A origem da boneca sinistra – Annabelle 2: A Criação do Mal

A origem da boneca sinistra – Annabelle 2: A Criação do Mal

Divertida sequência consegue dar bons sustos e supera o primeiro spin-off com a boneca de ‘Invocação do Mal’

 

O cineasta sueco David F. Sandberg começou a se tornar mundialmente conhecido por seus curtas de terror, que imediatamente fizeram sucesso na internet. ‘Lights Out’, o mais famoso deles, se destacou pela honesta concepção de um clima assombroso (e de medo latente) com pouquíssimo investimento financeiro e bastante criatividade.

 

Não demorou muito pra Sandberg ser convidado por produtores de Hollywood para dirigir a boa versão cinematográfica de ‘Lights Out’ em 2016 (que aqui recebeu o título ‘Quando As Luzes se Apagam’). E eis que agora temos ‘Annabelle 2: A Criação do Mal’ (Annabelle Creation’ – EUA/2017) com Sandberg na direção.

 

Confesso que esperava absolutamente nada desse novo spin-off com a boneca sinistra, que apareceu nas telonas pela primeira vez no incrível ‘Invocação do Mal’. O primeiro ‘Annabelle’ (2014) foi realmente uma decepção: não chegava a ser um total desperdício de tempo mas, o roteiro mal ajambrado e o final piegas e forçado quase colocaram tudo a perder.

 

Surpresa positiva

Pra minha grata surpresa… o novo filme é bom! Cumpre o que promete, consegue “tirar leite de pedra” com aqueles ‘jumpscares’ batidos – fazendo com que muitos deles, mesmo que previsíveis, ainda funcionem bem. A trama aborda justamente a origem da boneca e os motivos que a levaram a se tornar uma espécie de “condutor de forças demoníacas”. Sim, praqueles que ainda não conhecem a “personagem” surgida no primeiro ‘Invocação do Mal’ de James Wan, vale informar: não vá ao cinema achando que vai assistir a um terror cômico, uma espécie de “Chucky de vestido”. A boneca não é viva, é um brinquedo (bem sinistro, mas é um brinquedo), um objeto que por si só não ameaça ninguém: o que faz o estrago é quem (ou o quê) a acompanha – levando morte e desgraça aos seus azarados donos.

 

Ambientado nos anos de 1943 e 1955, o filme começa muito bem, contando a história de Samuel (Anthony LaPaglia) e Esther Mullins (Miranda Otto), um típico casal feliz, honesto e muito religioso e que vive com a filha pequena no interior dos EUA. Samuel é um respeitado e requisitado dollmaker da região e constrói a boneca Annabelle (a primeira de uma série limitada). Porém, uma terrível tragédia faz com que uma maldição recaia sobre a família, que passa a viver reclusa. Doze anos depois, os Mullins decidem abrigar em seu casarão um grupo de meninas órfãs tuteladas por uma jovem freira (Stephanie Sigman, da série ‘Narcos’ – excelente!). Não demora muito, uma das meninas descobre a boneca trancada num armário e a desgraceira toda vem à tona.

 

Boas atuações

O elenco (feminino e muito jovem em sua maioria) é ótimo e sabe expressar as angústias de meninas órfãs e à mercê da sorte de serem adotadas (ou não), tendo que repentinamente enfrentar forças sobrenaturais. A reconstituição de época e a fotografia são extremamente favoráveis à construção do clima que gradativamente vai se tornando mais incômodo, claustrofóbico e assustador. Vale destacar também uns links muito interessantes com um certo personagem do sensacional ‘Invocação do Mal 2’… mas vejam o filme e descobram qual é.

 

Por fim, David F. Sandberg pode não ser (ainda) um James Wan… mas com ‘Lights Out’ e com esse novo ‘Annabelle’ o cara mostrou que tem a mão muito boa pro terror e que veio pra ficar – com potencial de se tornar um diretor tão competente quanto o malaio responsável pelas franquias ‘Insidious’, ‘Invocação do Mal’ e pelo futuro filme solo do super-herói Aquaman.

 

Para mais alguns sustos