“Superman – O Filme” volta aos cinemas em comemoração aos 40 anos de seu lançamento

“Superman – O Filme” volta aos cinemas em comemoração aos 40 anos de seu lançamento

Cinemark faz sessões especiais do mais clássico filme de super-herói de todos os tempos no dia 4 de dezembro

 

“Superman – O Filme” é um clássico absoluto. Não do mundo nerd. Do cinema. A trilha sonora, a abertura emocionante com os nomes surgindo na tela, os atores – dos melhores aos piores -, tudo ali se tornou parte da cultura pop de uma maneira tão forte, que faz todo sentido receber nos cinemas essa versão remasterizada e comemorar o aniversário de uma obra tão significativa.

 

O filme

 

“Você vai acreditar que um homem pode voar”. Dessa forma “Superman – O Filme” foi divulgado lá nos idos de 1978. Mas mais do que voar, a clássica produção provou ser possível levar – de maneira espetacular – um super-herói para as telas.

 

Em 1978, a TV dos EUA (e aqui do Brasil também) contava com os seriados da Mulher-Maravilha e do Incrível Hulk. No caso da primeira, Lynda Carter nos encantava com sua beleza estonteante, mas a qualidade visual e também dos roteiros não era das melhores. Mal do qual padecia também, em maior intensidade inclusive, o Golias Verde da Marvel.

 

Mas aí chega esse filme… Superman. A realização toda foi complicada. Era o maior orçamento da História do Cinema até aquele momento, incríveis US$ 55 milhões. Para justificar tamanho investimento, Mario Puzo foi chamado para escrever o primeiro draft do roteiro. Ele havia criado “O Poderoso Chefão”, uma referência cinematográfica. Não seria difícil fazer algo com um herói dos quadrinhos. Não seria? Bem…

 

Puzo escreveu um roteiro gigante de 550 páginas. Depois de muitas idas e vindas, inclusive com vários problemas para definir um diretor, Richard Donner foi escolhido. Recém-saído do sucesso de “A Profecia”, Donner entendeu a grandiosidade do projeto e chamou Tom Mankiewicz para dar um jeito na trama. Mankiewicz vinha de muito sucesso com público e a crítica pelos filmes de James Bond, desde “007 – Os Diamantes são Eternos” (1971) e conseguiu criar a história que influenciou os quadrinhos, as séries e tudo mais do Superman dali para frente.

 

Por conta de problemas com o sindicato dos roteiristas, Mankiewicz é creditado como “consultor criativo” no primeiro Superman, entrando como roteirista somente em “Superman II”, que foi escrito e filmado ao mesmo tempo que o filme de estreia da franquia.

 

O verdadeiro Superman

E quem iria fazer o papel-título? Muito foi debatido na época e, por muito pouco, Clint Eastwood não vestiu a cueca por cima da calça. O ator diz que recebeu a oferta, mas a recusou. “Não era para mim”, disse em entrevista. “Nada contra, mas só não era para mim”, completou. Outros nomes, tão malucos quanto, foram pensados e até tiveram negociações abertas, tais como: James Caan, Kris Kristofferson, Charles Bronson (!!), Christopher Walken e Nick Nolte.

 

A missão – e que missão! – felizmente caiu nas mãos (e no sorriso, nos ombros largos e na presença) de Christopher Reeve. Com 25 anos de idade e uma carreira que começava a despontar na televisão e no teatro, o rapaz de Nova Iorque, inesperadamente, era tudo que os produtores precisavam. Mas quase não aconteceu, afinal, Richard Donner o considerava “magro demais”. Ainda bem que a atuação no teste nos salvou a todos.

 

De Clark para Kal-El em um par de óculos

 

Christopher Reeve é, indubitavelmente, a melhor coisa desse filme. É olhar para ele, na primeira cena em que aparece, já usando o uniforme azul, vermelho e amarelo, e ter certeza: “Esse aí é o Superman!”.

