Aerosmith mostra que para chegar aos 70 com saúde precisa ter tesão

Aerosmith mostra que para chegar aos 70 com saúde precisa ter tesão

Os bad boys de Boston fizeram um show visceral e cheio de energia para incendiar o Allianz Park

 

Por Alexandra Santos

 

Sabe aquela sensação estranha de que algo pode acabar? Foi o que senti ontem ao ver Aerosmith em cena durante o festival São Paulo Trip que rola até amanhã no Allianz Park. Eu, que já tinha ido a outros cinco shows deles, nunca os vi tão plenos. Nunca os vi com tanto gás. Parecia até que eles estavam fazendo aquilo tudo para se despedir.

 

A banda americana, que em 2020 completa 50 anos de estrada, chegou para mostrar que não é a toa que está no topo a tanto tempo. Como tocaram. Joe Perry gastou os dedos com sua guitarra. Na verdade, suas guitarras. Pelos meus cálculos ele trocou umas seis vezes durante o show. O baterista Joey Kramer sentou a mão e foi o maestro de praticamente todos os hits. E pensar que lá atrás, em 1970, era Steven Tyler que tinha ido fazer teste para ingressar na banda que Perry formava.

 

Tyler é o cara!

E por falar em Tyler, vamos falar desse cara. Não sei se todos sabem, mas ele sofre de uma doença degenerativa dos ossos que o faz tomar uma dose cavalar de remédios para dor (e ele que adora um vício, nem reclama). Mas ontem inexplicavelmente não mancou nenhuma vez. E foi justamente nisso que começou a morar minha preocupação com o fim da banda. Que eles até disseram que seria dessa vez, mas que ninguém acreditou muito. Ele me pareceu buscar dentro de si uma energia que não vinha existindo mais.

 

No último show que vi ele correu menos, rebolou menos, dedicou-se menos a entreter e dedicou-se a  soltar a voz. Nesse não. Até uma ajudinha de um backing vocal do tecladista ele teve para poder correr como correu. Pra mim era nítido que ele queria pular, extravasar, dividir a alegria dele com o público. E com 70 anos chegando e um histórico de vida mucho loko, ou ele alcançava a melhor nota ou pulava. E eu amei!

Parceria perfeita

 

Foram duas trocas de roupa (de Tyler e Perry), foram vários lenços, pulseiras e até uma gaita jogadas para a platéia. Foram milhões de interações com o público e até um selinho em uma garota que estava no palco e correu fazer uma live. Detalhe, Tyler BEIJOU a boca da menina, mas ela queria mesmo era manter a live. Tem gente que não sabe aproveitar mesmo as oportunidades que tem na vida.

 

Já Joe Perry esfregou na cara de todo mundo seu talento para o Blues. Você pode até cansar de ficar vendo ele fritar a guitarra, mas não dá para ficar apático ao talento dele. Fora o que ele cantou. Cantou sozinho. Fez backing. Cantou novamente! Ah, meu coração.

 

No setlist, as baladas ficaram por conta de Cryin, Don’t wanna miss a thing e Dream on (com apresentação memorável do Perry tocando em cima do piano e depois sendo substituído por Tyler), apenas. Eles queriam um show animado e já começaram arrebentando com Love in a Elevator, e teve Sweet Emotion, Come Together (a música é dos Beatles, mas eles eternizaram a interpretação), Dude looks like a Lady e, fechando  a noite lá no alto, Walk this way, com direito a passinho e tudo. O setlist completo você vê na foto

 

E no final, a banda se reuniu ao centro do palco e Tyler apresentou todos os integrantes com um carinho diferente. Mais uma vez, eu sentia uma nostalgia no ar. E quando finalmente Perry apresenta Tyler e eles se abraçam com tanto amor eu chorei e as luzes do palco se apagaram.

 

Todo mundo junto!

 

Enquanto não se sabe o que vem por aí, vocês podem curtir Joe Perry nas guitarras de Hollywood Vampires, banda dele com o Alice Cooper e Johnny Depp. E Tyler com sua banda hippie fazendo coisas do Aerosmith e covers por aí. Aconselho dar um google e vê-lo interpretar Piece of my Heart da Janis Joplin.

 

Ainda torço por uma turnê final em 2020 com eles rodando o mundo festejando os 50 anos de carreira, fazendo o que sabem fazer e o que sempre fizeram com um tesão gigantesco. Eu, que dedico todo meu amor e devoção a eles desde os 13 anos (hoje tenho 40), não estou preparada para vê-los longe um do outro.

 

Alexandra Santos é jornalista, empresária, mas acima de tudo, muito fã de Aerosmith

 

 

 

 

Para saber mais sobre Tyler