Rogue One: Uma História Star Wars

Rogue One: Uma História Star Wars

O primeiro filme oficial da franquia Star Wars que foge da história dos Skywalker é corajoso e traz uma merecida revitalização de um dos maiores vilões do cinema

“Rogue One”, o primeiro filme do cânone principal da franquia Star Wars que não está atrelado a um número de capítulo, é corajoso como seus personagens. E vemos isso logo início: apesar de a primeira imagem ser do universo, não temos o tradicional bloco de texto subindo pela tela. É também o primeiro filme dentro daquele universo não centrado no clã Skywalker. Por fim, é uma história que traz personagens que olham para seus destinos de peito aberto e, assim, plantam muito bem a semente da esperança, que vimos florescer no Episódio IV.

Mas, por mais que parta de locais diferentes, “Rogue One” situa muito bem o telespectador naquela tão conhecida galáxia distante ao trazer os repetidos saltos da história entre diversos planetas, alienígenas dos mais variados formatos, filhos separados dos pais quando pequenos, articulações por poder e alguns rostos conhecidos (entre as rápidas participações especiais, tem uma que impressiona bastante pela realização técnica) e, claro, uma pitada da Força.

Cassian, Jyn e o androide K2SO, principal responsável pelos bons momentos de humor do filme.

A história nos coloca no período em que o os jedis estão desaparecidos e o Império está construindo a Estrela da Morte, sua temível arma destruidora de planetas, e nos apresenta a mente por trás do aparelho, Galen Erso (Mads Mikkelsen). Após ter se afastado do projeto, ele é rastreado pelo responsável pela arma, o diretor Krennic (Ben Mendelsohn), e levado de volta, momento em que se separa da filha Jyn (Felicity Jones), resgatada pelo guerrilheiro Saw Gerrera (Forest Whitaker). A trama dá um salto de 15 anos para reencontrarmos Jyn adulta, que desta vez acaba parando nas mãos da Rebelião por meio do capitão Cassian Andor (Diego Luna), depois que a aliança recebe a notícia de uma suposta mensagem vinda do Império por meio de Bodhi Rook (Riz Ahmed), um piloto desertor. Ele traz uma maneira de derrotar a Estrela da Morte.

Preste atenção nesta rápida descrição da história. Foram mencionados atores de ascendência nórdica, européia, latina, árabe, negra… também há asiáticos e, pela segunda vez seguida na série, há uma mulher como protagonista. Essa diversidade, dentro de um colosso cultural como Star Wars, é uma das principais forças da franquia hoje. Isso tudo ganha mais peso ao olharmos o pano de fundo do filme, a insurgência de um povo sofrido contra uma máquina de poder corrompida. A história se passa “há muito tempo atrás”, mas está mais perto de casa do que podemos imaginar.

“Rogue One” também tem a ver com os ícones de Star Wars e, aqui, temos uma revitalização, ainda que com pouco tempo de tela, de Darth Vader (dublado, como na trilogia original, por James Earl Jones). É interessante comparar o momento que o conhecemos, em “Uma Nova Esperança”, com o Vader de agora. Em “Rogue One”, o diretor Gareth Edwards fez escolhas que colocam o vilão como uma encarnação do medo. A começar pela apresentação, quando o vemos sem sua vestimenta preta, tratando de suas feridas na sua câmara de recuperação. Então, quando ele surge na forma tradicional, vem acompanhado de uma sombra gigantesca, que vai de ponta a ponta da tela (imagine isso no Imax). Este Vader ameaça com pouco, surge do meio da escuridão e tem uma sequência com seu sabre de luz que arrancou palmas da sessão em que eu estava. Disney e LucasFilm realmente deveriam considerar usá-lo mais vezes.

Darth Vader chegando para uma conversinha.

Mas, “Rogue One” tem alguns problemas, a começar pelo ritmo do roteiro de Chris Weitz e Tony Gilroy. Há, claro, diversas sequências de ação e batalhas – e aquela que ocorre nas praias de Scarif é memorável porque está livre de qualquer amarra -, mas entre elas, a história acaba ficando muito arrastada em alguns momentos. Há também algo que transcende este filme e é mais relacionado à franquia como todo: a repetição. Quantas vezes já não vimos os mesmos tiroteios de naves no espaço, planetas com campos magnéticos ou com clima hostil e cânions? O mesmo vale para o design de produção das áreas internas, Star Wars já colocou os espectadores em salas com o pé direito gigantesco inúmeras vezes.

Agora, há repetição e há homenagens bem feitas, como é o caso das animações das naves chegando em hipervelocidade de outras dimensões. O efeito usado deixa com o mesmo aspecto dos filmes da trilogia original (que usou recortes de imagens), pode parecer estranho para quem está chegando agora (especialmente com as tecnologias de hoje), mas é um aceno legal aos fãs mais antigos.

“Rogue One” é uma história única, a LucasFilm já afirmou que não terá uma continuação. O que, no final, foi um grande trunfo da produção, que teve a possibilidade de realizar um filme corajoso e que o coloca entre os mais interessantes dessa prolífica franquia que é Star Wars.

Cinema? Quanto mais melhor, de qualquer tipo. Música? Toda hora. Video-game? Mas, por que não? Este jornalista, que também trabalha como tradutor, tem uma curiosidade bastante aguçada pela cultura pop no geral.