Yes, nós temos… Super-Heróis!

Yes, nós temos… Super-Heróis!

É hora de lembrar do que fizemos por aqui, os super-heróis brasileiros

* Por Wilson Ricoy

Em tempos em que super-heróis como Batman, Superman, Flash, Homem-Formiga, Guardiões da Galáxia e Capitão América, estão mais em alta do que nunca – seja nas HQs, nas superproduções cinematográficas ou nas elogiadas séries de TV, vale lembrar que o Brasil também já teve um time de respeito e que proporcionou várias alegrias para toda uma geração que acompanhava suas aventuras nas revistas em quadrinhos (popularmente conhecidas como Gibi…mas isso é história para outro texto…) ou na televisão.

O primeiro deles nasceu justamente na televisão: O Capitão 7!  

O Capitão 7 foi uma criação do ator Ayres Campos (1923-2003) e do diretor de televisão Rubens Biáfora (1922-1996). O personagem foi criado em 1954 para estrelar um seriado para a TV Record, de São Paulo.  O nome do personagem veio do número do canal pelo qual a TV Record era sintonizada em São Paulo, o Canal 7. O visual é claramente inspirado no Superman da DC Comics (que, na época, era chamado de Super-Homem aqui no Brasil).

O ator Ayres Campos, que também era boxeador, tinha o porte físico ideal para o personagem, lembrando, inclusive, o Superman interpretado pelo ator George Reeves no seriado norte-americano da década de 50.  

Naquela época, fazer televisão ou cinema no Brasil era um verdadeiro heroísmo! As condições e recursos eram precários e tudo era feito na base do esforço e da boa vontade. Os roteiros eram bem simples. Porém, a excitação de ver um super-herói nacional na televisão superava tudo isso! Detalhe: na época, era tudo feito ao vivo!!!  

O enredo era bem básico: Carlos era uma criança que morava com sua família no interior de São Paulo. Um dia, eles ajudaram um alien em sua cidade e, em troca, o ser espacial levou o pequeno Carlos para ser educado e treinado no Sétimo Planeta (esse é o motivo dele se chamar Capitão 7, fora ser esse também o número do canal em que o seriado era exibido…). Durante vários anos, Carlos aprimorou seu corpo e sua mente, regressando a Terra para combater o Mal.  

No início, O Capitão 7 era uma espécie de Flash Gordon tupiniquim. Devido à ausência quase absoluta de efeitos especiais, o personagem não voava e utilizava espadas e pistolas de raios para lutar contra seus inimigos.  

O seriado fez bastante sucesso na época, o que levou Ayres Campos a licenciar o personagem para a Editora Continental publicar uma revista em quadrinhos com o personagem a partir de 1959. Quem estava responsável pela revisa era o sensacional Jayme Cortez, um dos mestres do quadrinho brasileiro! Foi Cortez que fez um upgrade no personagem para deixa-lo mais atraente do ponto de vista comercial, atribuindo super poderes para o Capitão 7 e aí, sem os limites dos recursos escassos da TV ao vivo, o personagem pôde ser realmente explorado como um verdadeiro super-herói, utilizando a plenitude de seus poderes adquiridos no Sétimo Planeta.  

Um detalhe: os poderes do Capitão 7 só funcionavam totalmente enquanto ele estava vestindo o uniforme! Outra curiosidade é que ele guardava seu uniforme em um local muito secreto…comprimido dentro de sua CAIXA DE FÓSFOROS!!!

Em sua identidade civil, Carlos era um brilhante e tímido químico.  Ele namorava uma garota chamada Silvana, que era filha de um importante agente da Interpol, o Dr. Moreira. Seu principal inimigo era o maléfico Caveira.  

No início, Silvana não sabia da vida dupla do herói. Porém, com o tempo, eles se casaram e ele a levou para conhecer o Sétimo Planeta, onde ela também adquiriu poderes especiais e passou a combater o crime ao lado do Capitão 7. 

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A revista em quadrinhos do personagem teve 54 edições e foi cancelada em 1964.  A série de TV ficou no ar por mais dois anos, sendo encerrada em 1966.

É interessante ressaltar que Ayres Campos tinha um perfil empreendedor e empresarial. Ele licenciou a marca Capitão 7 para diversos produtos como brinquedos, lancheiras e fantasias, que foram um tremendo sucesso na época!  Algo realmente inovador aqui no Brasil!

Vou ficando por aqui e, em breve, falaremos de outro super-herói nacional esquecido hoje em dia: o Raio Negro!

ricoyWilson Ricoy
E
sse bluesman inveterado foi mordido quando criança pelo bichinho Marvel / DC e continua acompanhando suas personagens prediletas até hoje. É bat-maníaco de carteirinha e nutre especial admiração pelos chamados heróis urbanos como o próprio Batman, além do Demolidor, Homem-Aranha e Arqueiro Verde. Fã absoluto de western spaghetti e filmes de James Bond, também e guitarrista da banda Blue 7.1 e proprietário da Toca da Coruja Núcleo Musical.    

2 Comentários

  1. […] como curiosidade: enquanto que nossos heróis brazucas anteriores (Capitão 7 e Capitão Estrela) foram baseados em heróis clássicos da Era de Ouro dos Quadrinhos (Flash […]

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