A Menina Índigo poderia ter dado mais aos espectadores

A Menina Índigo poderia ter dado mais aos espectadores

Filme deveria ter explorado mais a vida da garota e não os dramas de seus pais e avós

 

O filme A Menina Índigo não se desenhou para ser um filme kardecista, de crianças especiais que reencarnaram com a missão de fazer do mundo um lugar melhor. Foi um filme que tinha a temática como pano de fundo para um drama real. A educação de crianças fora do padrão e como pais lidam com essas diferenças. Talvez tenha sido essa decisão que tenha tirado o filme dos trilhos.

 

Levando para o paralelo de Nosso Lar, do mesmo diretor, Wagner de Assis, que foi um baita filme espírita e representou muita gente, não sei se A Menina Índigo vai conseguir essa façanha. Não conseguiu comigo, que fui à cabine cheia de expectativas e acabei vendo um drama confuso que deixou várias pontas soltas. Pontas essas que se não tivessem lá, não fariam falta nenhuma.

 

Ao assumir seu viés espírita, talvez o diretor pudesse ter explicado melhor os “poderes” da personagem principal, a fofinha atriz mirim Letícia Braga. Teria explorado como essa criança se descobre diferente, porque o mundo em que vive é tão dolorido para ela e como ela e outras que existem por aí, podem se posicionar em um mundo conservador e fundamentalista. Como ser aceita e respeitada e como os pais, céticos por natureza, poderiam entender aquele ser que os escolheu para reencarnar.

 

Murilo Rosa e a fofíssima Letícia Braga

Mas o filme foi por outro lado e ficou muito baseado nos dramas pessoais dos personagens adultos. Murilo Rosa, o pai, é repórter, está investigando um caso de corrupção e descobre que seu pai, um poderoso empresário está envolvido. A mãe, interpretada pela atriz Fernanda Machado é executiva e, ao invés de lidar com a forma especial da filha ver a vida, a reprime e super protege.

 

 

Entre uma briga e outra ambos começam a ver que precisam entender melhor o que se passa com a filha, mas é outro repórter, vivido por Eriberto Leão, colega de Rosa na redação, que acaba investigando sobre as crianças Índigo e resolve fazer uma matéria sobre a menina. Nesse meio tempo, o avô corrupto se aproxima da neta e muda de vida. Após ser “curado” por ela de uma úlcera e tocado por suas pinturas fantásticas, resolve mudar de vida e entregar as provas que tem para o filho. Pareceu confuso? É mesmo.

 

Faltou profundidade

A questão é que o filme acaba com os pais da garotinha se reconciliando e eles vivendo felizes para sempre com uma casa colorida e ninguém ficou sabendo o que o filho fez com as provas sobre o pai. Ou seja, essa parte da história nem precisava estar lá. Não fez falta na narrativa e só roubou tempo de filme. Tempo esse que poderia ter sido usado para descrever mais esse lance de ser Índigo. Do tempo que ela passa na escola, da integração dela com outras crianças. Mas nada disso aconteceu. E eu fiquei com aquela sensação de que a obra ficou manca, inacabada, sem nexo.

 

Uma pena, já que essa mensagem de esperança vem tão a calhar nesse momento intolerante de nossa história. O filme estreia dia 12 de outubro em todo território nacional.

 

 

Alexandra Santos é jornalista, empresária, umbandista e ativista contra o preconceito religioso

 

 

 

 

Para quem quiser saber mais sobre o assunto

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