Planeta dos Macacos: A Guerra em 7 tópicos

Planeta dos Macacos: A Guerra em 7 tópicos

Planeta dos Macacos: A Guerra é terceiro tiro que acerta

 

1 – Dizem que é quase uma regra o terceiro filme de uma trilogia cinematográfica ser o pior dos três. Os exemplos são numerosos: ‘Máquina Mortífera 3’, ‘Matrix Revolutions’, ‘Homem-Aranha 3’, ‘O Exterminador do Futuro 3’, ‘O Poderoso Chefão 3’… Claro que existem inúmeras exceções e, felizmente, ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ (‘War For The Planet of The Apes’ – EUA/2017) é uma delas: não só consegue ser tão bom – é quase melhor do que os longas anteriores;

 

2 – Matt Reeves é um ótimo diretor – zeloso, que trata cada tomada, cada cena com total esmero. Tem a mão boa nas ótima cenas de ação e coloca a emoção certa nas sequências mais tristes e dramáticas. Se esse cara fizer esse trabalho caprichado (aliado a um bom roteiro) no próximo longa-metragem solo do Batman, o herói encapuzado pode ganhar um de seus maiores filmes em breve;

 

3 – Tecnicamente, ‘A Guerra’ é muito superior aos filmes anteriores: os símios digitais da Weta de Peter Jackson & cia estão mais impressionantes do que nunca. O realismo dos bichos chega a assustar – principalmente nas cenas em que interagem com os humanos, com outros animais ou quando sofrem ações do clima e dos fenômenos naturais. A fotografia também é primorosa;

 

4 – Definitivamente, ‘Planeta dos Macacos: A Guerra’ não é exatamente um filme de ação – apesar das ótimas cenas de ação. O drama, a filosofia humana e a crítica social são o forte aqui mas apesar disso, o filme prende a atenção pois o suspense é quase constante – com ameaças sempre à espreita;

 

5 – Aqui, Cesar (Andy Serkis) e sua “tribo” assumem de vez o protagonismo da trama. E sim, os macacos são os heróis e os seres humanos – belicistas e instintivamente cruéis – são os vilões. Os símios em sua maioria são muito mais coerentes, amorosos e respeitosos com a própria espécie e apesar da ferocidade com que exterminam seus inimigos, muitas vezes se mostram piedosos com os humanos;

 

6 – O elenco é outro grande destaque: além de Serkis (já falo dele), o carismático Woody Harrelson interpreta com maestria um militar psicótico e sanguinário que pretende exterminar todos os símios e que acaba se tornando o principal alvo do vingativo e enfurecido Cesar. E tem Nova (Amiah Miller), uma menininha humana, órfã e muda que se torna protegida de Cesar e seu grupo. A jovem atriz fala com o olhar, tem carisma, transborda emoção e é simplesmente linda! Ainda vale citar o personagem que surge na trama e nos dá um pequeno alívio cômico, sem exageros: o inteligente, tagarela e expressivo “Macaco Mau” – interpretado (também por captura de movimentos e voz) pelo gaiato Steve Zahn.

 

7 – Andy Serkis: esse camarada merece um tópico à parte. O multifuncional, carismático e ultratalentoso ator que deu vida ao Gollum/Sméagol, ao King Kong, a alguns personagens de comédias românticas, a um vilão da Marvel, a homens do mar e aos mais variados tipos está mais inspirado do que nunca aqui. É um erro grosseiro, falta de sensibilidade e um baita preconceito dizer que não há uma grande interpretação ali, por trás dos efeitos digitais que dão forma ao chimpanzé Cesar. O olhar, as expressões do ator estão ali, além da captura de movimentos faciais e corporais. Fui a uma sessão especial para a jornalistas e blogueiros e logo após o término do filme, o próprio Serkis chegou na sala onde o ótimo filme foi exibido para uma coletiva de imprensa. Alguns jornalistas foram selecionados para fazer suas perguntas e eu mesmo querendo saber como deve ser difícil (e cansativo) interpretar um macaco daquela forma – tendo que emular os movimentos, os sons e as expressões típicas do animal… e ao mesmo tempo transmitir uma emoção totalmente humana, que chega a comover o expectador.

Num determinado momento, prestes a encerrar sua entrevista, ele respondeu aquela (já) velha questão: se o ator que faz esse tipo de interpretação (de captura de movimentos e tal) merece o reconhecimento e até as premiações dadas aos atores que interpretam exclusivamente papéis de “carne e osso”. Ele respondeu que gostaria, sim, de ser premiado (“Por quê não?”) e mais valorizado por seu trabalho… mas, porém, no meio cinematográfico ainda há muito preconceito – principalmente de pessoas mais velhas e tradicionalistas da indústria cinematográfica. Chateado, ele concluiu: “Isso é muito frustrante…”. Ele se despediu do público e na saída, escoltado por seguranças, vinha beirando justamente a fileira onde eu estava acomodado. Me levantei e acenei pra ele. O cara deu aquela “meia parada”, me olhou e eu lhe disse, rapidamente: “Andy, você é um GRANDE ator. Obrigado por ter vindo aqui e parabéns pelo seu ótimo trabalho, cara!”. E Andy Serkis desfez a cara séria num largo sorriso, bateu com a mão aberta no lado esquerdo do peito e me respondeu, nitidamente satisfeito: “Ora… eu que te agradeço. Obrigado!”.

 

Ele realmente é fora de série!

 

Conheça o livro que inspirou a série