GUERRA CIVIL: OS SUPER-HERÓIS DA MARVEL CHEGAM À IDADE ADULTA

GUERRA CIVIL: OS SUPER-HERÓIS DA MARVEL CHEGAM À IDADE ADULTA

O terceiro filme do Capitão América – que mais parece um “Vingadores 2,5” – é o rito de passagem dos heróis coloridos da ‘Casa das Ideias’

Aquela ferramenta do Facebook que mostra o que estávamos fazendo anos atrás me lembrou que quatro anos atrás eu falava sobre Vingadores, o primeiro filme, e o chamava de “declaração de amor nerd”. Até repostei o texto, originalmente escrito em outro blog, aqui no Armazém para referência.

O que “Vingadores” tinha de solar, aberto e amigável, terminando com uma cena extra dos heróis comendo shawarma, “Guerra Civil” tem de sério, tenso e, de certa forma, intimidador. Agora os heróis precisam ser responsabilizados por seus atos e isso os conduz por um caminho em que tudo será questionado: suas crenças, suas certezas, seus medos e suas inseguranças.

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Não é que “Guerra Civil” seja um filme capaz de gerar incômodo pelo peso da narrativa como foi “Batman Vs Superman”. Longe disso. Não está no estilo estabelecido pela Marvel fazer algo tão sisudo, construir suas histórias assim. Mas as dores do crescimento chegaram e Capitão América e Homem de Ferro, especialmente, não podem mais negar que chegaram à maturidade.

Longe dos gibis

A Guerra Civil dos quadrinhos é muito diferente da apresentada no filme. Mas isso não é uma crítica, pelo contrário. Seria impossível transpor para as telas a quantidade de cronologia, de histórias, que as HQs carregam. Ainda assim, os elementos principais estão ali: o uso dos poderes sem medir consequências, jovens despreparados colocados em situações maiores do que sua capacidade de julgamento permite e dois lados que entendem de forma diferente os fatos que se desenrolam.

Sem dar spoiler: depois de uma missão que não acaba como deveria, os governos mundiais decidem que os Vingadores precisam ser controlados. E aí surge o tema central da trama: a culpa e como cada um lida com ela? O Capitão América enxerga que cada um deve consertar seus próprios erros, sem abrir mão da liberdade de como fazer isso. Já o Homem de Ferro entende que alguém outro deve ser responsável por punir os culpados quando algo sai do controle.

É um debate ideológico sim, mas que não é muito aprofundado no filme, que resume isso mais a lutas (muito boas, é preciso destacar) e um ou outro diálogo mais elaborado.

De toda forma, há uma evolução em termos de narrativa, em especial se compararmos com o errático “A Era de Ultron”, do qual esse filme deriva diretamente. Aqui temos uma história mais bem resolvida, um roteiro que se encaixa melhor – mesmo que tenha soluções rápidas e simples.

Quem reclamou da agora já clássica resolução “pondo a mãe no meio” de “Superman Vs Batman” vai ter motivos de sobra para falar mal das soluções puxadas da cartola desse “Guerra Civil”, que vão desde a aparição do Homem-Aranha, passando pela crença cega do Capitão América em seu amigo Bucky, até os motivos da briga final entre os heróis.

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Fan Service

Filme de super-herói não é filme de super-herói se não tiver fan service, aquelas cenas que acontecem só para deixar nerd feliz. E essas cenas de “Guerra Civil” são sensacionais. Se o Homem-Aranha aparece de um jeito meio forçado no meio do roteiro, suas falas, sua movimentação na tela, enfim, tudo que o envolve é para fazer fã do personagem chorar de alegria.

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Mantendo esse pique que vamos até esquecer da bobagem que foram os filmes com o Andrew Garfield. E até o Tobey Maguire vai ser apenas uma pequena lembrança razoavelmente interessante no canto da sala.

O Homem-Formiga é outro que, no pouco que aparece, rouba a cena. E qualquer coisa a mais que eu diga será spoiler. Mas afirmo: a cena que mais vibrei no cinema foi com ele.

No quesito agradar aos fãs, duas menções honrosas também precisam ser feitas. A primeira é a evolução de Anthony Mackie como o Falcão. Muito mais à vontade com o personagem, o ator brilha nas cenas de ação e em diálogos muito espirituosos, em especial nos confrontos com o Soldado Invernal pela condição de parceiro do Capitão América.

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A segunda é o Pantera Negra de Chadwick Boseman. O ator traz uma profundidade ao personagem que só me faz querer que o seu filme chegue amanhã. Me dá mais Wakanda porque foi pouco, muito pouco.

O brilho do homem de azul

Já que o assunto foi para atuações, há que se falar de Chris Evans. Para alguém que começou a carreira fazendo comédia adolescente, o ator teve uma evolução brutal. Não é fácil dividir a tela com um monstro do calibre de Robert Downey Jr. Mas Evans segura a bronca e entrega o Capitão América de verdade, aquele que vai até as últimas consequências para lutar por suas convicções, que não desiste de nada e de ninguém.

Wiliam Hurt, reprisando seu papel como o General Ross, só mostra o quanto é bom ter bons atores nos papeis certos, mesmo que com pouco tempo de tela. Alguém faz esse homem virar Hulk Vermelho, por favor.

Veredito

“Guerra Civil” não é, como muita gente por aí anda falando, ‘o melhor filme de super-heróis de todos os tempos’. Há uma lista de outras produções na frente. Também não dá para comparar com “Batman Vs Superman”, porque são obras completamente distintas, com objetivos absolutamente diferentes.

Mas é um filme que dá um passo a mais no que a Marvel já fez, assim como “Capitão América 2 – O Soldado Invernal” já havia feito. Parece haver em curso uma segmentação nesse universo cinemático, com filmes mais ‘família’ como “Homem-Formiga”, “Guardiões da Galáxia” e, possivelmente, “Homem-Aranha” de um lado; e uma temática um pouco mais profunda e com intenções de ser mais complexa na conta de “Capitão América” e até mesmo “Vingadores”.

E é essa complexidade que pode levar à evolução da Marvel no cinema. O público dos primeiros filmes envelheceu e os personagens e as tramas agora parecem ter feito o mesmo, seguido o mesmo caminho. Não é fácil ser adulto, mas as brincadeiras também podem ser mais interessantes.

Capitão América – Guerra Civil
Capitain America: Civil War
Direção: Joe Russo, Anthony Russo
Elenco: Chris Evans, Scarlett Johansson, Elizabeth Olsen, Robert Downey Jr., Sebastian Stan, Paul Rudd, Tom Holland, Martin Freeman, Jeremy Renner
Distribuidor: Disney
Duração: 2h27
NOTA DO THIAGO: 8,5

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).

2 Comentários

  1. […] e melhor para o Esquadrão enfrentar. Da mesma forma que “Capitão América – Guerra Civil” me decepcionou por simplificar demais algo que nos quadrinhos era muito maior, aqui fica a mesma sensação. Dava […]

  2. […] e melhor para o Esquadrão enfrentar. Da mesma forma que “Capitão América – Guerra Civil” me decepcionou por simplificar demais algo que nos quadrinhos era muito maior, aqui fica a mesma sensação. Dava […]

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