Vingadores: Guerra Infinita

Vingadores: Guerra Infinita

Sem se importar com consequências, terceiro filme dos Vingadores consegue costurar um mar de personagens enquanto tem seu vilão, Thanos, como protagonista

Com relação a alguns pontos, “Vingadores: Guerra Infinita não tinha segredos. Nós sabíamos que a batalha seria contra Thanos, o grande vilão do Universo Marvel, sabíamos que veríamos, mais uma vez, os heróis reunidos e que seria o fim da linha para alguns dos personagens que temos acompanhado nos cinemas há anos.

Também sabíamos que os irmãos Anthony e Joseph Russo estariam na direção, após terem comandado os dois últimos filmes do Capitão América: “Soldado Invernal” e “Guerra Civil”. E é justamente pelos méritos nesse último que os irmãos se encaixaram tão bem em Guerra Infinita. Eles sabem fazer funcionar uma história cheia de narrativas paralelas.

O longa começa com Thanos (Josh Brolin) e seus capangas dizimando metade da tripulação de uma nave e logo de cara já dá para perceber duas características marcantes do vilão: ele é uma figura sombria, surgindo no escuro sem que possamos ver seu rosto, e o trabalho de computação gráfica sobre ele, ainda que competente no geral, deixa bem claro que é um ser artificial.

Mas, Thanos não é um mero vilão, ele é o protagonista do filme e tem um arco dramático bem construído, mérito dos roteiristas Christopher Markus e Stephen McFeely. Sim, ele busca poder e destruição e para isso está em uma cruzada para reunir as seis Joias do Infinito e se tornar um ser imbatível, mas não é de maneira gratuita. Ele nem mesmo parece se importar com o trono de rei do universo (e é curioso como em uma cena ele prefere se sentar na escada de acesso em vez de no próprio trono). Thanos quer um futuro sustentável e, inclusive, protagoniza uma das cenas mais melancólicas do filme.

Peter Quill (Chris Pratt) e Tony Stark em meio a uma “negociação”.

O problema, é claro, é que os planos de Thanos incluem dizimar metade dos seres humanos, o que acaba trazendo de volta à ativa os Vingadores, parados desde a divisão dos heróis em dois lados após os eventos de “Guerra Civil”. E cada um está em um canto: Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Homem-Aranha (Tom Holland) e Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch) em uma aventura; Capitão América (Chris Evans), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Visão (Paul Bettany) e Hulk (Mark Ruffalo) em outra; Thor (Chris Hemsworth) tentando reencontrar suas origens com uma pitada dos Guardiões da Galáxia (e um curioso anão interpretado por Peter Dinklage), sem contar a Wakanda do Pantera Negra (Chadwick Boseman) e, claro, o Stan Lee.

Parece uma salada, um amontoado de histórias, e tinha tudo para ser assim, mas os irmãos Russo, com méritos também para a montagem de Jeffrey Ford e Matthew Schmidt, foram habilidosos em costurar todas essas narrativas, deixando o filme coeso e dinâmico ao mesmo tempo. Isso se reflete também nas várias sequências de luta nas quais diversos heróis interagem e desemboca no grandioso ato final.

Os diretores conseguem dar atenção, se não a todos os personagens, a todos os núcleos, com exceção de um: os vilões. Se Thanos é o protagonista do filme, sua turma não recebe a mesma atenção. Formada por quatro capangas, a Ordem Negra tem pouco destaque e, por isso, acaba sendo uma ameaça que, em nenhum momento, parece ser realmente perigosa.

A galera reunida em Wakanda.

Outro problema de “Guerra Infinita” é que sua fotografia é, na maior parte do tempo, bastante escura. Por um lado, o trabalho de Trent Opaloch é interessante porque pode significar o prelúdio de um futuro sombrio para o universo (e os dois locais em que a fotografia é clara tornam essa noção ainda mais significativa). Por outro lado, a avalanche de sessões 3D, que naturalmente já escurece mais a imagem por conta dos óculos, vai fazer com que boa parte dos espectadores percam detalhes na tela.

Guerra Infinita também amarra bem as narrativas do Universo Cinematográfico da Marvel (o MCU), inclusive, no que diz respeito ao humor. Os Guardiões da Galáxia são escrachados como sempre e tem ótimos momentos, mas o filme serviu para mostrar que Thor abraçou de vez o seu lado humorista, que teve início em “Ragnarok”.

Mas, mais interessante do que dar coesão ao passado são as implicações de “Guerra Infinita” para o futuro do MCU. Os irmãos Russo, junto com a Marvel, fizeram com que Thanos não poupasse nada pelo seu caminho e deixaram alguns nós bem significativos para o que vem por aí. E que comece a contagem para sabermos se e como vão ser desatados.

Obs.: o filme tem uma cena pós-créditos.

Cinema? Quanto mais melhor, de qualquer tipo. Música? Toda hora. Video-game? Mas, por que não? Este jornalista, que também trabalha como tradutor, tem uma curiosidade bastante aguçada pela cultura pop no geral.

1 Comentário

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