Uma nova Força despertou

Uma nova Força despertou

Renascida, a franquia Star Wars está pronta para conquistar um novo público: as meninas

Você se lembra da última vez que um filme te fez sentir-se como criança novamente? Para mim, essa experiência aconteceu à meia noite do dia 16 de dezembro, quando li a frase “A long time ago, in a galaxy far, far away…”.

Era o início de uma nova era, trazida até nós pelas mãos de J.J Abrams e chamada de O Despertar da Força. Diferente de seus antecessores cronológicos, os Episódios I, II e II, este episódio VII de Star Wars, resgata o que havia de melhor na trilogia clássica: o humor, a aventura, a sensação clara de que há uma jornada (aquela, do Herói) em curso e, nesse caso, um par de protagonistas pelos quais você sente vontade de torcer.

Tudo isso, mais um ritmo certeiro, CGI na medida e, principalmente, um monte de fan service, fizeram com que eu me lembrasse da sensação de sair do cinema depois de O Retorno de Jedi, lá na década de 1980.

Mas não é ao Episódio VI da saga espacial que este “Despertar da Força” mais bebe da fonte. É do seu irmão mais velho, aquele lá da longínqua década de 1970. Assim como em Uma Nova Esperança, encontramos uma pessoa comum. Neste caso, trata-se de uma menina que conhece lendas sobre Jedis e cata sucatas para sobreviver em um ambiente desértico. Qualquer semelhança com a primeira aparição de um tal de Luke Skywalker não é mera coincidência.

Há ainda uma arma secreta, bem maior do que uma Estrela da Morte, mas que tem suas raízes ali também. Os Jedis são uma lenda, o Império tem seguidores que sobreviveram depois da morte do Imperador e que continuam a aterrorizar a galáxia, e os Rebeldes ainda resistem, agora liderados por uma General que outrora foi Princesa.

A essa premissa são acrescentados a órfã Rey (Daisy Ridley) e um Stormtrooper dissidente, Finn (interpretado pelo ótimo John Boyega). Herói relutante e alívio cômico na medida (nada de Jar Jar por aqui), traz equilíbrio à força (pun intended) de Rey. Ela é jovem na medida certa, bonita sem ser deslumbrante e forte… Muito forte.

Daisy-Ridley-as-Rey-Star-Wars-7Daisy Ridley, aliás, foi uma escolha mais que perfeita. Ela é adorável, apaixonante, mas não como uma Barbarella gostosona (para ficar no tema espacial), mas sim como uma protagonista real, criada para crescer com a audiência.

Pois aqui, estamos diante de uma heroína em construção. Fiquei até pensando que era intencional por parte da Disney, em sua cruzada por “princesas” mais ativas, como em Frozen e Valente. Não é, visto o tanto de reclamações da falta de brinquedos de Rey nas lojas de todo o mundo.

Enfim, voltando à construção dessa nova referência, se você já assistiu ao filme, veja o que pensamos sobre o futuro dela e da franquia nesse texto CHEIO DE SPOILERS. Aqui, posso dizer que Rey promete muito. Só vimos um relance de sua capacidade, em especial no enfrentamento direto do vilão, Kylo Ren (Adam Driver).

star-wars-7-the-force-awakens-could-kylo-ren-really-be-a-skywalker-668067Falando nisso, Kylo é uma questão a parte nessa história toda. Muita gente reclamou dele não ser mal o suficiente, de ser um vilãozinho meia boca. Acho exagero, afinal ele é o verdadeiro condutor do filme. E, se Rey está crescendo, Kylo Ren não fica atrás. Ele idolatra um certo Lorde Sith de máscara e voz cavernosa e tenta, a qualquer preço, ser como ele. Mas ainda há um longo caminho para que ele seja algo próximo de Darth Vader. Mais uma escolha acertada do elenco, Adam Driver tem cara de adolescente mimado, que bate o pé quando é contrariado. Mas seu arco no filme mostra que sua birra vai muito além e com consequências gravíssimas.

É complicado falar mais sem estragar o filme, que é desses que têm spoilers que realmente o arruínam se você souber antes.  Mas posso dizer que não é um filme perfeito. Há buracos no roteiro e, principalmente, resoluções muito rápidas para questões complexas.  Mas não é nada que quem assistiu aos seis outros filmes não está acostumado.

Mas não posso terminar o texto sem dizer o quanto foi bom J.J Abrams assumir a franquia. Sua visão de fã, somada à visão de entretenimento atual – que precisa de fluidez e pontos de ação a cada cinco minutos – reenergizaram Star Wars que, sejamos sinceros, havia ficado enfraquecido depois dos devaneios de George Lucas nos Episódios I a III, quando o diretor pensou que computadores resolveriam “detalhes” como atores e locações.

Star Wars: The Force Awakens Ph: Film Frame ©Lucasfilm 2015

O Despertar da Força tem cenários lindos. O final, em especial, mostra que alguém assistiu muito Hobbit e Senhor dos Anéis. E isso não é ruim, de maneira alguma. Tem também atores excelentes. Dos que já conhecemos, como Harrison Ford, até os novos e bem escolhidos, John Boyega, Adam Driver e Daisy Ridley. Só Carrie Fischer parece ter carregado demais no botox (não me lembro de ver as partes de cima e de baixo da boca dela se mexerem ao mesmo tempo no filme todo) e destoa do restante.

Mas não atrapalha o andamento do filme. Você, que ainda não viu o filme, pode estranhar o fato de eu não citar Mark Hamill, nosso querido Luke. Bom, o que digo é: havia motivo para ele não aparecer nos trailers.

Em resumo: o filme é ótimo. Para fãs e para os não-iniciados. Uma Sessão da Tarde como há muito não se via. Especialmente se você tiver uma filha. É um filme para todos, mas mais poderoso para as meninas. E isso é ótimo. Mas falaremos mais sobre isso em breve…

Nerd oldschool, gamer de primeira geração. Levou a vida de gibi tão a sério que até mestrado sobre o assunto fez. Além de uma tatuagem do Superman. Na vida real é empresário (www.evcom.com.br) e professor universitário (www.faap.br).