A difícil relação entre os nerds e as mulheres

A difícil relação entre os nerds e as mulheres

Título safado esse meu… te faz pensar que nerd não pega mulher, que não sabe o que fazer com elas.

Isso pode até ser verdade, mas a discussão que proponho aqui é maior, mais ampla e profunda. O mundo nerd é machista. Até aí nenhuma novidade. Nosso mundo todo é machista, misógino e com dificuldades de aceitar que a falta de igualdade é um problema que não nos deixa avançar enquanto espécie.

Porém, o mundo nerd parece ser ainda pior. Meninas que jogam Dota, LoL, WoW e outros games online sabem do que eu estou falando. Se colocar um nick que transpareça que é do sexo feminino, prepare-se. Tudo aquilo que a maior parte dos jogadores jamais teria coragem de dizer na cara, pela tela eles dizem. Sabe quando aquele seu #amigosecreto anda pela rua e diz que alguém dirigindo mal “só podia ser mulher”? Pois bem… meninos de 15 anos dizem a mesma coisa, mas em relação aos games. Na cabecinha (ui) boba deles, é uma humilhação perder de uma garota e, se algo sai errado no jogo evidentemente a culpa seria do ser do sexo feminino. Se a história te parece familiar é porque é mesmo. Nos ambientes nerds ou não.

No cinema, a Viúva Negra tem certo destaque nos Vingadores, mas não se vê brinquedos dela. E dizem por aí que Scarlett Johansson ganha menos que todos os seus colegas de elenco.

Nesse contexto, uma série como Jessica Jones é não apenas notável. Ela é necessária. Não vou dar nenhum spoiler aqui para aqueles que não se prenderam dentro de casa (ainda) para assistir os episódios no Netflix, mas posso dizer que a segunda investida da Marvel na plataforma de streaming é muito diferente do seu irmão mais velho, Demolidor.

Thriller psicológico de primeira categoria, Jessica Jones é uma série sobre assédio. Sobre estupro. Sobre um homem que se julga poderoso e que, por conta desse poder, acha-se no direito de dominar, humilhar e minar a individualidade das mulheres. Tudo isso envolto por uma metáfora de superpoderes e ação, para que os meninos bobos não ficarem ofendidinhos.

Mas bom mesmo, é que Jessica Jones fala sobre superação. De medos, de traumas, de relacionamentos que não deram certos. Tá tudo lá, só precisa ter olhos para ver.

wonder-woman-movieO pacote fica completo com a notícia das últimas semana de que o filme da Mulher Maravilha finalmente está saindo do papel. Ícone maior da representatividade feminina nos domínios da nerdice, a Princesa Diana de Themyscira foi criada numa ilha isolada do mundo dos homens, cercada de mulheres guerreiras – que nunca precisaram de um barbudo para abrir um pote de palmito, alcançar algo no alto do armário ou mesmo cortar uma cabeça… de um inimigo no meio de uma batalha.

Quanto medo isso dá nos homens, não? Mulheres independentes? Que fazem tudo sozinhas? Pois é, meninos. Vai ter mulher forte nas telas e se reclamar vão ter duas (olha o seriado da Supergirl aí).

Tomara que o filme siga pelo menos um pouco dessa linha. De qualquer forma, é extremamente reconfortante pensar que pelo menos agora as meninas terão alguém em quem se espelhar. Porque um filme estrelado pela heroína não vai deixar de ser acompanhado por uma enxurrada de produtos… diferente do que a Marvel/Disney  faz com a Viúva.

E que nerds aprendam que é 2015. Seremos iguais, pelo amor ou pela dor.

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).

2 Comentários

  1. […] Depois, o que Ivan aponta como o real destaque: Kristen Ritter e David Tennant apresentam Jessica Jones, a série mais comentada do […]

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