Esquadrão Suicida: diversão boa e simples

Esquadrão Suicida: diversão boa e simples

Filme dos vilões é básico, mas entrega mais do que prometeu nos trailers

 

Antes de começar a falar sobre o filme, preciso dizer quais são minhas bases para essa análise.

O Esquadrão Suicida é um dos meus grupos favoritos dos quadrinhos. Não esse Esquadrão de agora, dos últimos anos. Mas aquele nascido no coração da Guerra Fria, que era publicado lá no final da década de 1980 e início de 90 na revista “Liga da Justiça”, nos clássicos formatinhos da Abril.

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Tramas governamentais, invasão ao território comunista, combates contra terroristas islâmicos. Esse era o mundo do Esquadrão Suicida escrito por John Ostrander e desenhado por Luke McDonnell. Aquela equipe, formada por Pistoleiro, Capitão Bumerangue, Tigre de Bronze, Sombra da Noite, Magia e Rick Flag Jr me conduzia por um universo de personagens complexos e cheios de nuances, muito mais profundos do que a própria Liga da Justiça da época (que era mais humorística do que qualquer outra coisa).

Dito isso, já digo que gostei do que vi nas telas. É um filme inesquecível, espetacular? Não, não é. Mas está muito, muito longe de ser a bomba que estão dizendo por aí.

A essência do Esquadrão está ali: Amanda Waller – que não poderia ser interpretada por nenhuma outra atriz que não a diva Viola Davis – manipula e controla todos ao seu redor, no comando da Força-Tarefa X. Ela coloca como líder de campo o Coronel Flag e reúne, em suas palavras, “o pior do pior”. Que, nesse caso, são Pistoleiro, Arlequina, Crocodilo, El Diablo, Capitão Bumerangue, Amarra, Katana e Magia.

Fica perto do roster clássico dos quadrinhos e a interação entre eles funciona bem. Acredito que as pessoas estão exigentes demais e chatas demais também. Pode ainda ser um certo cansaço pelo excesso de produções desse gênero. Mas este “Esquadrão Suicida”, dirigido e escrito por David Ayer, não é pior, por exemplo, do que “X-Men Apocalipse”, só para comparar com um filme deste ano.

E é extremamente empolgante ver que agora, definitivamente, existe um Universo DC nas telas. Tudo está dado: Batman, Superman e todos os outros, tanto heróis, quanto vilões, existem plenamente. Aliás, há uma aparição inesperada que vai alegrar bastante aos fãs.

Pontos fortes

Um primeiro elemento muito legal é que “Esquadrão” teve um monte de trailers e featurettes mas nenhuma dessas prévias estraga a experiência. O filme é outra coisa. Não entregaram a verdadeira história em nenhum momento.

O filme acerta em ter um roteiro simples, bem direto, de fácil entendimento, e na escolha dos atores. Margot Robbie, a Arlequina, é impressionante. Rouba a cena fortemente. Se os boatos de que ela pode receber um filme solo (ou um filme só de vilãs) não forem verdade, a Warner pode fazer com que seja. Pra ontem.

Já sobre Will Smith não é nem preciso comentar muito. O cara sabe o que faz e cria um Pistoleiro que tem motivações muito claras e com quem é possível se relacionar. O filme, mais do que de qualquer personagem, é dele. O que é meio óbvio quando trazem um ator desse calibre para a brincadeira.

Porém, confesso que fiquei bastante incomodado com as mudanças que fizeram no background do Pistoleiro. Ele está bonzinho demais. Continua sendo o assassino que nunca erra, mas sumiram o niilismo e o desejo de morrer. Esse era o Floyd Lawton que me interessava. O cara que matou o irmão e aleijou a mãe. Sim, esse é o Pistoleiro dos gibis. Evidente que não seria simples levar isso às telas. Mas, eu sempre sou otimista e hope springs eternal.

Me deixou bem feliz também os pequenos fan services do filme, que envolvem Arlequina e um certo visual clássico, um prédio nomeado como John Ostrander e coisas que acontecem com o Capitão Bumerangue que o respeito por um texto spoiler free não me permite contar.

E o Batman. Porque, né, é o Batman. E isso não é spoiler, pois você já o viu no trailer. Mas o que ele faz, ah… digamos que ele é muito Batman. Ben Affleck, gente. Nunca duvidei.

Pontos fracos

Você deve ter reparado que até agora não falei do Coringa. Não falei porque o lugar dele é aqui no final, junto com os bizarros elementos gráficos que aparecem em vários momentos do filme, especialmente nos flashbacks que contam a origem dos membros do Esquadrão. Ou seja, Jared Leto e sua bizarrice pertencem à categoria do que não funcionou.

O visual é grotesco. Esse Coringa tatuado, meio rapper, é simplesmente idiota. Além disso, a impressão é de que o colocaram na trama só para ter Jared Leto e dizerem que o Coringa apareceu. Não tem nada que o justifique no filme além disso.

Mesmo que ele seja o ponto de partida da Arlequina – que é destaque positivo, tanto na interpretação de Margot Robbie, quanto como personagem mesmo – dava para substituir por um boneco. Um boneco branco de batom vermelho já resolveria.

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Viola “Waller” Davis: fodona!

Poderiam também ter arrumado uma ameaça maior e melhor para o Esquadrão enfrentar. Da mesma forma que “Capitão América – Guerra Civil” me decepcionou por simplificar demais algo que nos quadrinhos era muito maior, aqui fica a mesma sensação. Dava para fazer mais, especialmente ao considerar a Waller bad mothafucka que já existe no filme.

Segue o jogo

Importante avisar, se você ainda não sabe, que tem cena pós-créditos. E que ela tem tudo a ver com “Liga da Justiça” e é mais um fan service delícia.

Para finalizar, repito: não é um filme ruim. Só não é ótimo, mas o que de tão espetacular você viu nos últimos tempos? Portanto, não caia nessa onda das pessoas que parecem querer que a DC só faça filmes ruins, porque torcem para a Marvel. É cinema, não futebol.

“Esquadrão Suicida” é um filme simples, nesse sentido parecido com muitos gibis de super-heróis. E que entrega uma boa ‘Sessão da Tarde’. Tá ótimo assim.

O que importa mesmo é que a partir desse “Esquadrão Suicida” o Universo DC Filmes existe. Virão altos e baixos, do mesmo jeito que na Marvel (Oi, “Homem de Ferro 2”, “Incrível Hulk”). Mas a gente vai se divertir. Porque esse tipo de cinema serve justamente para isso.

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).