Não é só uma boneca

Não é só uma boneca

O feminismo e a representatividade nunca foram tão comentados como no ano de 2015 e ao que parece isso é uma tendência que continuará. Mas antes de continuar o texto é necessário que se tenha uma verdadeira ideia do que são estas palavras.

 

Por Carolina Ferreira

Questões sobre o feminismo e a representação, seja feminina ou relacionada à raça e gênero, parecem ter tomado um significado negativo. Isso porque muitos acham que a luta por estes ideais estão relacionadas a benefícios e não igualdade! Desejar feminismo significa apenas que você quer direitos iguais. Parece simples, mas infelizmente ainda estamos longe de conseguir.

A representatividade não é diferente: quando vemos alguém parecido conosco na TV ou cinema temos a impressão que podemos ser mais do que estávamos destinados a ser. Um ótimo exemplo disso é o da atriz Nichelle Nichols como a tenente Uhura na série de TV Star Trek, pela primeira vez na história foi possível ver uma mulher negra como protagonista sem estar interpretando uma escrava ou empregada. Isso causou um impacto tão grande para a indústria que mudou toda uma geração e uma forma de pensar.

uhura

Nichelle Nichols: pioneira

O mundo nerd é inovador. Ele mostrou a milhares de meninas que elas poderiam ser heroínas, fortes e independentes. Mostrou que elas poderiam ser bruxas, fadas, feiticeiras, cientistas, desbravadoras e amazonas. Infelizmente o mercado ainda não pensa assim e a recente polêmica em torno das bonecas da personagem Rey em Star Wars prova isso.

A Hasbro, grande produtora de jogos, deixou a personagem de fora de alguns de seus lançamentos. Devido às críticas, a empresa precisou se manifestar, primeiro alagando uma grande procura nos produtos individuais, justificando assim a ausência deles, depois disse que não colocou a personagens em jogos de tabuleiro, pois não queria entregar a sua importância para o público antes de verem o filme. O que não faz o menor sentido já que incluíram personagens como Kylo Ren! [em tempo: depois da pressão, Rey vai ser incluída]

Durante a San Diego Comic Con 2015, um participante no painel da Warner Bros, disse aos atores de Batman vs Superman que se sentia mal, já que como homem era julgado se usasse uma camiseta da Mulher Maravilha, a resposta da atriz Gal Gadot (interprete da personagem) foi: “você pode usar o que quiser e não há nada de errado nisso!”. Então por que ainda é tão difícil quebrar certos padrões?

Por que em pleno século 21, protagonistas femininas como Katniss Everdeen ou Lara Croft ganham destaque no cenária de games e TV mas ainda são tão segregadas? Vemos jogos dos Vingadores sem a Viúva Negra, do Star Wars sem a Rey e acreditem: existe até dos Guardiões da Galáxia sem a Gamora.

O motivo? Simples! Esses jogos e bonecos são colocados na seção masculina e muitos pais não querem seus filhos brincando de boneca. Não existe nada mais triste do que entrar em uma loja de brinquedos. Elas são a representação gritante e escancarada do preconceito e mentalidade medieval ainda presente em nossa sociedade. Não só pela separação de gêneros, é por tudo existente nela. É decepcionante ver que meninos podem ser de astronautas e mergulhadores enquanto meninas podem lavar, passar, cozinhar e cuidar das crianças. Simone Beauvoir disse uma vez “Não se nasce mulher, torna-se mulher”. Ser mulher é carregar um conjunto de regras e imposições da sociedade.

Os quadrinhos, filmes e séries tão voltadas para os nerd vêm se tornando popular por todo o mundo, não porque este público vem crescendo, mas porque cada vez mais as pessoas percebem que estas histórias não são sobre poderes especiais ou roupas brilhantes, elas falam de intolerância, violência, política e direitos humanos, elas ajudam a pensar e refletir sobre estes problemas tão presentes no nosso dia a dia.

Que no ano mais nerd deste século possamos quebrar as barreiras que ainda existem e nos vermos como um todo, sem separação por gênero, raça ou sexo. Fica a questão, debatida recentemente no filme X-Men: Dias de um Futuro Esquecido: “Estamos realmente destinados a nos destruir? Ou podemos mudar quem somos e nos unir?

 

 

carol

Carolina Ferreira
Formada em jornalismo, nerd, cinéfila e maluca por super-heróis (sejam eles da DC ou Marvel), não gosta da
rivalidade entre Star Wars e Star Trek. Ama ser ela mesma, mas se pudesse seria o Batman.

4 Comentários

  1. […] continuaram e descobri que além de cantar muito e fazer clipes que exaltam a força das meninas, tão discutida no mundo pop atual, Elle King é filha de Rob Schneider. Se você não ligou o nome à pessoa, eu te lembro de filmes […]

  2. […] continuaram e descobri que além de cantar muito e fazer clipes que exaltam a força das meninas, tão discutida no mundo pop atual, Elle King é filha de Rob Schneider. Se você não ligou o nome à pessoa, eu te lembro de filmes […]

  3. […] de jogar como uma personagem feminina, o que ajudou na inclusão de tantas amigas que queriam representação própria nos […]

  4. […] de jogar como uma personagem feminina, o que ajudou na inclusão de tantas amigas que queriam representação própria nos […]

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