Janaxpacha é bom e rápido demais

Janaxpacha é bom e rápido demais

O primeiro curta-metragem brasileiro em 3D encanta pelas imagens, vale o ingresso, mas deixa a sensação de que faltou a finalização

A ideia do curta “Janaxpacha” surgiu há mais de 8 anos na cabeça da bailarina e diretora Katherina Tsirakis, e é possível compreender o motivo de ter levado tanto tempo para ser feito. Filmado em 3D no Salar do Uyuni, na Bolívia, o curta faz homenagem à Dali e Magritte e se propõe a usar o surrealismo para reflexão.

A obra teve a participação de gente bacana da indústria, como Beto Villares (“Xingu”, “Entre nós”, “Abril Despedaçado”), criador da trilha sonora juntamente com Erico Theobaldo, além de Renato Falcão como Diretor de Fotografia (“Rio”, e “A Era do Gelo: Big Bang”).

janaxpacha

A história acompanha Inti, um errante atormentado que vaga pelo deserto, não se sabe de onde vem ou para onde vai, mas que logo se depara com Thunupa – papel de Tsirakis – que o envolve de uma forma quase anestesiante através da dança. Em um ritual ela o transforma em outro homem, o oposto do primeiro, tranquilo, sossegado e satisfeito com quem é. Até que este novo homem se depara em um momento de reflexão com o seu antigo eu.

Mas é importante dizer: não existem reclamações sobre a filmagem! Som, edição, fotografia e atuação são ótimas, mas a produção tropeça nos 15 minutos.

A questão é que a ideia complexa e profunda sobre o questionamento do ser humano e seu lugar no mundo precisa de um pouco mais que o tempo oferecido no filme. Talvez um média-metragem pudesse esclarecer um pouco melhor, não deixando a sensação de que o fim foi rápido demais e não explorou o seu grande potencial.

E aí nos restou fazer esse texto curto, tão curto quanto o filme. E, quem sabe, te dar a mesma sensação.

Janaxpacha  poderá ser visto em circuito comercial, mas em salas selecionadas, a partir de 17/11.

Janaxpacha trailer from Katherina Tsirakis on Vimeo.