Star Wars: O Despertar da Força

Star Wars: O Despertar da Força

Sétimo episódio da cinessérie traz de volta o clima da consagrada primeira trilogia.

“Há muito tempo… numa década já muito, muito distante…”

Guerra nas Estrelas‘. Em 1977, o cineasta George Lucas nos presenteou com um novo universo cinematográfico que abriu novas portas pra imaginação mundo afora. Esse verdadeiro mito da Era Moderna teve início com a fantástica saga que misturava histórias de samurais, de guerra e de faroeste numa galáxia distante. O mal era personificado pelo opressor Império Galáctico cuja presença mais representativa se dava através do personagem que se tornou ícone e talvez o maior símbolo da série. Ele ainda é uma das figuras mais importantes e famosas da cultura pop: Darth Vader – o vilão mais amado de todos os tempos (inclusive pelas crianças), que apesar de sua maldade adquiriu um inexplicável carisma refletido em suas negras e intimidadoras máscara e armadura, em sua voz grave e respiração robótica. Do outro lado – o lado do bem – , seus principais antagonistas eram igualmente carismáticos e amados: o velho mestre Jedi Obi-Wan Kenobi e seu novo e promissor aprendiz Luke Skywalker. Pra combater o insidioso Império e sua nova arma capaz de dizimar planetas inteiros com um disparo, eles se juntam aos rebeldes liderados por uma valente princesa e também recebem o apoio do relutante contrabandista Han Solo, seu melhor amigo Chewbacca e dos simpáticos droides C3PO e R2-D2.

Sucesso absoluto! Febre mundial!

Anos depois, suas duas continuações revelaram que Luke era filho de Vader, que a princesa Leia era irmã gêmea de Luke… e nos apresentaram outras figuras incríveis desse fantástico universo – como o Mestre Yoda.

Em 1999, o que prometia ser a volta daquela magia com o primeiro capítulo de uma nova trilogia-prequel, se tornou uma baita decepção com o pra lá de irregular ‘Star Wars Episódio I: A Ameaça Fantasma‘. Com o tipo de humor que queremos ver longe desse tipo de filme, a não ser que o objetivo seja uma sátira, ‘A Ameaça Fantasma’ quase se tornou um fiasco graças a uma trama que não definia se queria ser séria e com viés político ou extremamente bocó e infantiloide. Principalmente por causa de um personagem digital extremamente chato e irritante que George Lucas inseriu lá – o detestado Jar-Jar Binks (como uma espécie de Mr. Bean alienígena) – , o filme é considerado, por unanimidade, o pior de toda a série.  Só não é uma total perda de tempo por conta de algumas boas sequências e do carisma dos heróis Obi-Wan Kenobi ainda jovem e seu mestre Qui-Gon Jin e dos duelos de sabres de luz da dupla contra o demoníaco e acrobático vilão Darth Maul.

Os episódios II e III foram melhores (bem superiores, na verdade) e conseguiram devolver a quase perdida dignidade da nova trilogia Star Wars. A mudança de Anakin Skywalker pro Lado Negro da Força e sua consequente transformação em Darth Vader é tensa e bem contada. Porém, apesar do esforço de George Lucas pra tentar agradar a gregos e troianos, ali tinha algo que destoava dos tão amados ‘Uma Nova Esperança‘, ‘O Império Contra-ataca‘ e ‘O Retorno de Jedi‘. Talvez tecnologia demais, naves lustrosas demais, perseguições demais, efeitos demais, piadas demais, personagens em CGI demais… cores vibrantes demais…

Eis que agora, sob a tutela do talentoso J.J. Abrams (também responsável pelo sucesso da releitura de Star Trek pras telonas), finalmente, mais de 30 anos depois…

Star Wars: O Despertar da Força‘ (Star Wars: The Force Awakens –  EUA, 2015) traz de volta AQUELA vibe que encantou o planeta a partir de 1977. A trama é simples (resumo sem spoilers): trinta anos depois dos eventos ocorridos em ‘O Retorno de Jedi’, a Primeira Ordem se ergue das cinzas do antigo Império Galáctico. A Aliança Rebelde, mais uma vez liderada por Leia Organa, combatem os opressores em nome da República restabelecida enquanto a ex-princesa busca por seu irmão Luke Skywalker, que está desaparecido. Acontece que a Primeira Ordem também está à procura de Luke, incentivada por seu homem de frente Kylo Ren – um cruel e desequilibrado aspirante a Lorde Sith que tenta seguir os passos de seu “ídolo” Darth Vader – e seu sinistro mestre que quer destruir o último Jedi. Se unem ao grupo rebelde o stormtrooper desertor Finn, a jovem sucateira misteriosa, bonita, inteligente e boa de briga Rey, o talentoso piloto rebelde Poe com seu robozinho super-carismático BB-8… e a dupla Han Solo e Chewbacca! Juntos, eles tentam impedir que o “novo Reich intergaláctico” localize Luke antes deles e se empenham numa ação conjunta e desesperada pra evitar que os vilões utilizem um novo e terrível artefato de destruição em massa.

star-wars-force-awakens-rey-finn-bb8-running

Apesar da simplicidade (os mais ranzinzas podem dizer que a trama requenta as de outros filmes da série), esse ‘Despertar da Força’ ganha muitos pontos justamente por resgatar a velha essência ao mesmo tempo em que apresenta uma visão até original e moderna daquele incrível universo criado por George Lucas – pelas mãos de JJ. Abrams. As naves clássicas estão lá: X-Wings, Tie Fighters, os gigantescos Cruzadores e a icônica Millennium Falcon  de Han Solo. O elenco é sensacional com destaque para o relutante e às vezes gaiato Finn (John Boyega é ótimo e seu personagem rouba muitas cenas), a corajosa Rey (a bela e talentosa Daisy Ridley) e Adam Driver que faz do seu Kylo Ren, com seu sabre de luz invocado com labaredas e três pontas, o vilão mais ameaçador da série (depois de Darth Vader, claro!). Mas as cerejas do bolo são as presenças de Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Leia) e Peter Mayhew (Chewbacca), Anthony Daniels (C3PO), além de (ah, disso todos já sabem) Mark Hamill – nosso eterno Luke Skywalker!

De todos os episódios que vieram depois de ‘Uma Nova Esperança’, esse é o que mais se parece com o longa de 1977 – no visual das naves e nos seus interiores, nos cenários, nas cenas de batalha aérea, na fotografia e até nos efeitos (muitos anos-luz adiante, obviamente). Várias e divertidas referências aos episódios IV e V estão lá num farto caldeirão pra deixar todo entusiasta de fan services bastante satisfeitos.

Chewbacca and Han Solo in a still from the Star Wars: The Force Awakens trailer.

 

falcon

Por fim, a trilha sonora de John Williams presta o maior fan service de todos – emocionando, causando arrepios e podendo levar os padawans mais saudosistas às lágrimas.

‘Star Wars: O Despertar da Força’ é um novo rumo e um bom fôlego a mais pra quase esgotada franquia – abrindo grandes possibilidades de um futuro promissor. O difícil pra nós, fãs novos e das antigas, é esperar pelos próximos filmes. Que a Força esteja conosco e nos dê paciência pra aguardá-los com serenidade.