Deadpool

Deadpool

Ryan Reynolds alcança objetivo de cruzada pessoal e nos entrega o “super-herói” mais engraçado e incorreto de todos os tempos num dos filmes do gênero mais divertidos e honestos já produzidos

Em 2009 o irregular ‘X-Men Origens: Wolverine‘ chegou às telas trazendo a origem do famoso mutante – mais uma vez interpretado por Hugh Jackman. Junto com Wolverine, a trama jogava indiscriminadamente com um batalhão de heróis e vilões do universo dos mutantes da Marvel Comics na tela, e dentre eles, um certo Wade Wilson (Ryan Reynolds) – o mercenário também conhecido como Deadpool… completamente descaracterizado. O resultado desse “ninho de mafagafos” cometido pelo diretor Gavin Hood e pela 20th Century Fox todo mundo já sabe…

Nerd toda vida e fã (obcecado) do personagem, Ryan Reynolds (que vinha sendo cotado para o papel num filme solo desde 2004) encasquetou que um dia interpretaria o mercenário tagarela corretamente e dignamente caracterizado – mesmo que isso resultasse num produto para maiores, e consequentemente, com menos público comprando ingressos de cinema. A partir daí, desacreditado pela descaracterização de Deadpool no longa do Wolverine e pelo fracasso de ‘Lanterna Verde‘, o ator entrou numa verdadeira cruzada pessoal com campanhas diversas – que duraram anos – , videos virais, fotos… e contou com o apoio ferrenho de Rob Liefeld (“desenhista” e co-criador do personagem). Até a Warner Bros. tentou jogar areia na empada do cara tentando impedir que o ator, por conta de ‘Lanterna’, interpretasse um personagem da Marvel num filme da Fox.

Enfim, muita coisa rolou e tantos anos – e tantas emoções – depois…

Finalmente chegou às telas o – aguardado por uns e subestimado por outros – filme ‘Deadpool’ (EUA/ 2016), dirigido pelo técnico em efeitos especiais Tim Miller e com o guerreiro Reynolds como protagonista.

E deu certo? O que posso dizer? Eles conseguiram. Ele conseguiu!

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A trama, simples e narrada de forma não linear, conta a história do ex-militar e mercenário Wade Wilson (Reynolds). Ele trabalha como uma espécie de faz-tudo no submundo, realizando diversos serviços – como surras em caloteiros e stalkers (às vezes por uma boa grana e eventualmente por pura gentileza) – e nas horas vagas vai dar um rolê num boteco barra-pesada frequentado pelos “colegas de profissão”. Lá ele se apaixona perdidamente pela linda e fogosa stripper Vanessa (a bela Morena Baccarin) e quando começa a repensar sua vida, descobre ser portador de um câncer terminal. Desacreditado, ele é convidado por uma misteriosa organização a participar de um experimento que supostamente o curaria e poderia lhe conferir alguns poderes. Porém, como dizem, quando a esmola é grande demais…

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A partir daí, ou de antes, é puro quebra-pau, tiroteio, palavrões, muita sacanagem (definitivamente não é um filme pra crianças), mortes violentas, fan services e dezenas de referências ao universo pop. O filme é tão doido que até “se auto zoa”, tira sarro do próprio Reynolds e seus “micos hollywoodianos” e até dos outros filmes de heróis da Fox. A trilha sonora é outro grande acerto, evocando hits das décadas de 1960 e 1980 das formas mais sacaninhas e inusitadas possíveis. A inclusão de elementos do universo cinematográfico dos X-Men também é muito acertada e a cena pós-créditos é uma das mais divertidas dos últimos tempos.

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Com orçamento nitidamente inferior aos dos outros filmes do gênero, os produtores focaraDeadpool_cartazm no que realmente importa (e não me canso de dizer): qualidade, boas sacadas, cenas muito bem dirigidas, agilidade, bom humor e a melhor caracterização de um personagem dos quadrinhos nas telonas até hoje. O uniforme ficou simplesmente perfeito e gaiatice de Ryan Reynolds serviu pro Deadpool como uma luva. A ótima e hilária atuação do cara é a sua verdadeira redenção, uma grande vitória pessoal e profissional e o sucesso que o filme já tá fazendo mundo afora é apenas um detalhe.

Por fim, afirmo sem medo de ser feliz que ‘Deadpool‘ finalmente nos entrega o que talvez seja um dos filmes de super-heróis mais honestos já feitos até agora, que com louvor realmente cumpre o que promete: diversão ligeira e levemente descompromissada, mas completamente comprometida em oferecer um produto de qualidade pro seu público – que de bobo não tem nada.