Mulher-Maravilha é a mudança que os filmes de super-herói precisavam

Mulher-Maravilha é a mudança que os filmes de super-herói precisavam

Mulher-Maravilha é diferente de todas as outras produções do gênero. Filme surpreende pela qualidade do roteiro, da direção e das atuações

 

Vivemos tempos de reconfiguração de papeis, de mudanças de paradigmas.  Vemos crescer a discussão sobre questões de gênero de maneira mais ampla. E a condição das mulheres nos diferentes ambientes – no trabalho, em casa, nos relacionamentos – vem, pelo menos, sendo comentada mais e mais.

 

É nesse contexto que Mulher-Maravilha se encaixa. Não, não se trata de um filme panfletário feminista. Pelo menos não diretamente. Mas sua mera existência em tempos tão agudos pode e deve ser considerada uma vitória.

 

Para começar

Mulher-Maravilha é um filme de origem, de apresentação ao grande público de quem é essa pessoa que teve uma passagem rápida por Batman vs Superman (BvS) e que vai juntar a Liga da Justiça ao lado do Batman, no filme que estreia em novembro.

Isso significa que começamos com Diana ainda criança, crescendo em Themyscira, sua Ilha Paraíso. Filha da rainha, a jovem princesa dá indícios claros do que pode se tornar, ao demonstrar muito mais interesse pelos treinos de luta com sua tia Antíope, do que com qualquer tipo de estudo.

 

Aqui entra um dos elementos mais legais do filme. Ao mostrar a infância da heroína, Mulher-Maravilha encanta as meninas, que nunca na História dos filmes de super-herói tiveram um modelo tão pronto (e bom) para se espelhar.

 

Já que a Marvel é da Disney hoje em dia, vale comparar. Mesmo sendo filha da rainha, Diana é a anti-princesa. Nada de esperar pelo príncipe. Aliás, nada de esperar por ninguém. Ela é dona de seu destino e faz o que acha certo, sempre.

 

Realidade fantástica

Diana e as amazonas são surpreendidas na sua pacífica vida pela chegada de um homem, o capitão Steve Trevor, um espião dos EUA que foge dos alemães que o perseguem e que acaba na praia da tal ilha paradisíaca.

 

Outra excelente escolha que diferencia a Marvel da DC no cinema: não tem Hidra para disfarçar que estão falando de alemães (que, nesse caso, ainda não são nazistas). São alemães mesmo e a guerra é a Primeira Guerra Mundial, com toda sua carga de morte e desastres.

 

Importante também citar que não há nenhum receio em colocar Diana no meio da Mitologia Grega. Aqui os deuses existem e ponto final. Nada de frescura em dizer isso, em disfarçar magia com “tecnologia avançada”, como fazem na Asgard do Universo Marvel.

 

 

Seu nome é Gal

Mas tudo isso só funciona porque Gal Gadot está lá. Muito nerd sem noção reclamou quando viu a moça nas primeiras fotos, ainda antes de BvS ser lançado. “Ela é muito magrinha”, diziam, entre outras bobagens.

 

Bom, só posso dizer que aquelas botas vão andar sobre você, amigo nerd bobão. Gal tem a mistura perfeita entre suavidade e potência. É muito fácil acreditar que ela é capaz de quebrar a cara dos soldados nas trincheiras e, logo depois, ser a mais pura expressão da bondade ao lidar com os moradores de uma vila assolada pela batalha.

 

Não foram poucos os closes em seu rosto que fizeram a plateia da sessão em que estive prenderem a respiração. Seus olhares e expressões, que vão da agressividade à perplexidade diante de um mundo dominado por homens e que não respeita as mulheres, são determinantes para fazer com que a personagem e o filme todo funcionem.

Chris Pine é Steve Trevor e entrega uma interpretação segura e que não tenta ofuscar (talvez não conseguisse nem se tentasse) o que Gal Gadot faz da sua Mulher-Maravilha. Nos diálogos e nas diferentes cenas, somos sempre lembrados de que ela é maior do que ele, em todos os sentidos.

 

One of a kind

Mulher-Maravilha faz parte do Universo DC, mas é um bicho solto, sem amarras à tapeçaria que está sendo criada. Sim, há citações ao restante do mundo, mas elas são leves e muito simples.

 

Essa liberdade fez Patty Jenkins criar um épico que vai das Amazonas guerreiras numa ilha que parece ser grega, ao interior da Bélgica dominada pela Alemanha. Tudo isso com uma mulher maravilhosa se indignando com os horrores da guerra e cumprindo seu papel de protetora da humanidade.

 

O filme pode até ser descrito como uma mistura dos dois primeiros filmes do Super-Homem, com 300 e O Resgate do Soldado Ryan.

 

Dos primeiros traz a leveza de um super-herói que inicia sua vida pública e que tem um amor humano e também amor pela humanidade como um todo. De Esparta tem a ferocidade das lutas com espadas, escudos, lanças e flechas. E do último, uma reconstrução de época muito caprichada, mostrando a guerra pelo olhar das pessoas que estavam vivendo ali.

 

É essa combinação que transforma Mulher-Maravilha na melhor coisa que este Universo Cinematográfico DC já fez. Não tem o peso e o sofrimento de O Homem de Aço e Batman vs Superman, mas não é engraçadinho e leve demais como a maior parte dos filmes da Marvel.

 

O tom é exato, no meio de tudo isso. E, goste ou não do filme, Mulher-Maravilha é, antes de tudo, necessário. Para mostrar, finalmente, que é possível fazer um blockbuster com uma super-heroína. Para quebrar padrões pré-estabelecidos. E para iniciar uma nova fase da DC e dos filmes de super-heróis.

Para completar a experiência

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).

1 Comentário

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