses personagens são mais do que meros homenzinhos vestidos com roupas coloridas e estranhas.

 

Eles são a representação dos nossos sonhos, dos nossos desejos e vontades.

 

Com eles a gente aprendeu e ainda aprende um monte de coisas que podem nos tornar pessoas melhores.

 

O Batman me ensinou que, com disciplina, coisas incríveis podem ser alcançadas.

 

Aprendi mais sobre física nos gibis do Flash do que em qualquer aula que já tive na vida.

 

Os Lanternas Verdes me ensinaram que a Força de Vontade é maior arma que qualquer pessoa pode ter.

 

E o Superman me ensinou que fazer a coisa certa é uma escolha pessoal diária. Porque você sempre pode fazer algo errado ou simplesmente não fazer nada. Ser honesto, correto, ético, é uma decisão consciente. Se o cara que poderia dominar o mundo com as mãos faz essa escolha, para nós é ainda mais fácil.

 

Para mim, ser nerd é isso. Gostar muito das histórias e viver isso plenamente. Sem medo de ser considerado estranho.

 

Bizarro, no traço do brasileiro Gustavo Duarte

Porque hoje pode até estar na moda ser nerd. Usar camiseta da Arlequina, do Homem de Ferro. Mas eu sou do tempo em que andar com roupas desse tipo depois dos 10 anos de idade só fazia as pessoas te acharem infantil ou bizarro.

 

Mas bizarro pra mim é só um Superman ao contrário.

 

Eu sou nerd e tenho MUITO orgulho disso.

 

Hoje, com tantas séries, filmes e jogos desse universo fazendo sucesso, afirmo sem medo de errar que nunca foi tão bom ser nerd.

 

E digo também que o mundo é nosso. Os normais só vivem nele.

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).