Longa vida ao rei: Rei Arthur – A Lenda da Espada é clássica Sessão da Tarde

Longa vida ao rei: Rei Arthur – A Lenda da Espada é clássica Sessão da Tarde

Nova versão do mito de Arthur é diversão sem pretensões. E isso é muito bom

 

Guy Ritchie é o tipo de diretor que tem uma assinatura. Não há como escapar das sempre presentes sequências de diálogos rápidos e espertos, da sua mania em brincar com flashback e fast foward e de seu sagaz humor inglês.

 

Essas características estão presentes dos dos cult “Snatch – Porcos e Diamantes” e “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes”, até nos blockbusters da série “Sherlock Holmes”. E é da junção desses filmes que nasce Rei Arthur – A Lenda da Espada.

 

Mergulhando em um dos mais eternos clássicos heroicos, o filme reconta a trajetória daquele que nasceu rei, mas que só chegou ao trono após retirar a espada da pedra. Mas nas mãos de Ritchie, essa narrativa que já foi vista tantas e tantas vezes ganha em humor, dinamismo e, principalmente, em cenas de ação.

 

Mais que capa e espada

É de se esperar que um filme do Rei Arthur tenha inúmeras batalhas entre espadachins, afinal, muito da história gira em torno da espada Excalibur – e o próprio título desta produção ressalta isso.

 

Porém, o caminho escolhido aqui é o de retratar com mais ênfase quem é Arthur antes de ser rei. Como ele se torna alguém que fará, um dia, a sua Távola Redonda ser colocada para reunir seus cavaleiros. Um líder sim, mas moldado à base de muita porrada.

 

Se na belíssima versão em desenho animado da Disney, “A Espada era a Lei”, o menino é um cavalariço e escudeiro, nesta versão moderna e de gente grande, Arthur foi encontrado nas águas do Tâmisa por um grupo de prostitutas e criado num bordel.

 

Um ambiente tão saudável só poderia gerar aquele tipo de homem street smart, conhecedor da cidade e de sua gente. Pronto para acessar seus contatos e fazer funcionar uma rede de associados que o ajuda em qualquer circunstância.

 

Se desse jeito parece bonitinho, deixa eu explicar melhor. Neste filme, Arthur é, basicamente, um mafioso.

 

A trama

Mas calma, antes desse cara de boas intenções, mas que dança em cima da linha entre a lei e o crime virar rei, é preciso entender porque o príncipe foi parar na zona.

 

Tudo gira em torno de um único sentimento, um dos mais humanos entre todos: a inveja.

O impressionante Jude Law

Interpretado de maneira espetacular (não é exagero, é muito bom mesmo) por Jude Law, Vortigern é irmão de Uther (Eric Bana), o rei. Mas aí, sabe como é… Por que só meu irmão tem tudo e eu não tenho nada?

 

Uma coisa leva à outra, um pactozinho com as forças mágicas do mal aqui e outro ali, e pronto! Vortigern vira um rei que governa com mão de ferro, enquanto busca consolidar sua magia para que não possa mais ser incomodado.

 

Tudo vai bem até que as águas ao redor de Camelot, o castelo em que vive o usurpador, baixam e revelam uma espada enfiada numa pedra. Aí o vilão começa a tremer, porque sabe que o verdadeiro rei vai chegar e causar uma revolução.

 

 Bons atores e bom 3D

Oliver, é você?

Para o papel de Arthur foi escolhido Charlie Hunnam, conhecido pela série “Sons of Anarchy” e que já havia experimentado os filmes de ação como o Raleigh de “Círculo de Fogo”. Cotado para viver o Arqueiro Verde no Universo Cinematográfico da DC (o que não faz um cavanhaque num cara loiro), Hunnam convence no físico e na interpretação.

 

Evidente que ele não está no mesmo nível de Jude Law ou mesmo de Djimon Hounsou, que interpreta o cavaleiro Bedivere, mas o Arthur desse filme é ainda um garotão. Muito esperto e experiente em lidar com situações complicadas. Mas que ainda tem muito a aprender.

 

E é impossível terminar qualquer texto que fale desse filme sem destacar o esmero com o 3D. Usado de maneira correta em Rei Arthur – A Lenda da Espada, o recurso joga o espectador para dentro da trama.

 

As batalhas nas quais a magia é usada ficam incríveis, em especial a linda sequência inicial, da batalha de Uther nos portões de Camelot. Mas também na correria urbana medieval há uma boa utilidade para os incômodos óculos.

 

Nasce um rei, nasce uma franquia

Por todo o investimento da Warner nesse filme, fica muito clara a intenção de criar uma nova franquia. E o filme realmente abre essa possibilidade. Não é nada explícito, não ficam pontas soltas (ou seja, se acabar aqui, tudo bem), mas as portas estão abertas.

A espada na pedra

Seria bem interessante ver isso acontecer, especialmente porque esse estilo de história está prestes a nos deixar, com o final de Game of Thrones se avizinhando. E aqui a coisa é mais leve, mais para a massa mesmo. Mas isso não diminui seu coeficiente de diversão.

 

É bom entender que Rei Arthur – A Lenda da Espada não é o melhor filme de Guy Ritchie e talvez nem fique tanto tempo em cartaz, com Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar e Mulher-Maravilha estreando nas próximas semanas. Mas é aquela clássica “Sessão da Tarde” da qual você sai do cinema com a certeza de que valeu a pipoca.

 

Para conhecer outra visão do Rei Arthur

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).