(Warner Bros. /Divulgação)

O fato de conseguir demonstrar o voo em cena era o que se propagandeava, mas deveria ser simplesmente “você vai acreditar que o Superman existe!”.

 

E se só isso não fosse suficiente, um dos grandes pontos de conflito apontados por quem não entende o Superman é o fato dele se esconder somente com um par de óculos. Reeve mostra como isso acontece, curvando-se e se mostrando frágil quando é Clark e se levantando amplamente ao ser o super-herói.

 

Uma cena em específico, na qual ele se encontra com Lois Lane no apartamento dela como Clark, logo depois de tê-la feito voar como Superman demonstra isso claramente. Reeve tira os óculos e muda a voz e a postura, com a intenção de se revelar para sua amada e, logo depois, desiste de abrir mão de sua identidade secreta.

 

A atuação de Reeve é tão certeira que é quase como se duas pessoas diferentes estivessem em cena.

 

Falando em Lois Lane, sua intérprete Margot Kidder não é exatamente uma grande atriz. Porém, funciona tão bem na relação com Reeve que fica fácil relevar sua tendência ao exagero nas expressões faciais nas cenas de ação.

 

Para quem quer grandes interpretações, além de Reeve, os olhos precisam ficar atentos a Glen Ford, que interpreta Jonathan Kent – pai terráqueo do Superman. São poucas cenas, mas fortes o suficiente para ficarem gravadas na mente dos espectadores.

 

E é preciso falar de Marlon Brando. No papel de Jor-El, pai biológico do Superman, o ator já veterano na época abocanhou uma bela fatia do orçamento do filme com seu salário de quase 4 milhões de dólares e exigências malucas como filmar todas as suas cenas em, no máximo, 12 dias, e não ia decorar suas falas.

 

Sim, exatamente. Brando ia fazer de cabeça. O máximo que permitia era a produção ficar com placas atrás das câmeras com dicas das falas e o resto ele mesmo criaria.

 

O pior é que funciona. O discurso que Jor-El faz pedindo a prisão do General Zod e seus asseclas, logo na abertura do filme, já dá o tom de como valeu a pena todo o esforço para ter um grande nome associado a essa produção, algo fundamental no entendimento dos estúdios Warner.

 

Foi nessa onda também que Gene Hackman acabou como Lex Luthor. Não é, evidentemente, o melhor de suas atuações. Tanto que não ficou marcado pelo papel. Aliás, seu Luthor é histriônico, descontrolado. Um dos poucos erros desse filme.

 

Trilha sonora: o ponto mais alto

 

Nessa versão refeita para o cinema, com imagem e, principalmente, som melhores, o impacto de “Superman – O Filme” é triplicado. O motivo para isso, mais do que tudo, é a força da trilha sonora.

 

Trata-se de uma verdadeira aula de sonorização de imagens. A trilha de John Williams, executada pela London Symphony Orchestra é mais que perfeita, é mágica. O tema do Superman tem uma força que eleva o personagem à sua posição mitológica, de maior herói de todos os tempos.

 

São praticamente três horas de duração, num ritmo diferente do corre-corre desenfreado dos blockbusters atuais. Mas que emociona do início ao fim, porque relembra a essência do Superman: ele é “super” porque é o ideal humano cristalizado, é quem pode lembrar a humanidade de todo seu potencial.

 

Nas palavras de Jor-El: “Eles podem ser ótimas pessoas, Kal-El; eles desejam ser. Eles apenas não têm a luz para mostrar o caminho. Por essa razão acima de todas, a capacidade deles para o bem, eu os mandei você… Meu único filho”.

 

É hora de receber mais uma vez esse filho em nosso meio, para ser luz em tempos nos quais precisamos tanto dela.

 

Serviço:


Superman – O Filme
Data e horário: 4 de dezembro, terça-feira, às 20h.
Preço: R$ 16 (inteira), R$ 8 (meia)
Onde: Rede Cinemark
Mais informações e ingressos: www.cinemark.com.br

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).