Deadpool 2

Deadpool 2

O anti-herói mais escrachado dos cinemas retorna em um filme bem divertido e que não poupa a cultura pop de sátiras

 

Se tem uma coisa difícil no cinema é conseguir ir bem em uma sequência depois que o primeiro filme faz um sucesso inesperado. Lá em 2010, Matthew Vaughn dirigiu Kick-Ass, um excelente filme de super-herói que pegou a todos de surpresa pela sua violência e humor negro. Três anos depois veio a continuação (com outro diretor) e… bom, podia não ter vindo. Já em 2014, Vaughn, também ele, lançou Kingsman: Serviço Secreto, um excelente filme de ação que pegou todos de surpresa pela violência e o humor negro. Três anos depois, o mesmo diretor lançou a continuação e… não chega a ser ruim, mas também não é tão bom.

 

Percebeu o padrão? Foi exatamente isso que ocorreu em 2016, quando o primeiro Deadpool saiu. Escrachado, violento e sarcástico, foi uma grata surpresa e que causou bastante expectativa para a sua sequência, que perdeu o diretor do original, mas não perdeu o espírito.

 

Agora dirigido por David Leitch, Deadpool 2 tem no roteiro a sua principal vantagem. Escrito por Rhett Reese, Paul Wernick e Ryan Reynolds (o ator que dá vida a Wade Wilson/Deadpool), o texto não apresenta nada de muito novo, mas é ágil e cheio de viradas inesperadas, além de piadas e referências sobre a cultura pop no geral e muito sobre as HQs. Quando a Marvel absorver o universo dos X-Men nos cinemas, Deadpool vai rivalizar na comédia com os Guardiões da Galáxia. Ou vai matar todos eles… 

Nem o poderoso braço biônico do Cable foge das piadas. (Divulgação/Fox)

 

Elenco em sintonia

O filme tem piada envolvendo Marvel x DC; a “pão dureza” da Fox, o estúdio que produziu o longa; as más escolhas na vida dos envolvidos na produção (especialmente do próprio Reynolds, que não poupa nem sua nacionalidade canadense) e uma hilária rixa com o Wolverine – muitos fãs de quadrinhos acham o Deadpool, pelos seus poderes de cura, uma imitação do Wolverine e, além disso, Reynolds e Hugh Jackman são amigos e se provocam constantemente em público desde a lamentável participação de Deadpool em X-Men Origins: Wolverine.

 

Mas, de nada adiantaria um texto afiado sem uma boa interpretação, e Ryan Reynolds segue muito bem no papel central. A impressão é que o ator se diverte tanto fazendo Deadpool quanto quem assiste ao filme depois, o que o coloca em total sintonia com o personagem. E o restante do elenco consegue acompanhar, desde os ótimos integrantes da X-Force – o grupo de pessoas com superpoderes (ou nem tanto) formado por Deadpool -, passando pelo X-Man Colossus (voz de Stefan Kapicic), o motorista de táxi/faxineiro Dopinder (Karan Soni), o amigo do anti-herói, Weasel (T.J. Miller), e Domino (Zazie Beetz), que tem como superpoder o fato de ser sortuda, o que leva a ótimas sequências do filme. Até o carrancudo Cable (Josh Brolin) tem seus momentos cômicos, sem contar as diversas participações surpresa durante o longa (aliás, o Brad Pitt está por lá, tente ver se consegue encontrá-lo).

Wade (Ryan Reynolds) com a inseparável e sempre engraçada Al Cega (Leslie Uggams) – Divulgação/Fox

Porradaria e sangue, mas sempre com humor

Sem falar muito sobre a trama, basicamente, acompanhamos uma aventura em que Deadpool tenta defender o jovem mutante rebelde Russell (Julian Dennison) do viajante do tempo Cable, que veio do futuro para eliminar o garoto. E, em meio a ótimas sequências de ação (o que não é surpresa, uma vez que Leitch já tinha dirigido os bons De Volta ao Jogo e Atômica) e carnificina, o filme consegue ter seus momentos “tenros”, alguns em câmera lenta, e com uma trilha sonora que funciona bem para complementar o humor.

 

Deadpool 2 até tenta tratar de questões mais sérias (e chega a introduzir aquele que, talvez, seja o primeiro casal homossexual dos super-heróis no cinema), mas deixa bem claro que o seu principal objetivo é o humor. E pode não ter mais o fator novidade ao seu favor, mas continua sabendo aproveitar a rara liberdade dada a um filme desse gênero por um grande estúdio, o que acabou resultando, inicialmente, em uma classificação para maiores de 18 anos no Brasil. Faz parte.

Mas a FOX recorreu e baixou para 16 anos. Como se fizesse diferença.

 

Obs.: mais do que uma cena, o filme tem uma sequência pós-créditos. E é genial.

Cinema? Quanto mais melhor, de qualquer tipo. Música? Toda hora. Video-game? Mas, por que não? Este jornalista, que também trabalha como tradutor, tem uma curiosidade bastante aguçada pela cultura pop no geral.