Disney chega com o que faz de melhor: um filme-família

Disney chega com o que faz de melhor: um filme-família

“Meu Amigo, o Dragão”, refilmagem do clássico de 1977, é programão para pais e filhos

Sabe aqueles filmes que você leva a criança, dizendo que é para ela, mas na verdade é você mesmo o maior interessado? Meu Amigo, o Dragão é desses.  E aviso: é filme para deixar com vergonha os marmanjos, porque a chance de se esvair em lágrimas é imensa.

Em 1977, quando a primeira versão do filme foi lançada, Elliot, o Dragão, era um desenho animado. Isso contribuía para uma aura de fantasia maior, uma ideia de que, talvez, Elliot fosse o amigo imaginário de Pete, o menino que se perde na floresta e tem no bicho seu protetor.

Na versão atual tudo é bem diferente. Construído digitalmente, Elliot é tão realista quanto um dragão verde e peludo pode ser. Os efeitos são muito caprichados, tornando mais imersiva a fantasia.

A história

 

Pete é um menino de cinco anos que sofre um acidente de carro numa floresta e acaba sem os pais e salvo por um dragão. Simples? É mesmo, e por isso que é bom. Sem fazer concessões e lidando com temas como morte e família de maneira direta e sincera, o filme não trata as crianças como idiotas – o que é excelente, pois elas realmente não são.

Depois de cinco anos vivendo sozinho com o dragão na floresta, Pete é descoberto por uma guarda-florestal chamada Grace, muito bem interpretada por Bryce Dallas Howard. O detalhe é que o pai de Grace, um velho escultor de madeira de nome Meacham, vive encantando as crianças da cidade com suas histórias sobre o temível dragão que mora no meio da floresta do Noroeste do Pacífico. O senhor Meacham é o único que acredita, realmente, que um dragão pode existir.

Robert Redford

Clássicos são clássicos

O detalhe é que Meacham é interpretado por ninguém menos do que Robert Redford. E aí vemos a diferença que um bom ator faz. Redford participa rapidamente no primeiro ato e volta para o clímax na parte final do filme. Mas sua presença é tão marcante que muda o panorama da produção.

Voltando à narrativa, além de falar sobre a amizade entre um menino e um bicho enorme (mas não aterrorizante), Meu Amigo, o Dragão também traz uma mensagem maior, de proteção à natureza. Pete e Elliot só são descobertos porque a madeireira local está avançando em direção a áreas de proteção ambiental.

Para interligar tudo isso, o namorado de Grace, Jack (Wes Bentley) é o dono da madeireira e tem uma filha, Natalie (Oona Laurence), que evidentemente se encanta com Pete e o Dragão. Para dar mais um molho, o irmão e sócio de Jack, Gavin (o queridinho dos nerds, Karl Urban), quer caçar Elliot para mostra-lo ao mundo – e fazer fortuna com isso.

Elenco interessante

Se Redford é o destaque, a escolha do restante do elenco é muito interessante. Pete é interpretado por Oakes Fegley, um menino que não tem outro jeito de dizer: é fofo. Sua dinâmica com Elliot é incrível, especialmente porque trata-se de um dragão construído inteiramente em CGI. Ele tem olhares ternos, emocionados, que mexem até com os corações mais gélidos.

Crianças excelentes!

Crianças excelentes!

A outra criança, Oona Laurence, também não faz feio. Especialmente no último ato, sua personagem Natalie ganha espaço e, sem forçar, ela consegue se mostrar como uma verdadeira heroína de ação. Um bom exemplo para as meninas que virem o filme.

Mulher de verdade!

Mulher de verdade!

Mas a surpresa mais legal é Bryce Dallas Howard. Os nerds lembram-se dela pelo malfadado Homem-Aranha 3, em que ela interpreta Gwen Stacy. Mas agora, mais velha, ela é extremamente crível no papel de uma guarda-florestal do norte dos Estados Unidos. O que quero dizer com isso? Bem, ela não é apenas uma gostosona que está lá para atrair o olhar dos papais. Seu figurino e seu corpo são de uma mulher que trabalha andando no meio da floresta e não de uma capa da Playboy.

Isso significa que ela é feia? Evidentemente que não. Ela é linda. Mas é normal. Pode parecer bobagem isso, mas tem tanto casting feito atualmente em que a atriz está escalada, literalmente, pela bunda, que ver uma menina bacana, de jeans e camisa xadrez, é um belo alívio.

Para chorar (sem spoiler)

A relação de Pete com o seu dragão, evidentemente, passa por um abalo quando Elliot é descoberto. E os encontros e desencontros levam a uma montanha-russa de emoções. Faz pensar em amizade, liberdade e no que, realmente, significa ter uma família.

Nesse sentido, lembra bastante Lilo & Stitch. Sendo o filme-família que é, da Disney, é claro que tem final feliz. Mas é, até certo ponto, surpreendente. E faz a plateia chorar justamente por isso. Porque tudo acaba bem. E atualmente, nessa vida louca de todo mundo, nada melhor do que acabar tudo bem.

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).