Vingadores: Ultimato

Vingadores: Ultimato

Com foco na reflexão, Vingadores: Ultimato nos leva pela mão por uma viagem divertida e nostálgica até um dos ápices mais épicos do cinema de super-heróis

Vingadores: Ultimato começa sem alarde nenhum, quem estiver distraído com os trailers pode até perder os primeiros segundos, que são importantes para vermos o que houve com um personagem-chave da trama pouco após o estalo de dedos de Thanos em Guerra Infinita. É o início de uma longa jornada de luto e de muitos riscos.

 

Aliás, falando em trailers, parte do que vimos nos materiais de divulgação do filme ou não apareceu no produto final ou foi usado de maneira diferente do que fomos levados a imaginar. Ponto para os diretores, os irmãos Anthony e Joe Russo, que conseguiram causar na gente a mesma confusão que parece haver no início do filme, a sensação é de que está tudo desconexo. É o que os heróis transmitem nos marcantes eventos que vemos antes mesmo de aparecerem os créditos. Ultimato, realmente não está para brincadeira.

Chegando ao ponto

Nova York após o estalo de Thanos: escura e sem vida, ainda que metade dos seus habitantes continuem por lá.

 

Não vou falar muito da trama para evitar de estragar qualquer surpresa. Basta lembrarmos do tom de desolação com o qual Guerra Infinita termina e sabermos que os heróis que não viraram pó estão dispostos a reaver o que foi perdido. E todo o caminho até chegarem lá é uma jornada repleta de uma escuridão, que permeia a fotografia; nostalgia; momentos de humor, que já viraram marca do MCU (o Universo Cinematográfico da Marvel, e aqui há ótimas citações a alguns filmes clássicos da cultura pop), e surpresas, muitas delas.

 

Ultimato, no fim, é um filme mais sobre reflexão, sobre o que devemos ou não arriscar, do que de ação. São três horas que sentimos bastante, em alguns momentos parece um tanto arrastado, nas quais somos levados pela mão até uma das sequências mais épicas que a cultura pop poderia produzir e vale a pena embarcar.

Incorporando o sentimento

União e sacrifício é o que movem os heróis em Ultimato.

 

Vingadores: Ultimato não seria eficiente em fazer refletir se não contasse com um grupo de atores especialmente afiados em seus personagens. Destaque para Robert Downey Jr. e seu Tony Stark/Homem de Ferro. Foi com ele que esse universo começou e foi ele também, até aqui, sua principal força. Em Ultimato, além da impressionante transformação física no início (Stark ficou tempos perdido no espaço), é ele quem corre os maiores riscos e toma as decisões mais difíceis. O filme também é bastante generoso com Chris Evans, o Capitão América, que inclusive protagoniza um dos momentos mais marcantes em todo o MCU.

 

Mas, não é só: Scarlett Johansson (Viúva Negra), e sua inquietude; Mark Ruffalo (Hulk), no seu melhor momento com o personagem; Chris Hemsworth (Thor), de um modo que nunca tínhamos visto, e Jeremy Renner (Gavião Arqueiro), transitando por diversos níveis de dor, colaboram bastante para trazer complexidade ao longa. Já o Thanos, de Josh Brolin, não tem o mesmo destaque de Guerra Infinita, onde foi o protagonista, mas segue se mantendo como uma ameaça que soa bastante real.

 

21 em 1

A Marvel faz questão de frisar que foram mais de dez anos e 21 filmes até chegar aqui e consegue utilizar muito bem todo esse legado para encerrar a terceira fase do seu universo cinematográfico. Prova disso é a reação do público no cinema, que aplaude e grita como se assistisse ao vivo àqueles embates, que de fato trazem momentos impressionantes para os fãs.

 

Entre heróis que se despedem (alguns esperados, outros, nem um pouco), que se transformam, que se estabelecem como novidade e até um que, em Ultimato, fez eu me sentir representado, tivemos um final de ciclo mais do que satisfatório. Aliás, mais do que um final, um recomeço.

 

Obs.: se, por um lado, vemos a última participação de Stan Lee, por outro, não há cenas pós-créditos em Vingadores: Ultimato.

Cinema? Quanto mais melhor, de qualquer tipo. Música? Toda hora. Video-game? Mas, por que não? Este jornalista, que também trabalha como tradutor, tem uma curiosidade bastante aguçada pela cultura pop no geral.