Moana: Desbravando mares desconhecidos

Moana: Desbravando mares desconhecidos

 

Ousadia e fidelidade cultural marcam a apresentação da nova princesa Disney, Moana

Por Guilherme Franco

 

A Disney confiou a direção de seu mais novo filme, Moana, aos veteranos Ron Clements e John Musker. A dupla é conhecida por clássicos como Aladdin (1992) e A Pequena Sereia (1989), filmes que fizeram parte do Renascimento da Disney. Os diretores ajudaram a criar a fórmula de animações musicais que continua a fazer sucesso até os dias de hoje.

 

moana

Que coisinha mais fofa! (reprodução/Disney)

 

Antes de tudo, é importante deixar claro que, em essência, Moana é um clássico musical da Disney, mantendo-se na mesma linha de Frozen. Em todos os outros aspectos, porém, as escolhas são tão ousadas que é bastante louvável a forma como toda a equipe do filme conseguiu representar tão bem uma cultura nunca antes explorada pelo estúdio. Um dos principais direcionamentos para Moana, reforçado pelo produtor John Lasseter, foi o de representarem os povos do Pacífico Sul da forma mais fiel possível. Tudo precisava indicar que a história realmente se passava na Polinésia, e não em uma ilha genérica que pudesse ser confundida com o Caribe, por exemplo. Ian Gooding, o Production Designer do filme, conta que houve uma extensa pesquisa sobre as características únicas observadas em cada uma dessas ilhas, como Samoa, Taiti e Tonga.

 

Pra manter todo esse nível de autenticidade foi formado o Oceanic Trust, um grupo de antropólogos, geólogos, historiadores, linguistas, coreógrafos, entre outros especialistas nativos das ilhas da Polinésia. O feedback desse grupo foi fundamental para guiar e orientar a produção. Equipes de profissionais do filme, incluindo os diretores, fizeram várias viagens às ilhas para se consultarem e experienciarem a realidade dos lugares. Isso tudo fica evidente no filme, onde cada detalhe nos faz entender melhor os costumes e o estilo de vida daqueles povos, que eram mestres na arte da navegação.

 

Ou seja, dessa vez a Disney se preocupou muito com uma representação cultural bem fiel e respeitosa, já que já existiram algumas polêmicas relacionadas a filmes como o próprio Aladdin (1992) e também Pocahontas (1995). Opetaia Foa’i, que assina as composições musicais do filme, juntamente com Mark Mancina e Lin-Manuel Miranda, nasceu em Samoa e ajudou a criar uma mistura de ritmos e linguagens que nos aproxima das manifestações culturais polinésias.

 

Pesquisa para ter maior fidelidade (Reprodução/Den of Geek)

 

Apesar desse cuidado com o realismo, o filme não deixa de estar cheio de fantasia e aventura. A narrativa mistura fatos históricos com a mitologia polinésia da criação. A história tenta relacionar a pausa de vários anos nas navegações dos polinésios com o sumiço de uma pedra mágica que seria o coração da deusa Te Fiti, responsável pela vida. Enquanto essa pedra está perdida, uma escuridão vai se alastrando e prejudicando ilhas como Motunui, um lugar fictício e terra natal da protagonista Moana (Auli’i Cravalho). Seu pai, Tui (Temuera Morrison), é o líder local, e por isso Moana seria a “princesa” e futura governante de Motunui. Quando coloco princesa entre aspas é porque a própria Moana se recusa a ser chamada assim, e o filme não tem medo de brincar com esses estereótipos.

 

É na jornada de Moana para retornar a pedra ao seu lugar de origem que conhecemos todos os personagens. Não existe nenhum deles que não seja carismático, inclusive os inimigos e monstros. Até mesmo o mar é um personagem e consegue ser representado com muita personalidade, apesar de não ter uma linha sequer de diálogo, fazendo um paralelo interessante com o tapete mágico em Aladdin, outro personagem com características semelhantes. O principal destaque vai para Maui (Dwayne Johnson), um semi-deus trapaceiro que acaba preso em uma ilha por mil anos até ser encontrado por Moana. Ele é o contraponto da protagonista, e sempre tenta desmotivá-la a continuar em sua jornada. As cenas mais engraçadas são, em sua maioria, protagonizadas por Maui e suas tatuagens vivas, que nem sempre estão de acordo com o que pensa o semi-deus.

 

O que une todas as motivações é o sentimento de Resgate. Moana quer resgatar o espírito aventureiro e desbravador de seu povo, que atravessava oceanos para descobrir novas ilhas para habitar, enquanto Maui quer resgatar sua relação com os homens, sendo novamente um herói pra eles. Com esses motivos altruístas, não existe espaço para romance e o filme nem se preocupa em mostrar uma relação amorosa além da de Tui e Sina (Nicole Scherzinger), os pais de Moana. Somado a isso, vemos também um resgate às animações 2D em um longa-metragem Disney, mesmo que modestamente, seja nas tatuagens de Maui ou na apresentação da música “You’re Welcome”, dirigidas pelo experiente animador Eric Goldberg.

 

Enfim, é um filme recomendadíssimo. Visualmente impressionante e com cores vibrantes, Moana desperta a curiosidade para tudo relacionado à história desses lugares maravilhosos, que nunca tiveram tanta oportunidade de serem retratados dignamente em filmes. O roteiro é bem equilibrado e o filme consegue facilmente agradar a públicos diferentes.

 

Com toda essa qualidade e carinho, fica no coração uma vontade enorme de explorar com a Disney e conhecer todos os novos e incríveis lugares que podemos descobrir.

 

Moana: Um Mar de Aventuras estreia no Brasil em 5 de janeiro.

 

 

Guilherme Franco é formado em Animação e Artes Visuais pela UFMG, trabalha com ilustração desde 2009, participando da produção de comerciais e clipes com o coletivo de artistas Grimorium, e ministrando cursos de Criação de Personagens e Arte nos Games. É especializado em Visual Development para games e animações, cria personagens para séries de TV e cinema e compõe a equipe de desenvolvimento da Redzero.

 

 

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