Celebrando a diversidade em May the 4th

Celebrando a diversidade em May the 4th

Os novos filmes de Star Wars redefiniram a franquia com base em um só conceito: a diversidade

 

Star Wars é diferente de qualquer outra franquia de entretenimento. Sempre foi. Ousou retomar a ficção científica numa época em que o gênero não era o mais requisitado, apresentando uma ópera espacial que, logo no primeiro segundo já fazia as pessoas se questionarem: “Como assim ‘Episódio IV’? Onde estão os outros três que eu nunca vi?”.

Com a ação se passando “Há muito tempo, numa galáxia muito, muito distante”, Guerra nas Estrelas, como conhecemos a saga por aqui naquele final dos anos 1970, início dos 1980, ganhava uma liberdade que mesmo Star Trek nunca teve. Em Jornada nas Estrelas o futuro apresentado era o nosso futuro. Já nas aventuras de Luke, Leia e companhia, tudo podia acontecer, porque não havia nenhuma amarra, nenhuma referência. Você já parou para pensar que ninguém ali é terráqueo. Há muitos humanoides, mas ninguém veio da Terra.

Para comparar com um filme recente. Em Guardiões da Galáxia, as referências de Peter Quill são todas terráqueas. Ele enxerga sua vida por um filtro de valores dos EUA dos anos 1980.

Star Wars não tem nada disso.

E os filmes novos da franquia usam lindamente essa liberdade para nos apresentar uma leva de protagonistas que fogem do estilo tradicional das grandes marcas do entretenimento.

Rey e Finn, maravilhosos

Na série principal, Rey dominou a paisagem, chutou a bunda do vilãozinho chato e chorão e ainda encontrou Luke Skywalker, só para começar. Para ajudar, o ex-Stormtrooper negro Finn junta-se aos rebeldes e divide, em menor escala, o protagonismo com Rey. E se ser um desertor de pele negra não fosse suficiente para a indicação de minoria, é bem possível que ele seja gay. Como diria Karol Conka: se é pra tombar, tombou!

Já no surpreendente Rogue One, a personagem principal Jyn Erso conduz uma narrativa dura, sem final feliz. Um filme de guerra que tem uma mulher no centro da trama. Quantas vezes vimos isso?

Sem amarras, tudo pode acontecer em Star Wars em termos de representatividade cultural. A franquia renasceu nas mãos da Disney, depois que a Lucasfilm foi vendida pro rato orelhudo. Mas o sucesso e, especialmente, a relevância junto a públicos mais jovens vem justamente da representação da diversidade nos filmes.

As pessoas podem se ver nas telas. Tudo bem que a Princesa Leia (saudades Carrie Fischer) sempre foi fodona, mas ela não era Jedi. A Rey é. E com um domínio da Força poucas vezes visto na saga. Isso significa algo. Isso demonstra para meninas de todos os lugares que pode haver algo escondido dentro delas, esperando para sair e dominar o mundo no qual elas vivem.

Finn mostra para meninos negros de todo mundo que eles não precisam se confirmar com o destino que lhes parece traçado, mas que é possível se rebelar e escolher seu próprio caminho.

Se a trilogia original tem seu grande valor por ser um modelo pronto da Jornada do Herói pensada por Joseph Campbell, com um herói bem tradicional adentrando na aventura, hoje há resignificação dessa representação para abraçar mais e mais pessoas. É uma estratégia comercial. Mas isso não tira dela o seu valor simbólico e nem os benefícios para o público.

É a ficção salvando o dia. Salvando vidas. Só dá para pedir que hoje, #StarWarsDay essa Força esteja com a gente. E que continue por aqui.

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).