Apocalipse Yesterday, quando Bloody Mary invadiu o Brasil

Apocalipse Yesterday, quando Bloody Mary invadiu o Brasil

Já que os anos 90 parecem estar voltando com força, relembramos uma das histórias de ficção científica mais intensas daquela época: Bloody Mary

 

* Por Gilberto Algarra

 

Em 1998, a saudosa editora Abril Jovem, braço para o público infanto-juvenil da então gigante Abril, publicou no Brasil “Bloody Mary”, uma história em quadrinhos dividida em quatro edições quinzenais, da DC Comics e do selo Helix, que reunia as histórias de ficção científica da DC. O gibi foi escrito pelo irlandês Garth Ennis e desenhado pelo saudoso Carlos Ezquerra, um dos criadores do Juiz Dredd e que faleceu no ano passado após lutar contra um câncer no pulmão.

 

A trama

A história se passa num imaginário 2012 e tem como cenário diversas cidades europeias. Ali conhecemos a Cabo Mary Malone, uma americana, ex-integrante de uma unidade de operações secretas composta por militares britânicos e americanos.

 

Ela participou de uma espécie de terceira guerra mundial num fictício ano de 1999 entre um superestado da comunidade europeia dominado pela França e Alemanha e a Inglaterra aliada aos Estados Unidos, em decadência econômica.

 

Mary teve os pais assassinados na sua frente pelo Sargento Anderton, comandante do esquadrão de assassinos com quem ela conviveu na guerra e que matou todos os integrantes para atuar como mercenário independente. Na história, Anderton rouba um experimento que transforma soldados em máquinas de guerra capazes de suportar a dor e ferimentos graves mesmo com a extração de membros do corpo. Ele oferece a “arma” aos dois lados da guerra em troca de dinheiro, mas ambos resistem em pagá-lo, optando por capturar o experimento e o executando.

 

O euro-presidente é Jerome Rochelle, que o autor descreve como um homem que chegou ao poder numa onda de ódio racial, paranoia reacionária e questões migratórias. Rochelle é chantageado por Anderton, mas opta por contratar outro mercenário tão vil quanto ele: Vatman, um assassino apreciador de vinhos curtidos em corpos humanos em decomposição. Por outro lado, o comando inglês resolve optar pelo envio do único sobrevivente da equipe de Anderton capaz de capturar a experiência e ainda se vingar: ninguém menos que Mary, apelidada agora de “Bloody Mary”, que ganha a companhia de um pelotão do exército inglês comandado por um Major enlouquecido por mazelas de guerra que só sabe o seu posto, mas não se recorda do nome.

 

A vingança de Mary contra o Sargento Anderton se mistura com a guerra entre o presidente Rochelle os ingleses e americanos e se torna mais sangrenta quando o embate acontece em Roma, sede do governo europeu e esconderijo de Anderton.

 

O bom e velho Garth Ennis

O argumento de Ennis é bem conhecido de outras de suas histórias, com aquele humor negro e uma vasta referência de histórias de guerra.

 

Já os desenhos de Ezquerra, veterano da revista 2000 A.D., são um espetáculo, com cenas violentas e muito sangue. O autor mantinha uma página no Facebook e era bastante acessível aos fãs. Familiares chegaram a postar uma mensagem quando ele morreu no último dia 01 de outubro: “Carlos Ezquerra, ele perdeu a batalha, descanse em paz”.

 

No Brasil, foi publicada apenas essa história, mas lá fora houve uma continuação denominada Bloody Mary – Lady Liberty, que espero que seja lançada por aqui um dia.

 

 

Gilberto Algarra é jornalista, cartunista e, na maior parte do tempo, herói da vida real (policial militar)